quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Carta à minha Neta – O ano bissexto

Por Saulo Alves de Oliveira

Olá Papá,

Tudo bem? Como está na escola? E o caratê, está gostando?

A última vez que lhe escrevi você tinha apenas 5 aninhos. Hoje, você já está com 8 anos.

Desta vez vou tratar de um assunto simples, mas interessante.

Você sabe o que é ano bissexto? Acho que não, não é? Não é uma coisa muito complicada, mas penso que nem todo mundo sabe ou pelo menos não sabe porque foi criado o ano bissexto.

Você sabia que algumas vezes o mês de fevereiro tem 29 dias? É isso mesmo. Durante três anos consecutivos o mês de fevereiro tem 28 dias e no ano seguinte, ou seja, no quarto ano é acrescentado um dia ao mês de fevereiro. E isso tem tudo a ver com o ano bissexto.

No ano em que o mês de fevereiro tem 29 dias acontece o ano bissexto, isto é, em vez de 365 dias o ano tem 366 dias.

E o que finalmente é ano bissexto? Você já deve estar impaciente, hein? 

Nosso planeta Terra dá uma volta ao redor do Sol – a esse movimento chamamos de translação – a cada 365 dias e 6 horas, aproximadamente, e não apenas a cada 365 dias, como consideramos normalmente. Todos os anos, portanto, o ano civil tem uma defasagem de 6 horas a menos em relação ao ano solar, isto é, ao ano real. E essa diferença vai se acumulando ano após ano. 

Isso quer dizer que após 4 anos há uma diferença total de 24 horas (24 h = 4 x 6 h), ou seja, de um dia.

Por esse motivo, a cada 4 anos é feita uma correção e o ano passa a ter 366 dias, acrescentando-se um dia ao mês de fevereiro. Portanto, o ano bissexto é exatamente esse ano em que é feita a correção.

Há quem relacione o ano bissexto com as histórias de Josué e Ezequias, personagens bíblicos. Segundo a Bíblia, nos dias de Josué o Sol “parou” por quase um dia inteiro e no tempo de Ezequias o Sol “retroagiu” por cerca de 40 minutos, o que, somando-se, daria 24 horas. Se fosse esse o motivo, a correção teria sido feita apenas uma vez e não a cada 4 anos. Portanto, tais fatos nada tem a ver com o ano bissexto.

Além disso, os episódios ocorridos nos tempos de Josué e Ezequias estão em desacordo com as leis da Física. São uma questão de fé. Sobre isso conversaremos pessoalmente mais tarde.

Bom, estou quase terminando minha querida Papá, mas há um complicador em relação ao ano bissexto. E tal fato mostra também que as histórias daqueles personagens bíblicos nada tem a ver com essa questão.

Na realidade, o ano solar não tem exatamente a duração de 365 dias e 6 horas, mas sua duração é de 365 dias 5 horas 48 minutos e alguns segundos. Portanto, o ano bissexto é cerca de 11 minutos maior do que o ano solar. Então, ao longo dos séculos essa diferença também vai se acumulando. Por esse motivo, a cada 100 anos, ou seja, nos anos múltiplos de 100 é feita uma outra correção. Dessa forma, os anos múltiplos de 100 (1700, 1800, 1900, 2100...), e que não são múltiplos de 400 (1600, 2000...), não são bissextos.     

Acho melhor parar por aqui, não é Paola?

Até a próxima carta.

Um beijo do seu avô,

Saulo

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Corrente da Oração de Ana¹

Por Saulo Alves de Oliveira

No grande templo, Maria esperava sua vez na fila. Ela, o marido e um bebê de poucos meses.

O bispo, pastor – ou seria apresentador? –, com seu jeito matreiro e muito bem ensaiado de outros “shows”, vai chamando um a um os fiéis.

Finalmente chegou a vez de Maria.

– Qual o seu nome?, pergunta o apresentador.

– Maria, responde a fiel.

– Conte o seu milagre Maria, diz o avatar de sacerdote.

“Eu tenho 10 anos de casada e durante 9 anos tentei e não consegui engravidar. Então participei da ‘Corrente da Oração de Ana¹’ e aqui está o resultado.” Maria aponta para uma criança de meses nos braços do marido ao lado e, em seguida, a toma para si.

Aí o apresentador faz a maior festa. E diz: “Está vendo pessoal, a ‘Corrente da Oração de Ana¹’ é muito forte e resolve mesmo a situação de qualquer mulher que não pode engravidar”. 

– Vá em paz Maria, diz-lhe despedindo-a, e chama o próximo da fila.

Maria mentiu? Não, exatamente. Ela simplesmente omitiu. E para o avatar de sacerdote o que interessa mesmo é só essa parte da história.

