quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Muito obrigado Doutor

Depois de ler ou escutar certos comentários, eu me descubro refletindo acerca de temas como este ou assemelhados.

Dia desses eu estava pensando...

Há uma atitude no meio cristão que eu não consigo assimilar muito bem.

Como qualquer ser humano, os cristãos adoecem, passam por graves problemas de saúde, vão aos médicos, se submetem a exames nos laboratórios, tratam-se nos hospitais, se submetem a cirurgias, tomam medicamentos e se recuperam. São curados das doenças.

Depois, dão graças a Deus e às orações dos irmãos de fé e dos seus familiares. E a história termina por aí.

Quem abriu o tórax do cardíaco e colocou uma ponte de safena, salvando sua vida? Quem extraiu o apêndice inflamado que poderia tê-lo matado? Quem retirou aquele cálculo do ureter que tanta dor causava (experiência própria), sem precisar cortá-lo?

Nem sequer uma só palavrinha sai dos seus lábios em agradecimento aos doutores e aos hospitais que cuidaram deles.

Afinal de contas eles não ficaram em casa esperando apenas pelos céus! Ou ficaram?

Eu vejo isso constantemente nos púlpitos das igrejas evangélicas. A medicina é relegada a segundo plano, quando não esnobada.

Aqueles que julgam a medicina de pouco valor e não lhe dão o devido crédito deveriam ficar em casa apenas orando, contorcendo-se em dores.

Saulo Alves de Oliveira

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os pastores mais ricos do Brasil

Revista Forbes divulga nomes dos cinco pastores mais ricos do Brasil. Clique aqui para saber quem são eles.

Entretanto, penso cá com meus botões, todos são apenas milionários, em dólares, é verdade. Já em reais é outra coisa, pelo menos um... Mas, coitados! Ainda estão longe de chegar à casa dos “bi” na moeda do Tio Sam. Somente um está pertinho de chegar lá. Talvez o mais famoso.

Eu acho, no entanto, que eles não “obrigam” ninguém a dar. Os fiéis dão de livre e espontânea pressão psicológica. Acho até que os membros das suas igrejas devem dar mais e mais dízimos e ofertas. O que ainda é pouco, pois eles precisam chegar à casa dos "bi". Então que venham os trízimos, quatrízimos... novízimos... Comprem mais livros, bíblias, cds, dvds, revistas e jornais de suas editoras; comprem muitas e muitas toalhinhas ungidas, fronhas ungidas, óleo ungido, água “benta” etc; associem-se; ofertem com cartão de crédito, de débito, cheque especial, façam empréstimos junto aos bancos, doem seus próprios bens; tudo isso para ajudá-los a aumentar os seus patrimônios, pois eles precisam viver bem e confortavelmente. Afinal, são “grandes homens” de Deus e não de Mamon.

Jatinho particular, carrões importados – é bom que sejam blindados, vai que o anjo toscaneje –, mansões em praias e no campo, fazendas, apartamentos nos melhores lugares etc. Eles não estão tirando muitas almas do poder de Satanás? Então merecem todas as regalias que o fiel comum não tem. Se o preço é esse, tudo bem.

Ganhar muito dinheiro lhes permite ter uma vida muito boa, confortável e, consequentemente, toda tranquilidade para trabalhar, viajando só de jatinho particular e morando em luxuosas mansões, pois assim viverão muitos anos mais e terão mais tempo para dedicarem à “obra” de Deus (?).

E os pastores das outras igrejas, inclusive da Assembléia de Deus, apareçam nos meios de comunicação para defendê-los, pois eles só estão ajudando a transformar o Brasil numa nação evangélica. Não é o sonho de todos os pastores? Isso não é bom para o país? Não interessam os meios, não é verdade? 

