sexta-feira, 3 de abril de 2020

O pastor, o vírus e os chineses

Parece mentira, mas não é.

"Meu Deus, oro para que todos os vírus (Covid 19) sejam recolhidos de todo o mundo e sejam colocados sobre os oitenta milhões de chineses do partido comunista chinês."

Li estarrecido.

Acreditem, essa é a postagem-oração (sic), literal, apenas com algumas correções de português, de um pastor da Igreja Batista, publicada recentemente no Facebook.

Não se trata de um jovem pastor imaturo e levado pelos impulsos irrefletidos da juventude. Não! Absolutamente não!

Trata-se de um ancião com seus setenta e poucos anos, já com décadas de pastorado e aconselhamento.

Custa crer que esse ministro está menos para o Mestre da Galileia do que para Pedro, que, sacando da espada, arremeteu contra Malco, servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe uma orelha. Acho que Pedro mirava mesmo a cabeça do rapaz, o qual, movendo-se rapidamente, livrou a cabeça, mas perdeu a orelha. Tal fato aconteceu por ocasião da prisão de Jesus no lugar chamado Getsêmani. Conta-nos a Bíblia no Evangelho de Lucas que Jesus, tocando-lhe a orelha, o curou. O que seria tal cura? A orelha cortada deixou de sangrar e/ou cicatrizou imediatamente? Jesus restituiu a orelha, fazendo surgir instantaneamente uma nova no lugar? Ou ele pegou o pedaço decepado e o pôs no lugar e o “colou”? Não sei a resposta.

Evidentemente, várias pessoas o criticaram, inclusive eu.

E ele, confirmando que tinha consciência do mal que estava desejando, fez questão de citar o Salmo 137, versículo 9: "Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras". É intrigante que se use a Bíblia para respaldar qualquer ideia ou atitude, seja boa ou má.

Acho que, para certos pastores, alguns bem conhecidos e famosos, outros nem tanto, o “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam...” está totalmente fora de moda. É fácil cumprir esse mandamento? Não, não e não! Então, pastores hipócritas!, por que assumir o cajado para o qual não estais preparados? Resposta: alguns, talvez, somente pelo alimento do deus Mamom. Existe um pastor que frequentemente aparece na TV ou internet, especialista em cara feia, com trejeitos de mal, que gosta de gritar pensando que assim convence ou intimida.

Não vou fazer mais comentários, apenas direi que esta é uma evidência do mal que o fanatismo pode fazer à cabeça de alguém que, aos olhos de todos, é uma pessoa do bem.

Acho que não preciso dizer quais são as convicções políticas desse senhor e de quem ele é um fervoroso defensor.

Tirem suas próprias conclusões.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O capitão e a impala

Por Saulo Alves de Oliveira

Imaginem que um antílope africano conhecido como impala está muito próximo de uma plantação de algo tipo capim-elefante.

De repente, ela percebe, a poucos metros, um leve barulho e uma ligeira movimentação do capim.

O que a impala deve fazer?

1) Aguardar para ver se é apenas o vento balançando o capim ou se é um tigre ou leopardo movimentando-se por entre as hastes da vegetação;

2) Sair em disparada do local.

Digam ao capitão que no caso do coronavírus a segunda opção é sem dúvida a correta, aquela que manda a prudência, a atitude do capitão responsável.

sábado, 21 de março de 2020

Estado laico? SIM!

Por Saulo Alves de Oliveira

Pregação e oração se faz em casa ou no Templo;

Missa se faz em casa ou na Matriz;

Passe se faz em casa ou no Centro;

Incorporação se faz em casa ou no Terreiro;

Leitura da Torá se faz em casa ou na Sinagoga;

Salat (nome que se dá às cinco orações diárias) se faz em casa ou na Mesquita.

O Estado brasileiro, as repartições federais, estaduais e municipais e as escolas públicas não são locais para práticas religiosas.

O Brasil é um país laico, portanto quem estabelece o que o cidadão brasileiro pode ou não fazer é a Constituição e as demais leis.

Não é a Bíblia.

Não é o Catecismo.

Não é o Evangelho Segundo o Espiritismo.

Não é a Tanakh.

Não é o Alcorão.

Os ensinamentos dos livros sagrados ou religiosos devem ser vistos como obrigações pessoais e de foro íntimo e jamais devem ser impostos a todos os cidadãos.

Por que é tão difícil para os fiéis dos diversos credos entenderem esse aspecto tão importante da vida nacional?

