segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Por que o Deus de bondade infinita criou um mundo tão mau?

Por Saulo Alves de Oliveira

Há alguns dias eu estava assistindo a um filme sobre as Cruzadas. As Cruzadas eram movimentos militares de inspiração cristã que tinham como objetivo libertar a Palestina e Jerusalém do domínio muçulmano entre os séculos XI e XIII.

Dois grupos religiosos, cristãos e muçulmanos, que se matavam cruelmente, ambos julgando-se certos e a serviço de Deus. Isso é o que mais me incomoda.

Lamentavelmente, a história da humanidade ao longo dos séculos, mesmo Independentemente de qualquer religião, tem sido um espetáculo chocante de crueldades, torturas, mortes e injustiças. Neste momento, em várias partes do mundo, isso ainda acontece.

Ao refletir acerca desses fatos, um só sentimento toca profundamente minha alma: tristeza. Não precisava ser assim. E um forte questionamento me sobe à mente. Talvez alguns se choquem com isso, mas é mais forte do que eu, pois eu não tenho controle sobre o que se passa dentro do meu espírito. Eu posso até evitar externá-lo, mas não posso evitar ser tomado por tal questionamento.

Por que o Deus de bondade infinita criou um mundo tão mau?

Não adianta responder com o livre arbítrio, pois Deus com certeza não precisava criar o ser humano. Deus não precisava criar num cantinho insignificante do Universo um bichinho que se destrói a si próprio, destrói os outros seres vivos e a própria Natureza.

Essa pergunta não faz sentido, por razões óbvias, se você é um ateu. Entretanto, se você é um crente, que crê na Bíblia evidentemente, acho que faz sentido sim. A resposta à pergunta não é simples nem curta, portanto só vou tangenciá-la.

Todos somos humanos, portanto limitados. Quando planejamos qualquer coisa para o futuro sabemos que pode dar errado, mas mesmo assim, acreditando na possibilidade de dar certo, vamos em frente. Às vezes alcançamos o sucesso, às vezes somos surpreendidos pelo fracasso. Não tenho receio em afirmar que, se tivéssemos conhecimento do futuro, não faríamos coisa alguma que viesse resultar em fracasso. Assim não acontece com Deus. Ele não faz qualquer coisa acreditando na possibilidade de dar certo ou errado. Ele faz sabendo exatamente o que vai acontecer. Caso contrário Ele não seria Deus.

Portanto, quem criou Lúcifer sabendo que ele se revoltaria contra o próprio Deus e bagunçaria a criação?

Quem criou Adão e Eva sabendo que estes desobedeceriam às ordens de Deus, o que acarretaria toda sorte de males que sobreviriam sobre a Terra? Falo como um criacionista, embora não o seja.

Quem criou Caim e Abel sabendo que o primeiro mataria o segundo, dando-se assim o primeiro homicídio da história da humanidade?

Quem destruiu a humanidade com o dilúvio por causa da maldade, salvando apenas oito pessoas para perpetuar a espécie humana, mesmo sabendo que os seres humanos mais uma vez seguiriam seus próprios caminhos maus?

Quem criou a humanidade sabendo antecipadamente que essa mesma humanidade não daria certo?

Quem criou a humanidade sabendo de todo o mal que lhe sobreviria, tais como: ciúmes, invejas, torturas, guerras, assassinatos, estupros, doenças, calamidades, pestes, fome... e toda sorte de maldade que já aconteceu e ainda acontecerá na Terra?

Quem criou a humanidade mesmo sabendo que, no futuro, lançaria no inferno grande parte dos seres humanos por toda a eternidade? Falar em condenação eterna me faz vir à mente outra questão complexa, porém fica para outra oportunidade.

Deus sabia de tudo isso e mesmo assim tudo criou, inclusive o Diabo.

Se você fosse Deus, você teria criado?

Foi assim, refletindo sobre tudo isso que eu perguntei: “Por que o Deus de bondade infinita criou um mundo tão mau?”