Um desses... desses... desses... bom, é melhor eu não citar a palavra que me veio à mente. Um similar americano, que gosta de derrubar os incautos (eu vi um deles aqui em Natal há alguns anos), em uma entrevista para um documentário chamado “Milagres”, exibido no canal Discovery a tempos atrás, deu uma resposta bem esclarecedora. Quando lhe questionaram sobre o fato dos recursos da maioria dos pregadores provirem de pessoas humildes – e muitas em sérias dificuldades financeiras – em contraste com a opulência demonstrada por esses pregadores, ele respondeu:

"Embora eu receba um bom salário e more com conforto, embora eu voe em um avião particular, quero lhe explicar por que faço assim. Se eu não voasse em um avião particular, logo estaria esgotado. Então é um benefício, vou durar mais tempo. Serei mais produtivo para o reino de Deus... Não vejo nenhum problema no modo como angariamos os fundos. A maioria só doa porque acha que Deus os está levando a doar, não porque alguém pediu."

Quanto cinismo!

É isso, meus amigos. Se o povo quer assim, o que é que se pode fazer?

Talvez o poder público devesse intervir nesse verdadeiro mercado da fé, como Jesus fez no templo. Aí com certeza os crentes vão dizer que é perseguição religiosa. E os porta-vozes do protestantismo vão bradar que “O Diabo quer barrar o crescimento do evangelho no Brasil”.

E eles, os “forbianos”, serão os primeiros a gritar, especialmente um que se destaca pelo destempero verbal e pelos gritos histéricos contra seus desafetos. Você também?

O interessante é que eles sabem usar a Bíblia direitinho para atingir seus objetivos. É lamentável que a Bíblia dê margem a tantas interpretações oportunistas. E eu sempre me pergunto: por que, se é a Carta de Deus?

Saulo Alves de Oliveira

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Parece que não há limites para leviandades (*)

Eu sou um otimista. Apesar dos crentes de um modo geral afirmarem que só se deve confiar em Deus, eu ainda acredito no ser humano.

Acredito que o Brasil ainda será um país melhor, com menos corrupção, menos (ou sem) miséria, sem fome, com boas escolas públicas, com melhor assistência médica etc.

Para minha tristeza, no entanto, em certos momentos esse meu otimismo parece querer dar um passo atrás. Alguns seres humanos me causam essa frustração. Existem pessoas totalmente irresponsáveis. Talvez a palavra correta seja mesmo levianas. E lamentavelmente nem sempre são pessoas de menor responsabilidade social. Às vezes são pessoas que deveriam ser exemplo para os outros, como os pastores.

Se você não gosta de alguém, de um partido político ou de uma determinada instituição, você pode criticá-los por isso, é seu direito. Felizmente, como não querem alguns que amam entregar o seu destino e o destino da Nação nas mãos de uma só pessoa ou de um pequeno grupo, como é o caso das ditaduras, nós vivemos em uma democracia. Agora divulgar notícias falsas, que denigrem imagens de pessoas ou instituições, sem saber nem quais são os interesses escusos que há por trás, é de uma indignidade sem tamanho.

Um dos alvos preferenciais no momento é o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente.

Há alguns meses divulgaram uma capa falsa da revista Forbes informando que o Lula era uma das pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna de cerca de U$ 2 bilhões de dólares.

Recentemente divulgaram uma capa falsa da revista Veja com uma imagem do Lula chorando. A manchete é a seguinte: “Interpol descobre desvio de mais de U$ 500 bilhões em paraíso fiscal em nome de 18 integrantes do PT”.

(Eu sei que a revista Veja teria o maior prazer em dar essa notícia. Certamente seus membros e muitos dos seus leitores iriam ao delírio).  

E quem repercutiu essas notícias falsas? Pasmem: um pastor! De quem menos se esperaria tal atitude, quaisquer que sejam suas convicções políticas. Tal pastor é rápido para divulgar qualquer notícia negativa envolvendo Lula ou o PT, e na ânsia para desacreditá-los comete o que eu classifico de pecado da leviandade.   

Ele sabe que não é assim que se deve proceder. Eu não vou citar versículos bíblicos para justificar minha opinião, não é preciso, pois qualquer pessoa que tem a cidadania correndo em suas veias sabe como se deve proceder. Antes de divulgar qualquer informação, deve-se checar se a notícia é verdadeira ou falsa, mormente quando agride a integridade moral de alguém ou de uma instituição. É o básico da responsabilidade social e do bom caráter.

