quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O mal está apenas na alma humana?

Por Saulo Alves de Oliveira

A existência do mal é algo que muito me incomoda.

Refletindo sobre o mal eu imaginei duas famílias de animais na savana africana. Um leopardo fêmea com seus filhotes e uma impala com sua cria.

A mãe leopardo precisa matar a impala para se alimentar e assim produzir leite para alimentar seus filhotes, e dessa forma perpetuar seus genes e sua espécie. O leopardo ataca a vítima sufocando-a com uma mordida no pescoço, inflingindo-lhe grande sofrimento. Primeiro vem o medo, em seguida a tentativa desesperada de fugir das garras da fera e, finalmente, a morte por sufocamento.

Do ponto de vista do leopardo, trata-se de um grande bem para si e seus filhotes, não há dúvida. Se não fora assim, tanto a mãe quanto os filhotes morreriam de fome.

E do ponto de vista da impala, um bem ou um mal? Sem sua mãe, sua protetora, com certeza o filhote de impala não sobreviverá. Certamente morrerá de fome ou devorado por outro predador. A Natureza é assim, cruel e implacável com os fracos, velhos ou doentes.

Alguém já disse que a Natureza não é cruel, mas apenas indiferente ao sofrimento.  

Não é porque é uma "lei de Deus" ou uma lei natural que deixa de ser um mal. Animais matando-se uns aos outros para sobreviver, e às vezes com requintes de crueldade.

Certa vez eu vi em um programa de TV dois filhotes de guepardo, talvez por inexperiência, devorando uma jovem gazela ainda viva, mordendo e rasgando a parte traseira do animal que não tinha forças para fugir.

A cadeia alimentar é uma das coisas mais terríveis e injustas que a Natureza já produziu, pois impõe muita dor e sofrimento aos seres vivos sem o consentimento destes. E isso, na minha ótica, também é o mal.

Talvez se o filhote de impala pudesse falar ele dissesse que o mal não se encontra apenas na alma humana.  

E aí vem uma outra questão das mais importantes: tudo isso é muito mais compatível com o evolucionismo do que com um ato criador de Deus.

Por que a vida não sobrevive de seres inanimados, como as rochas, por exemplo? Por que não alimentar-se diretamente dos elementos ou substâncias químicas que compõem a Natureza, evitando-se assim tanto sofrimento desnecessário?

Se eu fosse Deus teria adotado essa solução.

Existe algum exemplo disso? Sim, o espetacular caso da água. "Comemos" ou ingerimos o precioso líquido sem causar sofrimento a nenhum ser vivo.

sábado, 1 de novembro de 2014

Realidade ou delírio?

Por Saulo Alves de Oliveira

Não se pode afirmar que uma pessoa está mentindo quando ela diz que viu, ouviu ou sentiu algo que somente ela viu, ouviu ou sentiu. Refiro-me a fatos extraordinários que fogem ao racional. Se se trata de alguém conhecido pelo seu caráter honesto, certamente não está mentindo.

No entanto, não temos nenhuma obrigação de acreditar que algo é real se não nos forem apresentadas evidências convincentes de que o que foi visto, ouvido ou sentido não é simplesmente fruto da mente humana, isto é, do medo, de uma autossugestão ou tão somente delírios de um fanático.

A mente humana pode nos fazer ver, ouvir ou sentir coisas que não são reais.

Anõezinhos atrás das portas, duendes nos jardins, sonhos ou visões aterradoras do inferno, testemunhos fantásticos de coisas incomuns, vozes e vultos estranhos, e por aí vai.

Estando sozinho em casa, especialmente à noite, você já teve medo ou pavor de alguma coisa que pensou ser real e depois constatou que simplesmente não passava de fruto da sua imaginação?

Certa vez um senhor contou que estava internado num hospital e viu um anjo de branco entrar em seu quarto para curá-lo. O interessante é que ele estava no hospital exatamente porque havia se submetido a uma cirurgia. Por que o anjo não o curou em casa sem que precisasse ser operado? Parece que muitas vezes Deus precisa de uma “mãozinha” do médico.

Não é difícil alguém, ainda sob efeito da anestesia ou de algum outro medicamento sedativo, confundir um médico vestido de branco que entra em seu quarto de hospital com um ser angelical, especialmente se em sua mente os anjos são uma realidade.

Eu não posso afirmar categoricamente que ele não viu um anjo, nem posso afirmar que estava mentindo, mas posso dizer que a evidência de que ele realmente viu um anjo é muito frágil e, para mim, pouco convincente.         