Porque, convencidos de que são possuidores da única e verdadeira fé, sentem-se na obrigação de levá-la aos outros a qualquer custo, comprazendo-se inclusive em transformar o Estado e suas instituições em agente de doutrinação, posto que, argumentam eles, somente assim a Nação receberá o beneplácito dos Céus.

segunda-feira, 16 de março de 2020

O inseticida e a barata

Por Saulo Alves de Oliveira

Eu não tenho medo de baratas, mas tenho pavor de ser tocado por esses seres que estão em nosso planeta há muito mais tempo que nós humanos. Tais insetos já estavam na Terra quando nossa espécie chegou por aqui. As baratas já perambulavam entre os dinossauros há cerca de 200 milhões de anos.

Eventualmente aparecem baratas na minha casa. Não sei exatamente de onde elas vêm. Algumas chegam voando ou, em sua maior parte, rastejando. Sempre que isso acontece eu sou chamado a travar a "batalha" contra as baratas.

Eu não costumo esmagá-las contra o chão, sob o sapato ou sandália. Eu sempre uso duas estratégias: jogo-as contra a parede – evidentemente eu não pego o inseto com as mãos, eu uso uma sandália ou uma vassoura para arremessá-lo contra a parede - ou, na maioria das vezes, borrifo inseticida sobre nossas velhas “companheiras”. Alguns minutos depois vejo-as inertes com as patas para cima.

Após a “terrível batalha" eu sempre guardo o pulverizador, a latinha com o inseticida, em um armário. Imagine que um dia eu esqueça a "arma" no chão de casa.

Qual não seria a minha surpresa se ao chegar em casa eu encontrasse um grupo de baratas ao redor do pulverizador, com inseticida, fazendo reverência, curvando-se ante seu algoz, e chamando-o de... m*, m*, m*!

Ah! Deixa pra lá. Acho que até aqui está bom.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Cachaça de cinco mil dólares?!!

Por Saulo Alves de Oliveira

Eu ouvi o relato abaixo de um jovem advogado brasileiro que mora na Europa. Brilhante e muito inteligente, ele tem um canal no Facebook e um site nos quais faz comentários políticos e discussões com diversos especialistas sobre política nacional, economia, geopolítica, etc. Eu já o acompanho há mais de dois anos.

A um tempo atrás ele contou uma história interessante, porém, sob o ponto de vista daqueles que sonham e almejam um país livre da velha prática politiqueira do “toma-lá-dá-cá”, muito preocupante, sobretudo pela ex-estrela envolvida. 

Certo dia ele manteve contato telefônico com uma figura que já tivera grande destaque na política nacional, tendo ocupado alguns dos mais altos cargos da República. Devido a alguns percalços, hoje essa pessoa está meio apagada no cenário político nacional, mas parece que por trás dos bastidores continua muito ativa e influente. Para facilitar o desenrolar deste comentário vou chamá-la de Seu Dir e o advogado de Roayam.

Quando o jovem advogado atendeu o telefone, Seu Dir exclamou: “Ah, você é o Roayam? Eu queria muito conhecê-lo. Sabe o que eu estou fazendo neste momento? Estou tomando uma cachaça de cinco mil dólares.” Do restante da conversa, não me lembro e, para o objetivo desse pequeno texto, é de pouca importância.

Tão fora de propósito e estranha parecia a apresentação do Seu Dir – aparentemente, é claro – que Roayam ficou sem entender aquele início de conversa, dado que não é um apreciador dessa bebida tipicamente brasileira – a cachaça –, nem de um real e muito menos de cinco mil dólares (sic).

No entanto o que mais impactou Roayam foi o fato do Seu Dir dar-se o luxo de ostentar, desavergonhadamente, uma prática tão supérflua, brindando a si próprio com uma bebida tão cara e, o pior, incompatível com sua suposta vida de lutas, pelo menos no passado, para transformar as brutais desigualdades sociais do sofrido e injustiçado povo brasileiro. Bom, essa sempre foi a proposta do seu partido político. Convém ressaltar que eu sempre acreditei.

Tempos depois, Roayam conversou com alguém, se não me engano ligado ao partido do Seu Dir, e ouviu a seguinte observação: “Deixe de ser ingênuo Roayam, não existe cachaça de cinco mil dólares. A cachaça mais cara custa cerca de dois mil reais. Esse tipo de abordagem é uma espécie de código para tentar descobrir qual é o preço do interlocutor. Pessoas de quase todos os partidos fazem uso dessa prática”.  

Seria uma forma inteligente (sic) de tentar cooptá-lo sem ser muito explícito ou tão agressivo?! Talvez! Seria mais ou menos como perguntar: “Seu preço é cinco mil dólares para vir para o nosso lado?” Foi o que deixou claro o segundo interlocutor do Roayam.

Na realidade, disse Roayam, “Eu não sei se ele estava simplesmente esnobando, o que é incompatível com alguém que se propõe a mudar a realidade social do Brasil ou se realmente estava me ‘cantando’, isto é, me oferecendo uma propina (?) para compactuar com sua forma de fazer política e deixar de dizer algumas verdades inconvenientes no contexto político/histórico que vive hoje o Brasil”.

