segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Aguardando provas 2

Por Saulo Alves de Oliveira

Se alguém me contar uma história extraordinária e não me apresentar evidências extraordinárias, ou convincentes – por exemplo, “eu fui abduzido”, “eu vi um dedo que havia sido decepado voltar a crescer”, “eu falei com um anjo”, “eu vi Jesus subir numa goiabeira” –, eu de modo algum me sinto obrigado a aceitá-la de imediato como uma verdade.

Obviamente, não preciso ser deselegante e afirmar que a pessoa está mentindo. Todavia eu tenho um arquivo com várias gavetas. Uma das gavetas chama-se “aguardando provas”. E nessa gaveta já existem várias histórias.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Você já questionou Deus?

Por Saulo Alves de Oliveira

Todos os humanos nascemos com algum grau de inteligência, uns mais outros menos. Pode-se dizer o mesmo dos outros animais. No meu caso, talvez mais para menos do que para mais. Acho que estou só um pouquinho acima da mediocridade. Todavia, apesar das minhas limitações – em relação às quais não preciso de nenhuma advertência, pois tenho consciência das tais –, também tenho alguma capacidade de exercitar o pensamento. E, como seres inteligentes, em maior ou menor grau, todos somos “equipados” com essa mesma capacidade.

Ser um ser pensante traduz-se na possibilidade de questionar o que não entendemos ou quando a dúvida, por menor que seja, nos assalta. E tal característica, obviamente, também é uma verdade em relação a Deus. Há quem se autoanule e diga não!

Sendo assim, aproveito a oportunidade para exercitar o que acabo de afirmar. Qual é a lei que diz que o ser humano não pode questionar o Criador? Quando foi que Deus proibiu suas criaturas de o questionarem? Quem o ouviu fazer tal afirmação? Teria Deus algum prazer especial em relação àqueles que emudecem frente às próprias dúvidas?

Parece-me impossível – posso estar enganado! – que alguém vivo e mentalmente são não tenha feito, em algum momento da sua vida, aos menos alguns poucos questionamentos acerca de ou a Deus. O que dizer daquelas situações em que nos descobrimos sós ou com todas as portas cerradas, literalmente perdidos, refletindo sobre a vida e sobre nossos problemas, e, sem compreender certos fatos, questionamos Deus com um simples “Por que eu?” ou “Se tu és justo, por que permitiste tal injustiça?” É razoável acreditar que a maioria de nós já teve tal experiência. E sabe o porquê? Porque somos totalmente humanos, não somos deuses, não conhecemos todas as coisas e, por conseguinte, ansiamos por descobrir a razão do encoberto e o oculto que nos atormenta.

Eventualmente a diferença entre nós – sem nenhuma pretensão deste sempre aprendiz da realidade, pois tudo é apenas fruto das nossas experiências pessoais –, é que alguns questionam em silêncio, no seu íntimo, e eu externo as minhas ansiedades e dúvidas. Talvez alguns de nós, compreensivelmente, tenham medo de Deus, o tirano incutido em suas mentes, que não aceita ser questionado e castiga os que ousam fazê-lo.

Talvez essa percepção equivocada seja fruto da educação que muitos de nós recebemos, pois, apesar das diferentes vertentes cristãs religiosas em que fomos criados, tivemos, neste aspecto da religião, isto é, como relacionar-se com o divino, mais ou menos a mesma educação cristã. Felizmente, ou quem sabe infelizmente – mais uma vez posso estar enganado – eu vislumbrei, tal qual Saulo de Tarso no caminho de Damasco, uma luz que, ao contrário do apóstolo, não criou escamas nos meus olhos, fê-las caírem, e me livrou de certas amarras que tolhiam ou freavam a minha capacidade de pensar e, consequentemente, de descobrir o que de fato é a vida real e não as distorções dessa realidade, às vezes dura. Todavia me parece mais saudável enfrentar essas verdades duras do que satisfazer-me com fantasias consoladoras.