Experiência pessoal.

Quando eu tinha meus doze anos de idade tive de dormir sozinho em uma sala onde havia um quadro com o rosto de uma pessoa que já havia morrido há algum tempo. Ao olhar para o quadro eu “percebia” que os olhos me acompanhavam. E isso me deixou assustado.

Felizmente meus pais sempre foram compreensivos comigo e me socorreram.

Onde estavam aqueles olhos que se moviam? Apenas na minha mente, é óbvio. 

Desculpem-me os muito crédulos, mas para mim é simples assim.

Conte-me histórias fantásticas, mas apresente-me provas fantásticas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A aposta de Pascal

Por Saulo Alves de Oliveira

Um amigo, de confiança, me contou que leu na revista Seleções uma conversa entre um repórter e o famoso pastor norte-americano Billy Graham. O Sr. Graham é considerado por muitos como o maior pregador evangélico do século XX. Hoje, aos 95 anos, o famoso evangelista ainda vive nos EUA.

O repórter fez a seguinte pergunta: “Dr. Billy Graham, o senhor vive como se o céu existisse, e se o céu não existir?” Resposta do pregador: “Eu perdi tudo”. 

Aí Billy Graham diz: “Eu posso lhe perguntar uma coisa?” O repórter responde: “Pode sim”.

Pergunta o Sr. Graham: “E se o céu existir?” Respondeu o repórter: “Então eu é que perdi tudo’’. 

E arremata o meu amigo: “É assim, Saulo, conflito é o que não falta. Mas também contamos com bons dividendos desta nossa Fé... É meditar um pouco sobre isto.”

Todavia, a conversa entre o Sr. Billy Graham e o repórter, não me parece, ressalvadas outras considerações que me fogem no momento, algo honesto ou racional, sobretudo sob a ótica de um Deus que tudo sabe.

Alguém que crê em Deus apenas pelo risco de que ao final Ele realmente exista e assim ficará bem na “foto”, isto é, será digno da sua aprovação, não me parece nada honesto.

Tal argumento lembra muito o que chamam de “A aposta de Pascal”.

Blaise Pascal foi um físico, matemático, filósofo e teólogo francês, cristão, que viveu no século XVII. Ele morreu em 1662 aos 39 anos. Em seu livro “Pensamentos” ele expõe a ideia a seguir.

“A aposta de Pascal” é mais ou menos sintetizada da seguinte forma: “Se Deus existe, o crente ganha tudo (o céu) e o descrente perde tudo (ganha o inferno). Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto, há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus.”

Eu penso que esse argumento só tem valor para um deus que não é onisciente, que pode ser enganado pelas suas criaturas. Assim, o ser criado poderia supor o seguinte: “Eu realmente não creio em Deus, pois não vejo evidências da sua existência, porém vou apresentar-me como um crente [crente com o significado de ‘aquele que crê na Divindade’], isto é, vou fingir que creio, assim o Criador há de me recompensar com o céu”. Certamente Deus conhece o caráter e o íntimo das pessoas – ou não? – e sabe se e quando elas estão jogando com essa possibilidade.

Acreditar ou não em Deus, não é uma simples questão de opção.

Acreditar em Deus é algo muito mais profundo. É acreditar que Ele existe porque nada pode existir sem um criador. Esse raciocínio, entretanto, pode levar a uma regressão infinita do tipo “se nada pode existir sem um criador, quem criou o Criador?” Alguns respondem com uma resposta tola e que nada explica: Deus é um ser incriado. Melhor seria admitir nossa ignorância e responder “não sei”.

Acreditar em Deus pode ser uma questão de doutrinação na infância, daquilo que foi incutido na mente pelos pais ou pela religião, uma questão de fé. Lembra daquela historinha em que um padre diz: “Dê-me uma criança e eu a farei um cristão pelo resto de sua vida?”

Não acreditar em Deus pode ser uma questão de não encontrar explicações para coisas incompatíveis com um Deus onipotente e onisciente, como é a questão do mal.

Não acreditar em Deus pode ser uma questão de não encontrar evidências para sua existência.

Acreditar ou não em Deus não é algo que se diz apenas da boca para fora, mas é algo que está lá dentro, no mais profundo do centro das emoções, que não é apenas o material, é o intangível. 

Não posso crer em Deus pensando nesta dupla possibilidade: “Se Ele existe, eu ganho; se Ele não existe, eu nada perco”. As coisas não são assim tão simples. Afinal, crer em Deus não é como jogar uma moeda e aguardar, após a morte, se vai dar cara ou coroa. Não se joga dados com Deus.