Eu não estou defendendo o Lula. Não estou dizendo que o Lula é inocente de quaisquer acusações. Eu estou usando o seu exemplo porque ele está em evidência. Porém, isso vale para qualquer pessoa em qualquer situação.

Eu pessoalmente não gosto de alguns partidos políticos e de alguns de seus membros e neles jamais votarei. Acho mesmo que alguns são corruptos e que trabalham por outros interesses, os quais não são os interesses da Nação. Todavia, nem por isso eu vou forjar ou repercutir notícias acusando-os sem provas. Isso é de uma indignidade sem tamanho. É, no mínimo, prova de um caráter duvidoso. É disputar com Maquiavel quem vence o campeonato da baixeza moral.    

Saulo Alves de Oliveira

Em tempo: se você quiser ver quem forjou a capa da Veja, vá ao Facebook e digite “Política e Ética” em Pesquise pessoas, locais e coisas. Por incrível que pareça, é isso mesmo, “Política e Ética”. É uma gritante inversão de valores. E o autor dessa baixeza moral afirma cinicamente que é “uma postagem despretensiosa”.

(*) Para usar um eufemismo     

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O massacre em Connecticut

Não raras vezes, meio que estupefato, eu me pergunto: por que a religião às vezes leva pessoas normais, inteligentes e com boa formação cultural, além do fato de serem religiosas, a aceitarem tranquilamente como normais certas ideias tão absurdas?

No dia 14 de dezembro passado, o jovem Adam Lanza, de 20 anos, após matar a mãe em casa, dirigiu-se a uma escola primária na cidade de Newtown, em Connecticut, EUA, e assassinou, a tiros, cruel e covardemente, 20 crianças de 6 e 7 anos, além de 6 adultos, todos inocentes. Depois do ataque, suicidou-se.

Para entender melhor o meu comentário, sugiro clicar aqui e assistir o vídeo “Onde estava Deus no massacre em Connecticut?”.

Em resumo, o que esse senhor está dizendo é que 27 pessoas foram barbaramente assassinadas por que os norte-americanos estão afastando Deus das suas vidas. Ou seja, mais uma vez Deus permitiu que inocentes pagassem por pecados que eles não cometeram, pois certamente Ele poderia ter evitado o massacre.

Inacreditavelmente existe algo ainda pior. Tem alguém que prega que se aquelas crianças morreram daquela forma, foi porque Deus decidiu tirar suas vidas exatamente assim, assassinadas por um louco. Fanatismo e fundamentalismo no mais alto grau. Para não adjetivar esse pensamento de forma mais agressiva.  
 
Se Deus podia evitar e não evitou, seria Ele um sádico que se compraz com o massacre de 20 crianças com idade de 6 e 7 anos, além de seis adultos, em uma escola infantil? Faço questão de ressaltar: crianças de 6 e 7 anos. Ainda que fossem todos adultos, vale a pergunta.

Seria Deus um déspota rancoroso e vingativo que deixa alguém matar (ou seria: manda matar?) pequenos seres humanos que ainda nem sequer sabem o que é o pecado ou a maldade humana?

Aquelas crianças estavam pagando o quê? Quais foram seus crimes? Há coisas que só cabem na cabeça de pessoas doentes ou deformadas por anos de doutrinação equivocada, para usar um eufemismo.

E tudo isso porque o povo norte-americano está se distanciando de Deus! DEUS NÃO TEVE NADA A VER COM ISSO! (Quando se escreve tudo em maiúsculas, é porque a pessoa está gritando)

Nem se todos os norte-americanos fossem ateus, tal episódio teria essa justificativa. Ser crente ou ateu é um direito de qualquer ser humano.

Se não fosse assim, ateus empedernidos como Bertrand Russel, José Saramago, Oscar Niemeyer, e muitos outros, não teriam vivido tanto tempo e morrido em idade avançada e de causas totalmente naturais.

Por outro lado, quantos crentes sinceros morrem em acidentes horríveis ou de doenças as mais terríveis possíveis! Você já parou para pensar sobre isso?

Violência e criminalidade não estão obrigatoriamente relacionadas a crença ou sua falta. Faça uma pesquisa acerca desse tema, talvez você se surpreenda com o resultado.  