No entanto, amigo, se você se sente bem assim, sem externar seus questionamentos acerca de ou a Deus, continue com suas convicções, não atente para as minhas ponderações, pois na vida o mais importante para muitas pessoas é somente aquilo que lhes faz bem e lhes transmite paz, ainda que, às vezes, apenas o fruto da própria imaginação.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Predador e presa

Por Saulo Alves de Oliveira

Quando eu vejo o ataque de um predador a uma presa – por exemplo, uma alcateia (um grupo de lobos) perseguindo um caribu (ou rena) –, eu sempre torço pela presa.

A questão dramática é: como predador e sua prole sobreviverão se todas as investidas do predador forem frustradas?

A cadeia alimentar, que é algo natural, é chocante e perturbadora para mentes mais sensíveis.

(Quando saboreamos um bife no almoço, muitos de nós não temos noção do que o “dono” daquele pedaço de carne passou para que nós o tivéssemos ali em nossa mesa.)

Na realidade, a culpa não é do predador que não tem consciência do mal que inflige à presa.

Predador e presa evoluíram assim.

Se há culpa ou, talvez seja um termo melhor, responsabilidade por essa selvageria certamente é de quem os fez - predador e presa - assim.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Um questionamento sem resposta?!

Por Saulo Alves de Oliveira

Existe um questionamento que me persegue há muito tempo e, lamentavelmente, não sei se um dia encontrarei a resposta.

Eu posso simplificá-lo na forma abaixo.

Por que muitas crianças, certamente a grande maioria em todo o mundo, nascem em extrema pobreza, crescem e vivem na miséria e morrem na miséria?

Por que algumas crianças, certamente uma pequeníssima parcela em todo o mundo, nascem em berço de ouro, crescem e vivem na extrema riqueza e morrem com todo o luxo e conforto que o dinheiro pode proporcionar?

E sempre que eu me questiono assim, uma outra pergunta vem logo em seguida: Quem ou o quê determina essa chocante dicotomia?

Detalhe: ninguém tem o direito de escolher se quer ou não vir ao mundo e em qual família gostaria de nascer.

domingo, 27 de outubro de 2019

Qual é a sua reação?

Por Saulo Alves de Oliveira

Imagine-se dirigindo o seu carro novo - ar condicionado, direção elétrica, outros recursos especiais e todo o conforto que o seu dinheiro pode comprar - numa manhã chuvosa e fria ou num final de tarde de um dia quente e sufocante.

Imagine que você está passando na frente de um ponto de ônibus lotado de trabalhadores.

Ao ver aquela cena, qual é a sua reação?

- Você agradece a Deus, dizendo: “Graças te dou, meu bondoso Pai, pelo carro que me deste - às vezes mais de um -, que proporciona a mim e a minha família todo o conforto, segurança e rapidez nos nossos deslocamentos. ”

- Você pensa: "Por acaso nós somos melhores do que eles e se o temos é porque merecemos. ”

- Ou você pergunta a Deus: “Por que eu e uma pequena parcela da sociedade somos agraciados com um patrimônio tão importante e útil para nossas vidas e as vidas dos nossos familiares, enquanto milhões de trabalhadores, a grande maioria do povo, têm de enfrentar tanto sofrimento, na sua luta diária pela sobrevivência, em ônibus ou trens superlotados e sufocantes? ”

terça-feira, 1 de outubro de 2019

E você, o que faria? Obedeceria a Deus ou não?

Por Saulo Alves de Oliveira

A minha vida de formação cristã evangélica sempre foi ligada, desde criança, à leitura ou estudo da Bíblia. Todavia, a partir de um certo momento, algumas histórias bíblicas tornaram-se bastante incômodas para a minha mente acostumada a ouvir “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre”, então eu passei a questioná-las. Dentre as histórias mais controversas encontra-se a do quase sacrifício de Isaque pelo próprio pai, o patriarca Abraão.