Julgo que um ateu sincero, convicto, que não crê em Deus porque não vê evidências da sua existência, está numa posição mais confortável – se Deus realmente existe, isto é, fazendo uso do argumento de Pascal – do que um crente dissimulado, que crê apostando na possibilidade de “enganar” o Deus que tudo sabe.

sábado, 4 de outubro de 2014

Por que muitos crentes estão “marinando”?

Por Saulo Alves de Oliveira

Eu tenho a impressão de que – posso estar totalmente enganado, admito –, parece que um dos motivos porque muitos crentes estão se mostrando tão animados com a possível eleição da Marina é a expectativa de que, caso ela ganhe a eleição, passe a governar o Brasil com a Constituição de um lado e a Bíblia do outro.

(É claro que há muitos outros motivos, como, por exemplo, o ódio visceral ao PT, como se todos os milhões de petistas formassem uma legião satânica, o que não me cabe aqui questionar.)

Eu também tenho a impressão de que algumas pessoas não sabem o que é um Estado laico. Estado laico é o Estado que não é nem ateu nem religioso, isto é, não privilegia nenhuma religião em detrimento de outra, e nem o ateísmo ou a falta de religião.

A propósito disso, eu pergunto para os evangélicos de um modo geral, se bem que nem estes se entendem quanto à interpretação da Bíblia:

1. Se por acaso elegêssemos um presidente da república muçulmano, você concordaria que ele tomasse decisões baseadas no Alcorão para governar o Estado brasileiro?

2. Se o eleito fosse um judeu, você concordaria que ele tomasse decisões baseadas na Torá, ou mesmo somente no Velho Testamento, estabelecendo, por exemplo, a proibição quanto ao consumo de carne de porco?

3. Se fosse o caso de uma presidente da república adventista do 7º dia, você concordaria que ela tomasse decisões baseadas na lei mosaica, estabelecendo, por exemplo, que o dia semanal de descanso passasse a ser, obrigatoriamente, o sábado para todos os brasileiros?

4. Ou se elegêssemos uma testemunha de Jeová, você concordaria que ela mandasse para o Congresso Nacional um projeto de lei proibindo, para todos os brasileiros, a transfusão de sangue em quaisquer situações? Para quem não sabe, essa proibição é baseada na interpretação que eles fazem de textos bíblicos.

E assim eu poderia citar várias outras religiões ou crenças, como os católicos, os espíritas, os cultos afros, etc.

É claro que um presidente da república pode se basear em textos bíblicos, desde que estes textos contenham “regras” ou “mandamentos” universais, isto é, que sejam aceitos pacificamente em todo o mundo. Exemplo clássico: amar ao próximo como a si mesmo. Agora, impor regras específicas de uma religião para todo o povo brasileiro é algo inviável e irracional. Aquilo que é específico de uma religião, que seja praticado na sua igreja, no seu templo, na sua mesquita, na sua casa e na sua vida particular, não no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional, nas repartições ou escolas públicas.

Não entender isso é contribuir para que o Brasil se transforme em uma Nação onde grupos religiosos se digladiem e se agridam por conta de suas convicções religiosas. E, lamentavelmente, parece que alguns pastores, pessoas inteligentes e com boa formação intelectual, estão, irresponsavelmente, incentivando essa perigosa experiência.

Há até alguém fazendo uma associação de Marina com os juízes do Velho Testamento, como se Deus fosse levantar a “juíza” Marina para converter todo o povo ao cristianismo, “evangélico”, ressalte-se.      

O interessante é que eu fiz as duas primeiras perguntas acima a um amigo e ele disse que eu estava sendo fundamentalista. Sinceramente, não entendi.

O Brasil é uma democracia, com suas muitas falhas e algumas virtudes. Ainda não conseguimos acabar com a miséria e com a grande concentração de riqueza nas mãos de uns poucos. Devemos lutar para que os ricos fiquem menos ricos e que não haja pobreza e miséria em nosso País.

Que ninguém ganhe menos que X, sendo X o salário capaz de proporcionar a uma família média as condições de viver com toda a dignidade. E que, em quaisquer situações, ninguém ganhe mais do que 10X, 20X... ou seria 30X? Não sei. O que sei é que é preciso estabelecer um padrão de ganhos mínimo e máximo para todos os seres humanos, deem a isso o nome que julgarem melhor.      