Esse crime horrendo, inominável, que chocou todo o mundo, é fruto de uma mente doentia, como tantas outras que andam por aí, e de outros problemas sociais, e do fácil acesso às armas que têm todos os norte-americanos.    

Segundo o UOL Notícias, de 16/12/12:
“O motivo da omissão das principais lideranças políticas americanas é bem conhecido: segundo as sondagens, 73% dos americanos se opõem à qualquer restrição ao porte de armas. Sabe-se também que o número de armas na mão dos americanos passou de 200 milhões em 1995, para 270 milhões nos dias de hoje.
Segundo uma reportagem do "Washington Post", as cifras mostram que a média per capita dos Estados Unidos - 9 armas para cada 10 americanos - é a maior do mundo. No mundo desenvolvido, os EUA tem a segunda mais alta taxa de assassinatos por armas de fogo, inferior somente à taxa do México, atravessado pela guerra dos cartéis de narcotraficantes.”  
Portanto, é quase uma arma de fogo para cada cidadão dos Estados Unidos. São muitas armas, inclusive rifles de guerra, nas mãos dos civis norte-americanos.

Talvez isso explique em parte a ocorrência de tantas tragédias similares naquele país.

Não é apresentando um deus (o “d” minúsculo não foi engano) carrasco e sanguinário que os crentes vão ganhar, para o Evangelho, pessoas que têm a capacidade de pensar e de analisar os fatos. É um enorme engano. Os impressionáveis e mais crédulos, talvez.

O interessante é que esse senhor do vídeo afirma que “Tão logo a tragédia aconteceu, Deus acabou se mostrando sim. Se mostrou na vida de professores que colocaram suas vidas entre o atirador e seus estudantes. Se mostrou nos policiais que correram para a escola sem saber se seriam atingidos por uma saraivada de balas....” 

Pergunto: como isso cabe na cabeça de alguém? Afinal, Deus chegou atrasado?

Sem mais palavras.    

Saulo Alves de Oliveira

domingo, 16 de dezembro de 2012

O julgamento do “mensalão”

Ministro Ricardo Lewandowski
Dizem que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Penal 470, mais conhecida como “mensalão”, condenou alguns réus sem provas. Eu não quero acreditar que os Supremos Ministros seriam capazes de tal façanha. Afinal, nós vivemos em uma democracia, na qual vale o princípio que diz “todos são inocentes, até que se prove o contrário”.

Sei que, devido a longa história de impunidade no Brasil, o que importa, para muita gente, é que pessoas acusadas de corrupção sejam condenadas de qualquer forma, ainda que em detrimento da Constituição Federal. Isso e a falta de consciência da cidadania faz com que grande parte da população não dê a mínima atenção para uma agressão à Constituição – o que é o caso, se é verdade o que dizem do Supremo. Portanto, talvez devêssemos inverter o consagrado princípio do Direito e adotá-lo da seguinte forma “todos são culpados, até que se prove o contrário”.

Ministro Joaquim Barbosa
Eu não sou jurista nem um especialista em leis, mas há quem diga que o julgamento do "mensalão" atropelou a Constituição. Bom, não tenho competência para confirmar ou não tal afirmação.

Essa aberração – se é verdade o que dizem do Supremo – é um precedente muito perigoso, pois um dia pode se voltar contra qualquer um, mesmo aqueles que estão aplaudindo a condenação sem provas. Portanto, devemos tomar muito cuidado, pois, como dizia o velho Maquiavel, “quando se violam as leis por uma boa causa, autoriza-se a sua violação por uma causa qualquer”.

Eu já li vários comentários afirmando que o STF condenou sem provas, entretanto não vou citá-los, pois não sei qual o vínculo dos seus autores com o(s) condenado(s) ou com o Partido dos Trabalhadores. Vou citar apenas a opinião do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello.   