Se há uma explicação racional que responda à pergunta, ótimo.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O "deus" de Janaína Paschoal

Por Saulo Alves de Oliveira

A Sra. Janaína Paschoal teve a ousadia – ou seria o mau-caratismo? – de envolver Deus na farsa do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

Pelo que eu sei ela declarou que recebeu, do PSDB, R$ 45.000,00 para participar do golpe. Então, me parece que o deus dessa senhora é o PSDB.

Bom, pode ser que o deus dela seja um outro deus, Mamon, por exemplo.

Se o deus dessa senhora interferiu nesse processo fraudulento, ao usar uma corja de crápulas, começando com o Sr. Eduardo Cunha e o Aécio Neves, para apear do poder uma mulher honesta, deve ser uma entidade desprezível que se rebaixa ao nível dos algozes da Dilma.

Portanto, o deus da Sra. Janaína Paschoal não me representa e eu não tenho o menor interesse em ter com ele qualquer relacionamento.        

sábado, 13 de agosto de 2016

Agora é a vez do Pokémon GO

Por Saulo Alves de Oliveira

Certa vez alguém do meu círculo familiar mais próximo, ao se desequilibrar e cair quando descia os quatro ou cinco degraus de uma escada, disse que o Diabo o havia empurrado. Eu sou do tempo em que a televisão era considerada algo maligno. Jogar futebol ou ir ao cinema, nem pensar, pois, por mais absurdo que hoje possa parecer, também eram atitudes classificadas dentro do espectro da ação do Diabo. E passear numa praça? Era pecado!

Algumas pessoas têm uma tendência quase doentia para satanizar muitos aspectos ou circunstâncias da vida. Tais pessoas veem o demônio em tudo.

Esse fato realmente me impressiona, sobretudo porque não estamos mais na Idade Média com todo o seu obscurantismo. Estamos em pleno século 21.

E o que é pior: não se trata apenas de pessoas ignorantes, pois muitas delas têm boa formação intelectual. Grande parte tem formação superior, pós-graduação e não poucos são mestres ou doutores.

Já foram demonizadas antigas histórias infantis de reis, rainhas e princesas; músicas tocadas em rotação inversa e ouvidas nos velhos discos de vinil; os filmes da série Harry Potter; já foram demonizadas até plantas como a espada-de-são-jorge ou mesmo imagens formadas por nuvens no céu. Poderiam ser citados muitos outros exemplos.

A bola da vez é o “Pokémon GO”.

Eu não estou querendo afirmar que o jogo ou brincadeira do “Pokémon GO” não tem aspectos negativos e que, portanto, as pessoas não deveriam evitá-lo. Se realmente é verdade que este jogo pode causar algum prejuízo, de qualquer ordem... mas aí são outros quinhentos.

O que eu critico é essa mania infantil e tosca que alguns religiosos têm de ver o Diabo em tudo, isto é, de dar uma conotação espiritual ou sobrenatural àquilo que é simplesmente humano ou natural.

Eu sei que a religião tem aspectos muito bons, mas às vezes a religião, a partir do fanatismo, infantiliza mentes adultas. Obviamente, “infantiliza” aqui é apenas um eufemismo, todavia, por respeito a quem pensa diferente, deixo infantiliza mesmo.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Paulo e o silêncio das mulheres

Por Saulo Alves de Oliveira

Se você é uma pessoa – me refiro especialmente aos cristãos de um modo geral e aos evangélicos em particular – que faz questão de não se deter nas “dificuldades bíblicas”, certamente o tema abaixo não lhe interessa. Entretanto, ele diz respeito a todas as mulheres e deve interessar a todos aqueles que se preocupam com os direitos femininos. 

O apóstolo Paulo ensinou – ou seria ordenou? – que as mulheres não têm o direito de falar nas igrejas e, portanto, devem se manter caladas. Dúvidas? Leia os textos abaixo:

“... Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja” – 1 Co. 14.33,34,35.

 “A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio” – 1 Tm. 2.11,12.

Bom, para mim não resta nenhuma dúvida acerca do que Paulo escreveu.

