quarta-feira, 6 de maio de 2020

Tudo pode ser questionado

Por Saulo Alves de Oliveira

Na Ciência não há verdades absolutas, tudo pode ser questionado.

Imagine a Teoria Científica mais importante...

Imaginou?

Pensou na Teoria da Gravidade, de Isaac Newton? Na Teoria da Relatividade, de Albert Einstein? Na Teoria Quântica, dos alemães Werner Heisenberg e Max Born, dentre outros? Na Teoria do Big Bang, proposta inicialmente pelo físico e padre belga Georges Lamaître? Ou ainda na Teoria da Evolução, de Charles Darwin?

Todas essas Teorias podem ser questionadas.

Se uma nova Teoria explicar melhor um determinado fenômeno físico ou natural, a velha Teoria é abandonada e a nova toma o seu lugar, até que eventualmente novos conhecimentos levem ao surgimento de uma Teoria ainda melhor.

Um conhecimento científico ou uma teoria científica podem mudar? Sim, desde que alguém apresente evidências que contrariem o que está estabelecido. Tais evidências serão examinadas por toda comunidade científica e, se confirmadas, uma nova “verdade” reinará.

Um exemplo. Há décadas houve uma grande discussão entre os cientistas que defendiam um Universo estacionário, eterno e imutável, e os que defendiam um Universo com início no Big Bang e em expansão. O próprio Einstein, pelo menos no início, defendia a primeira ideia. A segunda hipótese, entretanto, foi a vencedora, pois todas as evidências apontavam para isso.

O maior defensor do Universo estacionário foi o físico e astrônomo britânico Fred Hoyle, que nasceu em 1915 e morreu em 2001 sem dar o braço a torcer. Foi Hoyle quem criou o termo “Big Bang” em 1949 de forma pejorativa. Todavia, para seu desgosto, o termo pegou e hoje é a expressão que dá nome à mais importante Teoria que explica o surgimento do Universo há cerca de 13,8 bilhões de anos.

E assim a Ciência vai corrigindo-se. Talvez seja a única área do conhecimento humano que tem essa virtude de corrigir-se a si próprio.

Essa é a beleza fantástica do conhecimento científico. Ninguém, absolutamente ninguém é o dono ou dona da verdade.

A Ciência É, certamente, a mais bela e fantástica experiência do conhecimento humano.

domingo, 19 de abril de 2020

O pastor ou o discípulo?

Por Saulo Alves de Oliveira

Muitos de nós já experimentamos uma coisa chamada ingenuidade ou, dizendo de outra forma, já fomos ingênuos ante algum aspecto ou situação que vivenciamos, especialmente na primeira fase das nossas vidas, talvez algo até por volta dos vinte e poucos anos. De acordo com uma definição do dicionário ingenuidade é “credulidade excessiva”. Eu diria que é acreditar sem questionar ou, talvez uma definição melhor, é acreditar sem duvidar.

Ingenuidade é o inverso da sagacidade, que é a qualidade daquele que não se deixa enganar facilmente. É a qualidade do sagaz, do astuto. A sagacidade de uns poucos, todavia, se revela em idades bem precoces. Estes certamente não são tão afetados pela ingenuidade ainda que em idades menores. Porém, esse não foi o meu caso.

Alguns vão até mais longe na sua ingenuidade. É provável que momentos ou mesmo fases de ingenuidade deem o ar da sua graça ainda na vida adulta de muitas pessoas.

Por ingenuidade ou – quem sabe? – como decorrência das fantasias incutidas na minha cabeça – incutidas por alguém ou algo, ressalte-se! –, eu, na minha adolescência, pensava que todos os pastores eram pessoas sérias e comprometidas com a verdade, com aquele tradicional ensinamento “sim, sim; não, não”. Quanta tolice de um jovem adolescente!

Talvez fosse pelas referências que eu tinha dos meus pais desde a minha infância e de alguns outros.

(Lamentavelmente, alguns desses outros me decepcionaram na minha maturidade. Ou melhor, eu descobri o que eles sempre foram.)

Todavia, com o passar dos anos, eu comecei a perceber que as coisas não eram bem assim. Infelizmente, hoje eu tenho certeza que não são exatamente assim.