Ao ser questionado pelo site Última Instância acerca do julgamento do “mensalão”, o Sr. Bandeira de Mello afirmou (leia aqui a entrevista completa):
“O mensalão, na minha visão, não era mensalão porque não era mensal. Isso foi a visão que a imprensa consagrou. Em segundo lugar, entendo que foram desrespeitados alguns princípios básicos do Direito, como a necessidade de prova para condenação, e não apenas a suspeita, a presunção de culpa. Além disso, foi violado o princípio do duplo grau de jurisdição.”
Ainda a respeito da violação do duplo grau de jurisdição, o jurista Dalmo Dallari, no artigo A Constituição ignorada (clique para ler todo o artigo), afirmou:
“... por meio da Ação Penal 470, estão sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal, sem terem passado por instâncias inferiores, acusados que não tinham cargo público nem exerciam função pública quando participaram dos atos que deram base à propositura da ação pelo Ministério Público.
(...)
Essa questão foi suscitada, com muita precisão, pelo ministro Ricardo Lewandowski, na fase inicial do julgamento. Entretanto, por motivos que não ficaram claros, a maioria dos ministros foi favorável à continuação do julgamento de todos os acusados pelo Supremo Tribunal. No entanto, a Constituição estabelece expressamente, no artigo 102, os únicos casos em que o acusado, por ser ocupante de cargo ou função pública de grande relevância, será julgado originariamente pelo Supremo Tribunal Federal e não por alguma instância inferior.

No inciso I, dispõe-se, na letra “b”, que o Supremo Tribunal tem competência para processar e julgar, originariamente, nas infrações penais comuns, “o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador Geral da República”. Em seguida, na letra “c”, foi estabelecida a competência originária para processar e julgar “nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente”.

Como fica muito evidente, o Supremo Tribunal Federal não tem competência jurídica para julgar originariamente acusados que nem no momento da prática dos atos que deram base à denúncia nem agora ocuparam ou ocupam qualquer dos cargos ou funções enumerados no artigo 102.

Para que se perceba a gravidade dessa afronta à Constituição, esses acusados não gozam do que se tem chamado “foro privilegiado” e devem ser julgados por juízes de instâncias inferiores.”
Corroborando e colocando mais luz no que disse o Dr. Dalmo Dallari, o advogado criminal Luís Flávio Gomes disse em entrevista ao site Viomundo.com.br (leia aqui toda a entrevista):
“Dos 38 réus da Ação Penal 470, apenas três deles deveriam ser julgados pelo STF; os outros 35, não, pois não têm direito a recurso.

Os que têm de ser julgados pelo STF são os três deputados: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henri (PP-SP). Até por causa do foro privilegiado, já que são parlamentares, têm que ser julgados pelo Supremo e não há nenhum órgão acima. Por isso são julgados uma só vez.

Já os outros 35 tinham de ir para a Justiça de primeiro grau, serem julgados e, aí, prosseguir o processo. É o que nós chamamos de duplo grau de recurso. Só que eles não tiveram direito a isso. O STF lhes negou.”
Falaram os juristas.

Da minha parte, eu percebi algo muito estranho nesse julgamento. Parece que há interesses inconfessáveis por trás das cortinas.

Por que o julgamento foi marcado justamente para coincidir com as últimas eleições? Mero acaso? Pouco provável. Tinha a intenção de interferir nas eleições? Parece que sim, pelo menos era o que desejava o procurador-geral da República, Sr. Roberto Gurgel. Até aí, tudo bem, ele certamente tem partido.

Mas, que ministros da mais Alta Corte do país tenham partido e julguem segundo essa premissa, é inadmissível e desonroso.

Eu sei que ninguém é imparcial, inclusive Suas Excelências, todavia quem não consegue dominar os seus interesses pessoais não merece estar no mais alto grau da justiça de uma Nação. Julguem com Justiça, Senhores Ministros, e sirvam de exemplo para todos nós.  

Outro aspecto muito estranho foi o fato do Sr. Joaquim Barbosa, relator da ação, aguentar as dores em sua coluna até os últimos momentos antes das eleições. Será que foi por puro altruísmo?

Eu gostaria de acreditar que Sua Excelência de modo algum podia viajar para a Alemanha para tratar-se antes das eleições, mas tinha que ser exatamente na semana posterior ao 2º turno.

Portanto, se os atuais membros do STF querem passar para a História como pessoas dignas dos cargos que ocupam, e merecedoras do respeito de toda a nação, deveriam vir a público e esclarecer todos os pontos obscuros do julgamento do “mensalão”, inclusive apresentar as provas utilizadas para condenar determinados réus.  

