sábado, 18 de maio de 2013

Não deixe ninguém decidir por você

Não quero me arvorar como conselheiro de ninguém.

Tampouco pretendo convencer qualquer pessoa a pensar como eu.

Apenas faço comentários ou, no máximo, sugestões, fruto de observações, reflexões e de um aprendizado de vida que, se não tão longa, já passa de meio século, cheia de vales e cristas como as ondas do mar.

Tanto quanto a vida de qualquer ser humano. 

No entanto, eu penso que não se deve tomar como verdade absoluta a palavra de quem quer que seja, inclusive a minha.

Não se deve ter medo de questionar a palavra de qualquer autoridade, seja ela política, jurídica ou religiosa.

Não é por que um líder religioso ou mesmo um grupo de líderes decidiu algo que você deve aceitar passivamente como verdade inquestionável.

Não tenha medo de questionar e de pensar por si próprio.

Ouça com respeito, tente descobrir sempre os interesses envolvidos – podem ser elevados, mas também podem ser subalternos –, reflita com liberdade, julgue, e depois não tenha medo de tomar qualquer posição, seja contrária ou a favor.

O importante é que a decisão seja sua.

Inunde sua mente com essa ideia libertadora: não deixe ninguém decidir por você. 

Saulo Alves de Oliveira        

sábado, 11 de maio de 2013

Sobre Jean Wyllys

Não conheço pessoalmente o Deputado Jean Wyllys nem conheço todas as suas ideias, quer sejam políticas, religiosas ou morais, mas posso afirmar que não concordo com algumas delas. Apesar disso, não tenho o direito de satanizá-lo ou de inventar histórias falsas a seu respeito.

A internet parece uma terra sem leis onde pessoas sem o menor escrúpulo, mesmo algumas ditas – ressalte-se – “salvas” ou “apaixonadas” por Jesus inventam histórias falsas e as publicam na grande rede. Já vi isso algumas vezes acerca de outra pessoa.

O pior é que pessoas descuidadas – mal intencionadas ou não, não sei dizer – simplesmente repassam a história sem ao menos procurar saber se ela é verdadeira ou não. Parece que o que interessa mesmo é denegrir a imagem do desafeto, com o qual não concordam ou de quem sentem ojeriza, seja verdadeira ou não a notícia.  

Recentemente publicaram várias vezes no Facebook um post afirmando que o Sr. Jean Wyllys em entrevista à radio CBN teria afirmado que “Precisamos abrir nossas mentes. O pedófilo pode ter papel fundamental no desenvolvimento sexual do menino, ensinando uma sexualidade sadia e livre de preconceitos”.

Eu sei que o Sr. Wyllys tem ideias morais controversas, e ninguém tem obrigação de concordar com elas, mas essa me pareceu exageradamente fora de propósito. Não me parecia razoável que ele chegasse a esse nível tão inferior. Então resolvi investigar.

O que descobri? A frase foi forjada por um evangélico que se diz, pasmem, “apaixonado” por Jesus.

Descobri ainda que a própria CBN negou a suposta declaração. Leia aqui o comunicado da CBN.    

Certas atitudes me impressionam e também me deixam assustado. Como pode uma pessoa que se diz “apaixonada” por Jesus, ou “filho” de Deus, forjar uma notícia falsa acerca de alguém e publicá-la na internet sem o menor escrúpulo?

Pode-se chegar a um nível moral mais baixo? É o velho Maquiavel em pleno século XXI.

Na minha opinião, a atitude dessa pessoa está mais para um apaixonado por Susej, filho do Cão dos infernos, pai da mentira.

Só pode ser isso! Uma pessoa que mente intencional e descaradamente só pode ser mesmo parceiro do Príncipe das Trevas.

Lamentável e vergonhosamente, há quem repassa tal notícia sem o menor cuidado e pudor. Tal atitude é, no mínimo, uma enorme irresponsabilidade, se é que quem a repassa o faz somente porque tem antipatia pelas ideias do acusado e não dá a mínima para o fato da notícia ser verdadeira ou não.

Há quem se julga em um elevado patamar moral e de fé para criticar a moral dos outros e não têm o menor pudor ao repassar uma notícia falsa que denigre a imagem de seu semelhante.

Desculpe-me quem assim procede, mas isso é uma enorme indignidade. O mínimo que se deve fazer, antes de publicar qualquer informação, é checar se tal informação é verdadeira, especialmente quando ataca ou agride o caráter moral de quem quer que seja.

Todos temos o direito de não concordar e de criticar as ideias morais, religiosas ou políticas de alguém, porém não temos o direito de divulgar notícias falsas.

Você não gosta de alguém, não compactua com seu comportamento, tudo bem, é seu direito. Então critique-o, mas dizendo a verdade.

Nem um inimigo merece ter informações falsas divulgadas a seu respeito.
 