O Brasil é uma democracia, apesar dos saudosistas da ditadura. E é bom que continue assim.

Todos temos o direito de votar em quem julgamos seja o melhor para o País, ainda que errando. Marina, Aécio, Dilma... Só não podemos correr o risco de misturar política com religião, sob pena de voltarmos ao obscurantismo dos tempos medievais ou seguirmos o exemplo de alguns países do oriente onde, neste momento, religião e política se confundem numa verdadeira barbárie.       

“Marinar” faz parte do “jogo” democrático, assim como “dilmar” ou “tucanar”. O que não faz parte é achar ou pensar que Marina, se eleita, vai empunhar a Bíblia como a “espada” do Espírito e liderar os “cruzados” evangélicos, evidentemente, para livrar o Brasil dos “hereges” das outras crenças ou sem crenças.            

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Às vezes o silêncio é a melhor resposta

Por Saulo Alves de Oliveira
“Não respondas ao tolo segundo a sua tolice, para que também não te faças semelhante a ele.”  Rei Salomão 
Eu já ouvi ou li várias vezes alguém afirmar o seguinte: “O silêncio de Deus também é resposta”. Evidentemente, eu não concordo com essa ideia.

Ninguém escuta a voz própria de Deus em um diálogo cara a cara ou conversa olhando diretamente nos seus olhos para perceber a sua expressão de silêncio, característica daqueles que se calam diante de um questionamento ou de uma agressão verbal.

Acho que é apenas uma forma da pessoa encontrar, e dar aos outros, conforto ante os problemas da vida e assim enfrentá-los com resignação. Tem algum valor? Certamente. Para mim, entretanto, não passa de autoajuda.

Depois de muito tempo – às vezes anos e anos se passam, em alguns casos, décadas mesmo – quando, e se, o problema for resolvido, então foi Deus. Se nunca for resolvido, ou se o desfecho for trágico, também foi Deus, pois “Ele sabe o que é melhor para mim”. Assim, a pessoa se conforta ao passar pelos embates naturais da vida, e se resigna com qualquer situação.

Mas, deixa isso pra lá. Na verdade, eu quero falar sobre outro silêncio.     

Ninguém é obrigado a concordar com a visão de mundo ou com as ideias de qualquer outra pessoa, porém acho que as regras da boa convivência, da boa educação, todos devem respeitar. Isso chama-se civilidade. Grandeza de espírito.

Às vezes você posta algo na internet ou emite uma opinião e determinadas pessoas são tão indelicadas e deseducadas nos seus comentários que parecem convidar você para uma briga verbal. Se você responder no mesmo nível, talvez perca uma amizade. O mais lamentável é que parece que para tais pessoas isso não faz a menor diferença.

Nesses casos, aí sim, eu acho que o silêncio é a melhor resposta.

Todavia, acho que aqui vale também uma outra sugestão do rei Salomão, aparentemente contraditória em relação à destacada no início deste breve comentário. Cabe a mim e a você interpretá-las e fazer o uso correto dos dois conselhos.
 “Responde ao tolo segundo a sua tolice, para que ele não seja sábio aos seus próprios olhos.”

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Você obedeceria a qualquer ordem de Deus?

Por Saulo Alves de Oliveira

Ele era o rei de uma grande nação, a mais poderosa da Terra. Era o general do mais forte dentre todos os exércitos do mundo. Entretanto, também era um crente sincero em Deus. Todo o seu povo também era temente a Deus.

Existia, naquele tempo, um outro povo que não cria no Deus do grande rei. Era um povo pecador e suas práticas pecaminosas afrontavam a Deus.

Certo dia o rei afirmou: Tive uma revelação divina e Deus me disse:

- Eis que o pecado daquele povo ultrapassou todos os limites e por isso resolvi destruí-lo.

- Vai, pois, e mata todo o povo, todos os homens, mulheres e crianças.

- Do recém-nascido ao ancião, todos serão eliminados.

- Em tudo que há fôlego de vida, do ser humano ao animal, exercitarás o meu juízo, eliminando-os sem piedade.

- Destruirás e queimarás todos os seus bens, todas as suas casas e plantações.

- Também destruirás e fecharás todas as suas fontes de água.

- Cumprirás rigorosamente as minhas palavras de tal modo que aquele povo jamais volte a existir, edificando novas casas e novas plantações.

- Transformarás aquela gente em pó como a poeira que se dissipa no deserto, para que as gerações futuras nem sequer tenham conhecimento da sua existência passada.