Diante dessa ordenança bíblica, pergunto a quem afirma que devemos cumprir as Escrituras do Gênesis ao Apocalipse, isto é, do “No princípio criou Deus os céus e a Terra” ao “A graça do nosso Senhor Jesus seja com todos”, e que ao mesmo tempo se interessa por este tema: por que em muitas igrejas atualmente as mulheres falam, ensinam, pregam, coordenam, presidem reuniões diversas ou cultos e, em muitos casos, são pastoras?

Tal comportamento não estaria em desacordo com a Bíblia? Ou o ensinamento de Paulo não é mais para os nossos dias?  

Bom, acho que há algumas considerações a fazer sobre o tema.

Segundo o Dr. Bart D. Ehrman, especialista em Novo Testamento, igreja primitiva e manuscritos antigos – autor do livro O que Jesus disse? O que Jesus não disse? –, alguns estudiosos acreditam que os versículos 34 e 35 do capítulo 14 de 1 Coríntios não foram escritos por Paulo, mas foram acrescentados por copistas como uma espécie de nota marginal, portanto não faziam parte da epístola original de Paulo. Tanto é que em alguns manuscritos essa anotação (versículos 34 e 35) aparece depois do versículo 33 e em outros aparece depois do versículo 40. Infelizmente, sabe-se que não existem os originais dos livros da Bíblia, mas cópias de cópias de cópias de cópias...

Como havia uma grande polêmica acerca da participação das mulheres nas igrejas nos primórdios do cristianismo, tais copistas, favoráveis à discriminação das mulheres, teriam acrescentado essa nota que depois teria sido repassada como sendo de autoria de Paulo, o que lhe conferia autoridade apostólica. Realmente, parece ter sentido essa observação, pois, se os versículos 34 e 35 forem retirados do contexto, em nada prejudica o tema que Paulo tratou no capítulo 14.

Na realidade, para coerência do tema relacionado às mulheres melhor seria que os versículos 34 e 35 não estivessem no texto bíblico.

Admitindo-se, entretanto, que o próprio Paulo é o seu autor parece haver uma incoerência entre os versículos 34 e 35 e o que o apóstolo escreveu no mesmo livro de 1 Coríntios um pouco mais atrás no capítulo 11, versículo 5, quando ele admite que as mulheres orem e profetizem na igreja.

Não sei se Paulo quis dizer que as mulheres deveriam ficar exatamente "mudas" ou "silentes", entretanto fica claro que elas não podiam ensinar ou ter ascendência sobre os homens nas igrejas.

Na tentativa de desfazer o entendimento de que Paulo discriminava as mulheres, conforme 1 Coríntios e 1 Timóteo, há quem utilize o texto de Romanos 16 para mostrar que o apóstolo tinha as mulheres em alta conta. Até concordo que ele tinha grande consideração pelas mulheres, entretanto o fato de Paulo citar e elogiar várias mulheres, as quais certamente muito o ajudaram, não quer dizer que ele aceitava que as mulheres tivessem ascendência sobre os homens e que falassem nas reuniões da igreja primitiva.   

No que diz respeito ao capítulo 16 de Romanos, não me parece haver nenhuma incompatibilidade com os ensinamentos em 1 Co. 14.34,35 e 1 Tm. 2.11,12, exceto, talvez, em relação a Júnia ou Júnias.

A primeira mulher citada pelo apóstolo chamava-se Febe. O texto diz que ela era diaconisa, ou serva em algumas versões, o que não caracteriza que ela obrigatoriamente ensinava ou tinha, na igreja, atividades que eram prerrogativas dos homens. Tanto é que em 1 Tm. 3.8-10 Paulo diz quais são as qualidades dos diáconos e, alguns versículos antes (2.11,12), ele escreveu que as mulheres não podiam ensinar nem ter domínio sobre os homens. Caso contrário, seria uma flagrante contradição do apóstolo.

Quanto ao fato do nome "Priscila" preceder o de "Áquila", pode ter algum significado ou não. Não se sabe exatamente o motivo dessa deferência (?). Entretanto, tal fato em nada contradiz de forma inquestionável os ensinamentos de Paulo quanto aos limites da participação das mulheres na igreja nos primeiros séculos da era cristã.