Eu tenho afirmado que acredito no ser humano, mas sinceramente há momentos em que sou tentado a dar um passo atrás.

Alguém pode me perguntar: você está defendendo Jean Wyllys, o deputado homossexual?

Eu não tenho compromisso algum com o Silas Malafaia nem com o Marcos Feliciano e nem com o Jean Wyllys, mas quanto ao aspecto abordado acima, eu o defendo sim, porque os meus princípios morais me dizem que ninguém deve ser acusado injustamente e a frase atribuída a ele é uma injúria.

Defendo-o da mesma forma que defenderia os outros dois em situação similar.

Saulo Alves de Oliveira

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Não concordo com Marcos Feliciano

O Sr. Marcos Feliciano foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Sinceramente, só tenho a lamentar, mas a regra do jogo é essa, não se pode mudá-la no meio da partida. Eu acho um casuísmo quererem tirá-lo agora.

Mas eu não defendo suas ideias nem tenho nenhuma identificação com muitas das suas atitudes. Os vídeos abaixo esclarecem porque eu não me identifico com suas ideias nem com seus procedimentos.

O primeiro deles mostra a que ponto chega o fanatismo religioso e mostra também o que é não saber dar a outra face, como foi ensinado por aquele de quem ele certamente se diz discípulo. Atente para os 15 segundos finais do vídeo. É uma afirmação mórbida, patológica, e indigna de um Pastor.


O segundo é uma demonstração de que ele não sabe o que é “chorai com os que choram” e é um desrespeito aos parentes das vítimas. Atente para os 15 segundos finais do vídeo. O Deus de Marcos Feliciano está mais para um tirano ranzinza, atacado pela raiva, cheio de rancor e vingativo.


Quanto ao terceiro vídeo, não preciso dizer coisa alguma, é autoexplicativo. Se alguém não se choca com o que ouve e vê, provavelmente é porque aprova a prática oportunista do Sr. Marcos Feliciano bem como a de outros que estão por aí com a visão dos cifrões.


Se você é evangélico e isso não te envergonha...

Você pode não concordar comigo e pode achar também que tudo o que ele diz e faz é certo. Eu só tenho a lamentar por você ter essa percepção. Mas, tudo bem. É seu direito. Ninguém deixará de ser meu amigo por pensar diferente de mim. Eu também espero que as pessoas não me tenham por inimigo por pensar diferente delas.

Saulo Alves de Oliveira 

Dar a outra face? E isso é para os nossos dias?

Ontem à noite eu dirigia meu carro pelas ruas da cidade de volta para minha casa.

No caminho, pensava no episódio Marcos Feliciano versus Jean Wyllys.

De repente, o seguinte pensamento me veio à mente.

Parece que o "...Bendizei aos que vos maldizem... Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra..." ficou só no passado.

As coisas hoje estão mais para "...olho por olho, dente por dente..."

Também, convenhamos, não é nada fácil dar a outra face.

Talvez apenas os de espírito muito elevado se disponham a praticá-lo.

E são muito poucos.

Será que eles realmente ainda existem?

Eu mesmo – não sou hipócrita –, não cheguei a esse nível, e certamente jamais o alcançarei em toda sua plenitude.

Saulo Alves de Oliveira

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Deus e a seca no sertão

Ao longo da minha vida, eu tenho feito a mim mesmo as mais diversas perguntas.

Para algumas, eu já encontrei respostas.

Há aquelas que ainda estão sendo processadas na minha mente.

E há outras para as quais talvez eu jamais encontre resposta.  

A propósito disso, eu li a seguinte sugestão no Facebook:

“Ore pelas famílias que estão sofrendo com a seca no sertão”.

Existem afirmações que me chamam a atenção e me fazem parar para refletir e questionar a mim mesmo.

Ora-se tanto e há tanto tempo pelo sertão e a seca continua a castigá-lo.

Já não seria o tempo de se ter as orações atendidas?

Em determinado ano, a situação é mais amena.

Já em outro, como este, é desesperadora.

Por quê?

A seca é um fenômeno natural e cíclico, que vem de longas datas.

E se ninguém orar, a situação vai piorar?

Deus está vendo a terra seca, a vegetação esturricada, o gado morrendo de sede e o sertanejo deixando seu torrão natal para não morrer de fome.

E mesmo assim parece que os céus se fecham.

Por quê?

A seca está muito mais para o terreno do que para o divino ou sobrenatural.

Sua solução depende muito mais de nós seres humanos, especialmente dos homens públicos, que sempre tiraram proveito da desgraça e da miséria que vêm desse fenômeno natural, que certamente tem solução. 

Portanto, o que Deus tem a ver com a seca no sertão?
  
Saulo Alves de Oliveira

domingo, 24 de março de 2013

Valores universais ou ditames religiosos?