E por que não? Eles são funcionários do Estado Brasileiro e, em última instância, nós, povo, pagamos os seus salários. E como tais, nos devem satisfação sim.

Os senhores Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski e os demais membros do STF nada são mais do que você ou eu. Não se pode negar sua elevada capacidade intelectual e seu grande saber jurídico. Mais isso não os faz mais nem menos humanos ou seres superiores.    

Os magistrados de nossa Corte Suprema devem ser pessoas de elevada cultura e de notório saber jurídico, pelo menos é o que eu penso, mas em um aspecto são iguais a todos os humanos, são feitos de carne e ossos e, depois de mortos, apodrecerão tal como qualquer ser vivo, do próprio ser humano ao mais insignificante verme, e serão comidos pelos bichos, ou, no máximo, se cremados, virarão pó e cinza, nada mais. Então, por que tanta empáfia e arrogância de alguns?

Senhores ministros e senhoras ministras, Vossas Excelências estão circunstancialmente no STF, não no Monte Olimpo.

Saulo Alves de Oliveira

Obs: Todos os grifos são meus

domingo, 2 de dezembro de 2012

Perguntar a Deus se vai chover!? Parece-me surreal

Eu li no Facebook as seguintes palavras de um conhecido Pastor:
“Certo dia fiz uma Cruzada Evangelística no Estado do Rio de Janeiro, toda Igreja estava preparada para esse grande dia, mas nesse dia ouve uma grande tempestade, muita chuva, mas muita chuva mesmo! Terminou a Cruzada e fui buscar a Deus em oração e lhe perguntei: Deus, por que o Senhor mandou chuva no dia da minha cruzada? Deus respondeu: Meu filho, você é que fez a cruzada no dia  da minha chuva...”

“Obs: Antes de você fazer qualquer coisa consulte a Deus primeiro. Compartilhem...”
Eu penso da seguinte forma: se a chuva tivesse sido apenas uma ameaça, talvez dissessem que sua não ocorrência foi devido à fé ou à oração, mas como ela aconteceu... eis a explicação.

Também não entendi a ligação que o Pastor fez da sua experiência com a sugestão de que “Antes de você fazer qualquer coisa consulte a Deus primeiro”.

Afinal, se nós vamos fazer uma cruzada, ou qualquer outro evento público, daqui a seis meses ou um ano, por exemplo, devemos consultar a Deus se naquele dia vai chover ou vai fazer sol?

Parece-me algo totalmente surreal.

Todavia, será que a deficiência está em mim?

Saulo Alves de Oliveira

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Brasil tem o maior ganho de bem-estar em 5 anos

Entre 150 países, Brasil tem o maior ganho de bem-estar em 5 anos
Fonte: Valor Econômico
Notícia publicada em: 27/11/2012
Autor: Arthur Pereira Filho


O Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico alcançado nos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população. Se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, os ganhos sociais obtidos no período são equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13% da economia.

A conclusão é de levantamento feito pela empresa internacional de consultoria Boston Consulting Group (BCG), que comparou indicadores econômicos e sociais de 150 países e criou o Índice de Desenvolvimento Econômico Sustentável (Seda, na sigla em inglês), com base em 51 indicadores coletados em diversas fontes, como Banco Mundial, FMI, ONU e OCDE.

O desempenho brasileiro nos últimos anos em relação à melhoria da qualidade de vida da população é devido principalmente à distribuição de renda. "O Brasil diminuiu consideravelmente as diferenças de rendimento entre ricos e pobres na década passada, o que permitiu reduzir a pobreza extrema pela metade. Ao mesmo tempo, o número de crianças na escola subiu de 90% para 97% desde os anos 90", diz o texto do relatório "Da riqueza para o bem-estar", que será oficialmente divulgado hoje. O estudo também faz referencia ao programa Bolsa Família, destacando que a ajuda do governo as famílias pobres está ligada à permanência da criança na escola.