Quanto às demais mulheres citadas, Paulo apenas as elogia e reconhece seu trabalho e sua dedicação, portanto nada que contrarie os ensinamentos atribuídos a ele em 1 Coríntios e 1 Timóteo.

Já em relação a Júnia (nome feminino) ou Júnias (nome masculino) as coisas se complicam um pouco. Algumas traduções referem-se a "Júnias", apesar de que, tudo indica, a forma masculina "Júnias" não era um nome muito comum no mundo antigo.

Se o nome era "Júnias", como consta em algumas traduções, a questão está resolvida, pois Paulo estaria se referindo a dois homens, Andrônico e Júnias, "...bem conceituados entre os apóstolos..." – Rm 16.7.

Se o nome era realmente "Júnia", uma mulher, que era apóstola, parece haver uma contradição em relação a 1 Co. 14.34,35 e 1 Tm. 2.11,12, o que reforça a suspeita de que os versículos 34 e 35 do capítulo 14 de 1 Coríntios foram uma inclusão feita por copistas. Também há questionamentos quanto a autoria de 1 Timóteo, que pode não ter sido do apóstolo Paulo.

Há ainda traduções de manuscritos que, para evitar dúvidas, dizem o seguinte: "Saudai a Andrônico e Júnia, meus parentes; saudai também meus companheiros de prisão, apóstolos eminentes". Dessa forma, ninguém precisa se preocupar com o fato de uma mulher ser citada em meio a um grupo de apóstolos homens.

Na realidade, tudo isso, e outras coisas mais, deixa claro que a Bíblia, lamentavelmente, não é um livro objetivo e por isso dá margem às mais diversas interpretações, o que é intrigante e bastante incômodo por se tratar da Palavra de Deus.

Concluindo, esclareço ainda que nada do que foi citado acima interfere na visão que eu tenho da participação das mulheres em quaisquer atividades humanas.

Independentemente dos textos citados serem ou não de autoria de Paulo, minha visão é que não se pode mais, hoje, reservar à mulher uma posição de subserviência ou de coadjuvante. Elas podem e devem ocupar quaisquer espaços em pé de igualdade com os homens.

sábado, 25 de junho de 2016

Não havia crianças em Sodoma e Gomorra?

Por Saulo Alves de Oliveira

Em um passado remoto, segundo o Gênesis, Deus resolveu destruir as cidades de Sodoma e Gomorra com todos os seus habitantes. Motivo: “...porquanto o seu pecado se tem agravado muito...” – Gn. 18. 20.

Previamente, no entanto, Deus decidiu comunicar ao patriarca Abraão aquela sua decisão que encerrava gravíssimas consequências.

Ao tomar conhecimento daquela tragédia iminente, Abraão dialoga com Deus e faz vários questionamentos. Após um interessante diálogo com o patriarca, o Senhor diz que não destruiria as cidades se lá fossem encontrados pelo menos 10 justos.

Supõe-se, evidentemente, que o Senhor não encontrou os 10 justos, pois as duas cidades e todos os seus moradores foram destruídos pelo fogo caído do céu, poupando-se apenas Ló, sua mulher e suas duas filhas. Na realidade, segundo o relato bíblico, a mulher de Ló também morreu, pois, ao olhar para trás, ficou convertida em uma estátua de sal.

Quem se interessar pode ler ou relembrar a história no livro do Gênesis, capítulos 18 e 19.

Após meditar sobre a história de Ló, essas são as reflexões que invadem a minha mente:

- Tratando-se de dois ajuntamentos humanos, é lógico admitir que havia crianças em Sodoma e Gomorra;

- Se havia crianças, é plenamente aceitável admitir que havia seres inocentes;

- Se havia seres inocentes, penso que é correto admitir que, se eram inocentes, aqueles seres eram justos.

(Vou me abster de fazer referência aos animais)

- Portanto, se havia crianças em Sodoma e Gomorra, por que mesmo assim o Senhor destruiu totalmente as duas cidades, matando todos os seus moradores?  