Os diálogos ou comentários acima não são transcrições literais do que ouvi, porém representam exatamente o sentido do que relatou Roayam. A cachaça de cinco mil dólares, todavia, é literal.

O mais triste nisso tudo, e profundamente decepcionante, até mesmo desanimador, é que o Seu Dir é um importante quadro, talvez dos mais importantes, por acaso do mais influente partido da esquerda nacional.

Ponho-me a pensar.

Convido-o a fazer o mesmo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Aguardando provas 2

Por Saulo Alves de Oliveira

Se alguém me contar uma história extraordinária e não me apresentar evidências extraordinárias, ou convincentes – por exemplo, “eu fui abduzido”, “eu vi um dedo que havia sido decepado voltar a crescer”, “eu falei com um anjo”, “eu vi Jesus subir numa goiabeira” –, eu de modo algum me sinto obrigado a aceitá-la de imediato como uma verdade.

Obviamente, não preciso ser deselegante e afirmar que a pessoa está mentindo. Todavia eu tenho um arquivo com várias gavetas. Uma das gavetas chama-se “aguardando provas”. E nessa gaveta já existem várias histórias.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Você já questionou Deus?

Por Saulo Alves de Oliveira

Todos os humanos nascemos com algum grau de inteligência, uns mais outros menos. Pode-se dizer o mesmo dos outros animais. No meu caso, talvez mais para menos do que para mais. Acho que estou só um pouquinho acima da mediocridade. Todavia, apesar das minhas limitações – em relação às quais não preciso de nenhuma advertência, pois tenho consciência das tais –, também tenho alguma capacidade de exercitar o pensamento. E, como seres inteligentes, em maior ou menor grau, todos somos “equipados” com essa mesma capacidade.

Ser um ser pensante traduz-se na possibilidade de questionar o que não entendemos ou quando a dúvida, por menor que seja, nos assalta. E tal característica, obviamente, também é uma verdade em relação a Deus. Há quem se autoanule e diga não!

Sendo assim, aproveito a oportunidade para exercitar o que acabo de afirmar. Qual é a lei que diz que o ser humano não pode questionar o Criador? Quando foi que Deus proibiu suas criaturas de o questionarem? Quem o ouviu fazer tal afirmação? Teria Deus algum prazer especial em relação àqueles que emudecem frente às próprias dúvidas?

Parece-me impossível – posso estar enganado! – que alguém vivo e mentalmente são não tenha feito, em algum momento da sua vida, aos menos alguns poucos questionamentos acerca de ou a Deus. O que dizer daquelas situações em que nos descobrimos sós ou com todas as portas cerradas, literalmente perdidos, refletindo sobre a vida e sobre nossos problemas, e, sem compreender certos fatos, questionamos Deus com um simples “Por que eu?” ou “Se tu és justo, por que permitiste tal injustiça?” É razoável acreditar que a maioria de nós já teve tal experiência. E sabe o porquê? Porque somos totalmente humanos, não somos deuses, não conhecemos todas as coisas e, por conseguinte, ansiamos por descobrir a razão do encoberto e o oculto que nos atormenta.

Eventualmente a diferença entre nós – sem nenhuma pretensão deste sempre aprendiz da realidade, pois tudo é apenas fruto das nossas experiências pessoais –, é que alguns questionam em silêncio, no seu íntimo, e eu externo as minhas ansiedades e dúvidas. Talvez alguns de nós, compreensivelmente, tenham medo de Deus, o tirano incutido em suas mentes, que não aceita ser questionado e castiga os que ousam fazê-lo.

Talvez essa percepção equivocada seja fruto da educação que muitos de nós recebemos, pois, apesar das diferentes vertentes cristãs religiosas em que fomos criados, tivemos, neste aspecto da religião, isto é, como relacionar-se com o divino, mais ou menos a mesma educação cristã. Felizmente, ou quem sabe infelizmente – mais uma vez posso estar enganado – eu vislumbrei, tal qual Saulo de Tarso no caminho de Damasco, uma luz que, ao contrário do apóstolo, não criou escamas nos meus olhos, fê-las caírem, e me livrou de certas amarras que tolhiam ou freavam a minha capacidade de pensar e, consequentemente, de descobrir o que de fato é a vida real e não as distorções dessa realidade, às vezes dura. Todavia me parece mais saudável enfrentar essas verdades duras do que satisfazer-me com fantasias consoladoras.

No entanto, amigo, se você se sente bem assim, sem externar seus questionamentos acerca de ou a Deus, continue com suas convicções, não atente para as minhas ponderações, pois na vida o mais importante para muitas pessoas é somente aquilo que lhes faz bem e lhes transmite paz, ainda que, às vezes, apenas o fruto da própria imaginação.