Nessa comparação de progressos recentes alcançados, o Brasil lidera o índice com 100 pontos, pontuação atribuída ao país que melhor se saiu nesse critério de avaliação. Aparecem a seguir Angola (98), Albânia (97,9), Camboja (97,5) e Uruguai (96,9). A Argentina ficou na 26ª colocação, com 80, 4 pontos. Chile (48º) e México (127º) ficaram ainda mais atrás.

Foram usados dados disponíveis para todos os 150 países e que fossem capazes de traçar um panorama abrangente de dez diferentes áreas: renda, estabilidade econômica, emprego, distribuição de renda, sociedade civil, governança (estabilidade política, liberdade de expressão, direito de propriedade, baixo nível de corrupção, entre outros itens), educação, saúde, ambiente e infraestrutura.

O ranking-base gerou a elaboração de mais três indicadores, para permitir a comparação do desempenho, efetivo ou potencial, dos países em momentos diferentes: 1) atual nível socioeconômico do país; 2) progressos feitos nos últimos cinco anos; e 3) sustentabilidade no longo prazo das melhorias atingidas.

Como seria de se esperar, os países mais ricos estão entre os que pontuam mais alto no ranking que mostra o estágio atual de desenvolvimento. Nessa base de comparação, que dá conta do "estoque de bem-estar" existente, a lista é liderada por Suíça e Noruega, com 100 pontos, e inclui Austrália, Nova Zelândia, Canadá, EUA e Cingapura. Aí o Brasil aparece em posição intermediária, com 47,8 pontos.

Para Christian Orglmeister, diretor do escritório do BCG em São Paulo, o desempenho alcançado pelo Brasil é elogiável, mas deve ser visto com cautela. "Quando se parte de uma base mais baixa, é mais fácil registrar progresso. O Brasil está muito melhor do que há cinco anos em várias áreas, até mesmo em infraestrutura, mas é preciso ainda avançar muito mais."

Entre os países que ocupam os primeiros lugares nesse ranking de melhoria relativa dos padrões de vida da população nos últimos cinco anos, a renda per capita anual é muito diversificada, indo desde menos de US$ 1 mil em alguns países da África até os US$ 80 mil verificados na Suíça. Além do Brasil, mais dois países sul-americanos - Peru e Uruguai - aparecem na lista dos 20 primeiros. Também estão nela três países africanos que em décadas passadas estiveram envolvidos em guerras civis - Angola, Etiópia e Ruanda - e que nos anos recentes mostram fortes ganhos em relação a padrão de vida. Da Ásia, aparecem na relação Camboja, Indonésia e Vietnã.

Nova Zelândia e Polônia também integram esse grupo. O crescimento médio do PIB neozelandês foi de 1,5%, mas a melhora do bem-estar foi semelhante à de uma economia que estivesse crescendo 6% ao ano. Na Polônia e na Indonésia, que atingiram crescimento médio do PIB de 6,5% ano, o padrão de vida teve elevação digna de uma economia em expansão de 11%.

O estudo também compara o desempenho recente dos Brics - além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - na geração de mais bem-estar para os cidadãos. Se em relação à expansão da economia, o Brasil ficou atrás dos seus parceiros entre 2006 e 2011, o país superou a média obtida pelo bloco em áreas como ambiente, governança, renda, distribuição de renda, emprego e infraestrutura, diz Orglmeister. China, Rússia, Índia e África do Sul aparecem apenas em 55º, 77º, 78º e 130º, respectivamente, nessa base de comparação, que é liderada pelo Brasil.

O desafio brasileiro, agora, é manter esse ritmo no futuro, afirma o diretor do BCG. "O Brasil precisa avançar em quatro áreas principalmente", diz. "Na melhora da qualidade da educação, na infraestrutura, na flexibilização do mercado de trabalho e nas dificuldades burocráticas que ainda existem para fazer negócios no país."

Para Douglas Beal, um dos autores do trabalho e diretor do escritório do BCG em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, embora os indicadores reunidos para produzir o Seda pudessem ser utilizados para produzir um novo índice, esse não é o objetivo do levantamento. "A meta é criar uma ferramenta de benchmarking, que possa fornecer um quadro amplo, com base no qual os governos possam agir."

Veja a íntegra do relatório em www.bcg.com

(Transcrito de http://www.tudofarma.com.br)