É muito difícil aceitar com naturalidade que o Deus transcendental, que criou todas as coisas, descesse a esse nível tão humano, mas humano dos tempos em que a barbárie era a regra, a ponto de pedir o sacrifício, isto é, o assassinato de um ser humano.

Se você tem alguma noção da grandeza do Universo, com seu número incomensurável de estrelas, planetas, galáxias e outros elementos extraordinários ou fenomenais que o compõem, como buracos negros, pulsares, estrelas de nêutrons, supernovas etc. talvez você chegue à mesma conclusão.

Para se ter uma ideia da grandeza do Universo, segundo os cientistas o diâmetro do Universo observável tem cerca de 93 bilhões de anos-luz. O ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, isto é, 9,5 trilhões de quilômetros. Isso quer dizer que se fosse possível você se deslocar pelo Universo observável à velocidade da luz você faria uma viagem que duraria cerca de 93 bilhões de anos. Multiplique 93.000.000.000 x 9.500.000.000.000 é você terá uma ideia da distância em quilômetros a ser percorrida em sua viagem, para nós terráqueos, impossível.     

Segundo o relato bíblico, Deus resolveu testar a fé de Abraão. E assim pediu que o velho patriarca assassinasse seu filho Isaque, oferecendo-o em sacrifício ao próprio Deus.

Como Abraão assassinaria seu filho a pedido do próprio Deus? Cortando-lhe a garganta com uma faca afiada e deixando-o sangrar até à morte? Talvez. Cravando-lhe um punhal em seu coração? Talvez. E depois queimando seu corpo inerte sobre uma fogueira? Certamente, pois a lenha lá estava. E foi levada com essa intenção. Na caminhada até o monte, sem saber que seria assassinado e depois queimado em holocausto, o inocente Isaque pergunta: “Meu pai, eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”  

O objetivo era testar se Abraão realmente o temia e se sua fé era suficientemente grande para fazê-lo executar qualquer coisa em obediência a Deus, ainda que um ato tão bárbaro e chocante como o que lhe fora solicitado.

Por mais perturbador que possa parecer, Abraão aceitou, pacificamente, e sem nenhum questionamento, executar o próprio filho. Abraão foi até o final do experimento e só não concretizou seu intento porque foi interrompido no último instante. Não há nenhum absurdo em se afirmar que, moralmente, Abraão matou seu filho Isaque.

Vendo recentemente um documentário sobre a Bíblia que tratava, dentre outros assuntos, sobre aquele episódio, eu fiquei a meditar: “O que eu faria se estivesse no lugar de Abraão?”

Bom, eu cheguei à seguinte conclusão: se Deus me pedisse para sacrificar meu próprio filho – na realidade, qualquer outra pessoa –, eu tentaria argumentar até às últimas consequências contrariamente, como o próprio Abraão fez previamente no episódio da destruição de Sodoma e Gomorra. Todavia, se o Senhor insistisse em testar a minha fé dessa forma tão brutal, a minha resposta definitiva seria “não”, mesmo que isso implicasse qualquer prejuízo pessoal.

E você, o que faria? Obedeceria a Deus e assassinaria seu próprio filho?

sábado, 14 de setembro de 2019

Providência? Coincidência? Ou ciência?

Por Saulo Alves de Oliveira

Há exatos dezoito anos e três dias ocorreu o ataque ao World Trade Center, Nova Iorque, EUA. O episódio ficou conhecido como o “11 de Setembro”, pois se deu no dia 11 de Setembro de 2001.

Muitas coisas ainda não foram esclarecidas em relação àquela tragédia. Por ocasião do fatídico e lamentável acontecimento, quase 3.000 pessoas perderam suas vidas. Há quem afirme que foi um autoataque. Para mim não será nenhuma surpresa se um dia tal versão for comprovada.

Hoje eu tomei conhecimento que 248 funcionários de origem israelense não foram trabalhar naquele dia. Salvaram-se todos.

Providência? Coincidência? Ou ciência?