Eu já li a seguinte justificativa – para essa situação inaceitável sob o ponto de vista moral de qualquer povo minimamente civilizado: inocente não quer dizer obrigatoriamente não ímpio. Portanto, Deus destruiu todos os ímpios, e aquelas crianças, apesar de inocentes, também eram ímpias (sic). O que vem confirmar as minhas observações ao longo dos anos: dada uma determinada situação, por mais absurda que seja, se está na Bíblia, alguém sempre encontra uma forma de justificá-la. Tenho a impressão de que dá-se aí uma tentativa de acalmar a própria consciência ou alcançar, a qualquer custo, o beneplácito do Criador.

Há quem justifique até a terrível ordenança de I Sm. 15.3: “Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos”. E, para contornar a dificuldade, levanta-se a hipótese de linguagem hiperbólica, isto é, não era bem aquilo que o Senhor ordenara. Um verdadeiro exercício de contorcionismo mental para justificar algo que já está evidente.

Na realidade, o texto é claríssimo. Leia todo o capítulo de I Sm. 15 e você verá inclusive que Saul foi rejeitado como rei de Israel porque não cumpriu toda a ordem do Senhor, pois preservou o melhor do rebanho. Deus mandou destruir tudo, tudo mesmo, inclusive as crianças e os recém-nascidos (sic).

Eu não entendo como crianças podem ser ímpias, dadas as seguintes palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino dos céus”. Você entende? Ímpios podem herdar o reino dos céus? Bom, para os judeus certamente essa declaração não tem nenhum valor. Ou, nesse caso, Jesus se referia apenas às crianças judias?

Para sair desse cerco, talvez alguns usem a porta de Dt. 29.29 e se satisfaçam. Quanto a mim, continuarei insistindo na pergunta. Quem sabe um dia eu encontre uma resposta razoável. 

sábado, 18 de junho de 2016

Aguardando provas

Por Saulo Alves de Oliveira

Não acredite em ninguém de forma incondicional, ainda que se trate de uma autoridade, quer seja um pastor, padre, rabino, imã, cientista, professor, político, seus próprios pais, etc.

Qualquer afirmação pode e deve ser questionada se não forem apresentadas evidências convincentes.

Portanto, questione tudo o que for dito a você e peça que lhe sejam apresentadas as evidências do que foi afirmado.

E lembre-se sempre: afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.  

Isso se chama questionar os “argumentos de autoridade”.

Se não lhe forem apresentadas evidências convincentes, a princípio não tome a autoridade por mentirosa, no máximo deixe tudo numa "gaveta" chamada "aguardando provas".

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Se recorreu a um ser humano, seja honesto...

Não diga que foi Deus.

Por Saulo Alves de Oliveira

Ao longo dos anos, eu venho percebendo muitas coisas interessantes e às vezes incoerentes no meio dos crentes. Uma delas é a que se segue.

É comum se afirmar, com fundamento na Bíblia, que Deus, através da oração, resolve tudo. Mas tudo mesmo. De uma simples dor de cabeça a uma grave doença, de um problema familiar até uma intrincada questão na justiça. E por aí vai.

De repente, alguém começa a enfrentar uma certa dificuldade. Então, em vez de fazer como Jesus ensinou – “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” -, a pessoa liga para deputado Fulano, que por sua vez liga para deputado Beltrano, que liga para determinado diretor, juiz, político, secretário, ministro, etc. e de imediato o problema é resolvido.

Talvez em algumas situações tal procedimento até se justifique. Portanto eu não quero criticar quem age assim. Quem sabe um dia eu também venha a necessitar da ajuda de alguém! Espero que não, mas, como se diz popularmente: “O mundo dá muitas voltas”. A minha crítica, entretanto, é outra.

O que me incomoda é quando alguém, depois de recorrer a uma cadeia de comando humana, na qual há vários interesses envolvidos, inclusive políticos, vem a público afirmar que foi Deus quem interferiu e resolveu seu problema.

E há quem acredite nisso. Há crença pra tudo neste mundo! Se você assim acredita, e pensar dessa forma lhe satisfaz, seja feliz meu amigo. Quanto a mim... prefiro parar por aqui.