Felizmente, porém, eu também tenho certeza que ainda há pastores sérios, só que eu não sei qual é a porcentagem dos pastores sérios e qual é a porcentagem dos canalhas. Mas aí já não há nenhum prejuízo para este quase ancião. A vida é exatamente isso, as pessoas são assim, queiramos ou não, gostemos ou não. Só nos resta aceitar e seguir em frente.

Eu espero que a porcentagem daqueles seja bem maior que a destes.

E há pastores canalhas?, pergunta meu interlocutor.

Não tenho a menor dúvida!

Na sua opinião, um pastor que mente ou divulga mentiras é exatamente o quê? Um santo?  

E quanto aos padres?, mais uma vez meu interlocutor.

Eu não convivi com padres, mas, com base em algumas notícias que já ouvi, não deve ser muito diferente.

E, para arrematar: se um pastor, sem o menor escrúpulo, divulgar uma mentira, já vi vários casos, e o seu discípulo curtir e compartilhar, quem é o canalha, filho da escuridão?

O pastor ou o discípulo?

Ou seriam os dois?

terça-feira, 7 de abril de 2020

A resposta correta é o “x” da questão

Por Saulo Alves de Oliveira

Suponhamos que você está fazendo uma prova sobre a história dos judeus e se depara com a seguinte questão:

– Leia com atenção o texto abaixo e responda a pergunta a seguir.

"Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas… Em segundo lugar, suas casas também deveriam ser demolidas e arrasadas… Em terceiro, seus livros de oração e Talmudes deveriam ser confiscados… Em quarto, os rabinos deveriam ser proibidos de ensinar, sob pena de morte… Em quinto lugar, os passaportes e privilégios de viagem deveriam ser absolutamente vetados aos judeus… Em sexto, eles deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem [cobrança de juros extorsivos sobre empréstimos]… Em sétimo lugar, os judeus e judias jovens e fortes deveriam pôr a mão na debulhadeira, no machado, na enxada, na pá, na roca e no fuso para ganhar o seu pão no suor do seu rosto… Deveríamos banir os vis preguiçosos de nossa sociedade … Portanto, fora com eles… Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus."

Na sua opinião, quem é o autor das palavras acima?

1 – Adolf Hitler

2 – Heinrich Himmler

3 – Saddam Hussein

4 – Martinho Lutero

5 – Osama bin Laden

Resposta: resolva esse simples sistema de equações do 1º grau e encontre o valor de x. Por mais perturbador que possa parecer o valor de x é o número da resposta correta.

x   +   y =   6
2x + 3y = 14

sexta-feira, 3 de abril de 2020

O pastor, o vírus e os chineses

Parece mentira, mas não é.

"Meu Deus, oro para que todos os vírus (Covid 19) sejam recolhidos de todo o mundo e sejam colocados sobre os oitenta milhões de chineses do partido comunista chinês."

Li estarrecido.

Acreditem, essa é a postagem-oração (sic), literal, apenas com algumas correções de português, de um pastor da Igreja Batista, publicada recentemente no Facebook.

Não se trata de um jovem pastor imaturo e levado pelos impulsos irrefletidos da juventude. Não! Absolutamente não!

Trata-se de um ancião com seus setenta e poucos anos, já com décadas de pastorado e aconselhamento.

Custa crer que esse ministro está menos para o Mestre da Galileia do que para Pedro, que, sacando da espada, arremeteu contra Malco, servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe uma orelha. Acho que Pedro mirava mesmo a cabeça do rapaz, o qual, movendo-se rapidamente, livrou a cabeça, mas perdeu a orelha. Tal fato aconteceu por ocasião da prisão de Jesus no lugar chamado Getsêmani. Conta-nos a Bíblia no Evangelho de Lucas que Jesus, tocando-lhe a orelha, o curou. O que seria tal cura? A orelha cortada deixou de sangrar e/ou cicatrizou imediatamente? Jesus restituiu a orelha, fazendo surgir instantaneamente uma nova no lugar? Ou ele pegou o pedaço decepado e o pôs no lugar e o “colou”? Não sei a resposta.

Evidentemente, várias pessoas o criticaram, inclusive eu.

E ele, confirmando que tinha consciência do mal que estava desejando, fez questão de citar o Salmo 137, versículo 9: "Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras". É intrigante que se use a Bíblia para respaldar qualquer ideia ou atitude, seja boa ou má.