E o que Maria omitiu?, alguém pode estar se perguntando. Os 6 anos de intenso tratamento médico que ela fez para engravidar e que finalmente dera resultado. Na realidade, a criança que Maria tomou em seus braços nada tem a ver com a “Corrente da Oração de Ana¹”. Aquela criança é tão somente o resultado de um longo e sério tratamento médico que, felizmente, transformou em realidade o sonho de uma mulher que queria ser mãe.

Se você já ouviu alguma história parecida não é simples coincidência.

“Corrente da Oração de Ana¹” pode ter qualquer outro nome, como, por exemplo, óleo consagrado aos pés do monte Sinai, água do rio Jordão, pano disso ou pano daquilo, toalhinha da bênção... e por aí vai.     

¹Quem não conhece a história talvez não entenda porque “Corrente da Oração de Ana”. Segundo o relato bíblico, Ana foi uma mulher que não podia ter filhos e que, após orar e chorar no templo do Senhor, engravidou e teve um filho, ao qual pôs o nome de Samuel – I Sm. 1.1-28.  

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Que tal fazer uma nova serpente de bronze?

Por Saulo Alves de Oliveira

Eu tive uma ideia. Já faz algum tempo. Mas só agora vou revelar pra vocês. Acho que é uma brilhante ideia (sic).

Não sei porque alguém ainda não a colocou em prática. Se eu fosse o “dono” de uma dessas igrejas que espalham crendices por aí colocaria tal ideia em prática imediatamente.

Algum de vocês tem acesso fácil ao Sr. Edir Macedo, da Igreja Universal? Então leve pra ele a sugestão abaixo.

Já que foi construído o “Templo de Salomão” e confeccionada uma nova “Arca da Aliança”, dentre outros símbolos do Antigo Testamento, por que não fazer uma nova “serpente de bronze”?

Já que a Universal gosta tanto de mistificar coisas e também símbolos do Velho Testamento, ele poderia mandar fazer uma nova “serpente de bronze” e colocá-la sobre uma haste no “Templo de Salomão”. Poderia colocar também réplicas nos outros megatemplos que ele tem por todo o Brasil.

Então, ao olharem para a “serpente de bronze”, as pessoas serão curadas, receberão carros, casas, empregos, empresas, muita prosperidade, etc. O céu é o limite do sucesso.

“Entendeu pessoal?”

A base para isso está lá no livro de Números 21.8: Então disse o Senhor a Moisés: “Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido [por serpentes] que olhar para ela viverá”.

E como justificar a “serpente de bronze” nos nossos dias? É fácil, fácil. O diabo é a grande serpente que “morde” o povo e o leva à morte espiritual e material.

Agora digam ao Sr. Edir Macedo que se apresse, pois se o Sr. Valdemiro Santiago tomar conhecimento primeiro pode ser que ele chegue na frente. 

domingo, 28 de junho de 2015

Não me peça para imitar você

Por Saulo Alves de Oliveira 

Já que nós vivemos num Estado Democrático de Direito você tem todo o direito de admirar, ser fã ou discípulo, ter como referência, gostar do que diz e faz o Sr. Silas Malafaia, pois ele está se revelando um “excelente” exemplo, não só para os evangélicos mas para todos os brasileiros, porém por favor não me peça para imitar você.     

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Um pensamento sobre a morte de Jesus

Ou seria uma simples especulação sem o menor sentido?

Por Saulo Alves de Oliveira

Certo dia eu conversava com alguém sobre a morte de Jesus. Então me veio à mente a consideração a seguir.

Por mais que Jesus tenha sofrido e por mais importante que tenha sido seu objetivo, Ele morreu com a certeza de que três dias depois voltaria à vida.

Será que existiu ou existe algum ser humano que, por uma Grande Causa – por exemplo, acabar com a fome no mundo ou com toda a dor e todo o sofrimento –, se submeteria voluntariamente à morte sabendo que três dias depois voltaria à vida?

A resposta é um “talvez”.

Não sou eu, evidentemente.

Fim do pensamento.   

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Divagando sobre Lúcifer

Por Saulo Alves de Oliveira

Em que estou pensando?

No personagem chamado Lúcifer.

Bom, não é exatamente “em que estou”, mas em que eu estive pensando tempos atrás.

Eu realmente não entendo certas decisões de Deus. Por mais que eu me esforce não consigo compreender a mente do Senhor. Minha capacidade intelectual – ou seria minha pequena capacidade espiritual? – não alcança a mente do Todo-poderoso. Talvez me falte bagagem teológica e intelectual para compreendê-lo. Parece que meu rádio espiritual está tão fraco que não consegue sintonizar as “ondas” emanadas do Senhor. 

Num passado remotíssimo, pelo menos segundo alguns estudiosos, Deus criou Lúcifer, perfeito – “Tu eras o selo da perfeição...” (Ez. 28:11-19). Entretanto, não sei quanto tempo depois, Lúcifer rebelou-se contra o próprio Deus e a partir daí tornou-se o inimigo número um do Senhor, e também o responsável por todo o caos que se instalou na criação, pelo menos na Terra.