- E Eu te abençoarei ainda mais se fizeres o que hoje te ordeno.

Na realidade, nunca soube se o rei cumpriu ou não a ordem de Deus.

Então, quando lembro dessa história eu me pergunto: "Se eu fosse aquele grande rei, o que eu faria? Obedeceria a ordem de Deus ou não?"

Bom, depois de refletir um pouco eu cheguei à seguinte conclusão: eu faria algumas ponderações com o objetivo de demovê-Lo de tal propósito, mas, se Ele insistisse, minha resposta seria "não".

E você, qual seria a sua atitude?   

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O Deus antropomórfico

Por Saulo Alves de Oliveira

De vez em quando ouço alguém afirmar que quem desafia a Deus ou blasfema morre tragicamente. Aí citam os exemplos de John Lennon, Tancredo Neves, Cazuza e outros mais.  

Eis o que dizem das três personalidades citadas nominalmente:

JOHN LENNON: Alguns anos depois de dar uma entrevista a uma revista americana, disse: “O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso, eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo. (1966)”

No dia 8 de dezembro de 1980 um homem chamado Mark Chapman sacou um revólver e disparou cinco vezes contra Lennon, dos quais quatro tiros acertaram o ex-Beatle, matando-o.

TANCREDO NEVES: Na ocasião da campanha presidencial, disse que se tivesse 500 votos do seu partido, nem Deus o tiraria da presidência da República. Os votos ele conseguiu, mas o trono lhe foi tirado antes de tomar posse.

Em 1985 Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil pelo voto indireto de um colégio eleitoral, entretanto, em 14 de março daquele ano, dia anterior à posse, adoeceu gravemente e não pode assumir o cargo. Faleceu no dia 21 de abril do mesmo ano. 

CAZUZA: Em um show no Canecão, no Rio de Janeiro, deu um trago em um cigarro de maconha, soltou a fumaça para cima e disse: Deus, essa é para você! Nem precisa falar em qual situação morreu esse homem.

No dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos, Cazuza morreu de complicações causadas pela AIDS. 

(Uma observação: não faço nenhum julgamento acerca das citações ou comportamentos das três personalidades referidas acima. Diz-se até que não há provas das palavras atribuídas a Tancredo Neves.)

Antes de qualquer conclusão precipitada, é importante analisar as evidências a fim de verificar se certas proposições são falsas ou verdadeiras.

Para isso, faço os seguintes questionamentos:

1 – Todas as pessoas que blasfemam ou desfiam a Deus morrem invariavelmente de forma trágica?

Se a resposta é sim, há uma forte evidência de que a proposição inicial é verdadeira. Se a resposta é não, há uma forte evidência de que a proposição inicial é falsa.

2 – Todos os crentes tementes a Deus morrem invariavelmente de forma natural e nunca tragicamente?

Se a resposta é sim, há uma forte evidência de que a proposição inicial é verdadeira. Se a resposta é não, há uma forte evidência de que a proposição inicial é falsa.

Para que a proposição inicial seja indiscutivelmente verdadeira é fundamental que as respostas às duas perguntas sejam sempre “sim”. Todavia, essa não é a realidade dos fatos. Basta apenas que você faça uma retrospectiva honesta dos casos de acidentes trágicos que você conhece. Crentes e ateus, blasfemos ou não, morrem ou de modo natural ou de forma trágica, indistintamente.

Portanto, meus amigos, gostaria de lhes dar uma sugestão, mas se vocês não concordarem, tudo bem, continuem fazendo a mesma coisa.

Parem com essa ideia tola de divulgar que quem desafia a Deus ou blasfema ou não crê em Deus morre tragicamente. As pessoas morrem porque todos os seres humanos morrem, de forma natural ou trágica.

Eu poderia citar exemplos de pessoas que viveram toda a sua vida combatendo a crença na existência de Deus, e algumas até de forma contundente e agressiva, e tiveram uma vida longa, chegando próximo ou ultrapassando os 100 anos e morreram segundo o curso natural da vida. Enquanto isso, crianças que nem sequer sabem quem é Deus estão morrendo todos os dias de forma trágica e dolorosa.

Não se deixem levar por crenças sem sentido. Não acreditem em algo simplesmente porque satisfaz sua crença e lhes faz bem.

Sinceramente, a impressão que eu tenho é que o Deus de certas pessoas é um ser antropomórfico, ranzinza, irritadiço, sem nenhum controle emocional e, sobretudo, vingativo, talvez um dos piores sentimentos humanos.