Acho que, para certos pastores, alguns bem conhecidos e famosos, outros nem tanto, o “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam...” está totalmente fora de moda. É fácil cumprir esse mandamento? Não, não e não! Então, pastores hipócritas!, por que assumir o cajado para o qual não estais preparados? Resposta: alguns, talvez, somente pelo alimento do deus Mamom. Existe um pastor que frequentemente aparece na TV ou internet, especialista em cara feia, com trejeitos de mal, que gosta de gritar pensando que assim convence ou intimida.

Não vou fazer mais comentários, apenas direi que esta é uma evidência do mal que o fanatismo pode fazer à cabeça de alguém que, aos olhos de todos, é uma pessoa do bem.

Acho que não preciso dizer quais são as convicções políticas desse senhor e de quem ele é um fervoroso defensor.

Tirem suas próprias conclusões.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O capitão e a impala

Por Saulo Alves de Oliveira

Imaginem que um antílope africano conhecido como impala está muito próximo de uma plantação de algo tipo capim-elefante.

De repente, ela percebe, a poucos metros, um leve barulho e uma ligeira movimentação do capim.

O que a impala deve fazer?

1) Aguardar para ver se é apenas o vento balançando o capim ou se é um tigre ou leopardo movimentando-se por entre as hastes da vegetação;

2) Sair em disparada do local.

Digam ao capitão que no caso do coronavírus a segunda opção é sem dúvida a correta, aquela que manda a prudência, a atitude do capitão responsável.

sábado, 21 de março de 2020

Estado laico? SIM!

Por Saulo Alves de Oliveira

Pregação e oração se faz em casa ou no Templo;

Missa se faz em casa ou na Matriz;

Passe se faz em casa ou no Centro;

Incorporação se faz em casa ou no Terreiro;

Leitura da Torá se faz em casa ou na Sinagoga;

Salat (nome que se dá às cinco orações diárias) se faz em casa ou na Mesquita.

O Estado brasileiro, as repartições federais, estaduais e municipais e as escolas públicas não são locais para práticas religiosas.

O Brasil é um país laico, portanto quem estabelece o que o cidadão brasileiro pode ou não fazer é a Constituição e as demais leis.

Não é a Bíblia.

Não é o Catecismo.

Não é o Evangelho Segundo o Espiritismo.

Não é a Tanakh.

Não é o Alcorão.

Os ensinamentos dos livros sagrados ou religiosos devem ser vistos como obrigações pessoais e de foro íntimo e jamais devem ser impostos a todos os cidadãos.

Por que é tão difícil para os fiéis dos diversos credos entenderem esse aspecto tão importante da vida nacional?

Porque, convencidos de que são possuidores da única e verdadeira fé, sentem-se na obrigação de levá-la aos outros a qualquer custo, comprazendo-se inclusive em transformar o Estado e suas instituições em agente de doutrinação, posto que, argumentam eles, somente assim a Nação receberá o beneplácito dos Céus.

segunda-feira, 16 de março de 2020

O inseticida e a barata

Por Saulo Alves de Oliveira

Eu não tenho medo de baratas, mas tenho pavor de ser tocado por esses seres que estão em nosso planeta há muito mais tempo que nós humanos. Tais insetos já estavam na Terra quando nossa espécie chegou por aqui. As baratas já perambulavam entre os dinossauros há cerca de 200 milhões de anos.

Eventualmente aparecem baratas na minha casa. Não sei exatamente de onde elas vêm. Algumas chegam voando ou, em sua maior parte, rastejando. Sempre que isso acontece eu sou chamado a travar a "batalha" contra as baratas.

Eu não costumo esmagá-las contra o chão, sob o sapato ou sandália. Eu sempre uso duas estratégias: jogo-as contra a parede – evidentemente eu não pego o inseto com as mãos, eu uso uma sandália ou uma vassoura para arremessá-lo contra a parede - ou, na maioria das vezes, borrifo inseticida sobre nossas velhas “companheiras”. Alguns minutos depois vejo-as inertes com as patas para cima.

Após a “terrível batalha" eu sempre guardo o pulverizador, a latinha com o inseticida, em um armário. Imagine que um dia eu esqueça a "arma" no chão de casa.

Qual não seria a minha surpresa se ao chegar em casa eu encontrasse um grupo de baratas ao redor do pulverizador, com inseticida, fazendo reverência, curvando-se ante seu algoz, e chamando-o de... m*, m*, m*!

Ah! Deixa pra lá. Acho que até aqui está bom.