Então eu me pergunto: “Se Deus sabia antecipadamente todo o mal que Lúcifer causaria, por que o criou?” Se quero enfrentar este tema não tenho como fugir a esta pergunta.

Vejo duas alternativas, sem prejuízo de outras que possam ser apresentadas:

Primeira, o Senhor criou Lúcifer com o propósito de ele ser exatamente o que é, porquanto Ele, o Senhor, é onisciente e onipotente. (Julgo que não preciso entrar em considerações acerca do significado destes dois adjetivos.) Não vejo outra saída, pois Deus não pode ter sido apanhado de surpresa. De qualquer forma, para mim é uma conclusão perturbadora, isto é, admitir que Deus criou Lúcifer intencionalmente.

Segunda, Deus não tinha conhecimento de que Lúcifer se rebelaria, portanto foi surpreendido pelos acontecimentos. Admitir, porém, que Ele não sabia é uma conclusão ainda mais perturbadora. Suas implicações são terrivelmente perturbadoras. É admitir que Deus não é Deus.  

Uma coisa é certa: se eu fosse Deus não o teria criado. 

Bom, vou continuar pensando acerca deste tema provocativo e, ao mesmo tempo, intrigante.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Por que, meu Deus?

Por Saulo Alves de Oliveira

Às vezes eu me descubro pensando acerca de fatos muito perturbadores relacionados à vida.

É evidente que eu não estou a todo momento refletindo sobre uma situação específica. Entretanto, algumas circunstâncias vistas ou vividas assopram as cinzas do meu cérebro e atiçam o fogo trazendo à memória determinado fato.

Imaginem a seguinte realidade do nosso mundo.

Todos os dias nascem centenas de milhares de crianças em toda a Terra. Vou tomar duas dessas crianças, as quais denominarei Sofia e Maria, que nasceram exatamente no mesmo dia.

Como todos nós, Sofia e Maria não tiveram a opção de dizer se queriam ou não vir ao mundo, muito menos de escolher os pais ou a família que queriam ter.

Sofia, não por sua culpa, nasceu em “berço de ouro”. Família extremamente rica, capaz de lhe oferecer todas as comodidades do mundo moderno. Conforto, boa alimentação, excelentes escolas, carros, mansão, roupas de grifes famosas, viagens, diversos empregados à sua disposição... e por aí vai.

Sofia terá uma vida de luxos até o fim dos seus dias, às vezes sem tomar o menor conhecimento do que é realmente a pobreza em todas as suas facetas mais terríveis.

Maria, também sem culpa alguma, nasceu sem ao menos ter um berço para ser deitada e protegida do frio. Família extremamente pobre, incapaz de lhe oferecer o mínimo necessário para sua sobrevivência. Sem nenhum conforto, alimentação precária de vez em quando, escola pública precária – quando tem e quando os pais têm o mínimo de consciência da importância da educação –, deslocamento a pé ou em ônibus superlotados, casebre na favela, roupas?, só quando uma alma caridosa dá, viagens?, empregados?, nem sonhando... e por aí vai.

Maria terá uma vida de miséria até o fim dos seus dias, sem ter a menor chance de experimentar o que realmente a riqueza pode proporcionar a uns poucos sortudos das castas mais altas dos agrupamentos humanos.

Duas vidas que não escolheram nascer, com histórias totalmente antagônicas. 

E daí vem a pergunta perturbadora que me incomoda há muito tempo: por que, meu Deus?

Os espíritas vêm com a justificativa de que se paga nesta vida por erros de vidas passadas, até se atingir, em outras supostas vidas, um estágio espiritual elevado. Para mim, uma explicação que não convence, posto que, se fosse assim, as pessoas pagariam por algo que nem sequer têm consciência de que cometeram. O princípio do castigo que pode mudar alguém é pagar pelo erro do qual tem consciência.

Os cristão apresentam a justificativa de que se paga nesta vida por erros próprios ou dos primeiros pais, Adão e Eva. Também tenho muita dificuldade de ser convencido por essa justificativa. Crianças não podem pagar por erros que não cometeram, pois os pequeninos são inocentes. Além disso, ninguém, seja criança ou adulto, deve pagar por erros que foram cometidos num passado remotíssimo, há milhares de anos, por outras pessoas. O princípio do castigo que pode mudar alguém é pagar pelo seu próprio erro e do qual tem consciência.

Portanto, para este – de certa forma – atrevido ser humano, que está entre a pobreza extrema e a riqueza extrema, talvez mais próximo daquela do que desta, permanece a pergunta: por que, meu Deus?           

Talvez haja uma resposta definitiva para essa injustiça que nada tem a ver com Deus.