Quando vem de pessoas que não tiveram a oportunidade de alcançar níveis mais altos de educação formal, é até compreensível. Entretanto, quando vem de alguém de elevado nível intelectual, é, no mínimo, preocupante e causa uma profunda frustração.

Eu me refiro ao fato de alguns cristãos pretenderem impor a Bíblia e os valores cristãos a toda sociedade. Isso pode gerar conflitos muito perigosos e levar o nosso país a se dividir em grupos que, por conta de religião, se agridam até fisicamente. O que seria profundamente lamentável.

É hora das lideranças cristãs sérias refletirem com muito cuidado e não incentivarem os conflitos. Ao contrário. É preciso lembrar as palavras do Mestre dos cristãos: “Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também”. 

Não precisa revidar agressões com palavras grosseiras e sarcásticas para mostrar que “é o tal” e que “não leva desaforo pra casa”. Há um conhecido pastor tão destemperado publicamente que eu temo pelo seu palavreado na intimidade. Parece que ele acha que grito inspira ou impõe respeito – ou seria medo? – nos outros. Só nos tolos. Ao invés de gritar, melhore seus argumentos.

A minha opinião, que de modo algum pretende ser única ou inquestionável, está explicitada no comentário a seguir.

Valores específicos cristãos são para os cristãos, não se pode impô-los simplesmente para os que não o são. Valores específicos espíritas são para os espíritas. Valores específicos católicos são para os católicos. Valores específicos ateus são para os ateus e não para toda a nação formada pelas mais diversas crenças ou não crenças.

Infelizmente, isso é o mais difícil para as pessoas religiosas compreenderem. Elas entendem que se o Evangelho é a suprema verdade – somente para eles, evidentemente – todos têm a obrigação de se submeter a essa verdade. Lamentavelmente nem os cristãos concordam em relação a todos os aspectos doutrinários.

O presidente dos Estados Unidos, Sr. Obama, em um comentário sobre o estado laico, perguntou: “Que passagens das escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas?”.

E eu pergunto: “Os textos interpretados pelos pentecostais ou pelos cristãos tradicionais ou pelos católicos ou pelos neopentecostais ou pelos judeus ou pelos espíritas?”

Pensemos numa situação hipotética, porém não impossível de acontecer. Um cidadão Adventista do Sétimo Dia ganha a eleição para a Presidência da República. Com uma maioria adventista no Congresso Nacional ele poderia impor à nação a guarda do sábado, isto é, o domingo deixaria de ser o dia de descanso, já consagrado há longo tempo, e todos os brasileiros teriam de descansar obrigatoriamente no sábado. Tudo bem pra você? 

Para os adventistas, a guarda do sábado é um preceito para os nossos dias, pois é um mandamento da Lei Mosaica, e está na Bíblia, Palavra de Deus.

Os adventistas também são contrários à ingestão de carne de porco. Imagine uma lei que visasse proibir todos os brasileiros de comerem carne de porco. Você concordaria?

Mulher pode vestir roupa de homem? Dt. 22.5 diz que não. E aí, esse ensinamento é temporal ou atemporal? Mt. 11.13 diz “Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João”, entretanto muitos usam o V.T. apenas naquilo que lhes é conveniente, seja para condenar quando lhes interessa seja para defender quando lhes convêm. Há igrejas que usam Dt. 22.5 para proibir as mulheres de usarem calças compridas.

Em I Tm. 2.9-12, Paulo diz que as mulheres não devem usar tranças, ouro, pérolas ou vestidos custosos e que aprenda em silêncio com toda submissão, pois não permite que a mulher ensine, nem que tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio.

Tal ensinamento de Paulo é para hoje ou não? Alguns encontram uma desculpa para dizer que não se aplica aos nossos dias. Dizem que naquela época as mulheres estavam querendo sobrepujar os homens, daí o ensinamento de Paulo. Só que a Bíblia não afirma isso em lugar algum.

Já eu entendo que Paulo ensinou assim porque essa era sua visão da sociedade de sua época, talvez inspirado na ordem da criação, como ele mesmo faz alusão mais adiante no texto citado. 

E se um grupo fundamentalista assumir o governo e estabelecer que nenhuma mulher pode usar calça comprida nem usar joias ou falar em público? Está tudo bem para você?

Uma outra situação factível. Ganha a eleição para a presidência do Brasil um governante judeu, que não reconhece o N.T. e nem concorda que Jesus é o Filho de Deus. Os judeus só aceitam o V.T., portanto para ele certamente a lei e os profetas não duraram apenas até João Batista e muitas de suas ordenanças são para os nossos dias. E se ele quiser impor ao restante da sociedade suas crenças e seus valores? Aceitamos todos passivamente?

Ainda, imagine que assuma o governo da nossa nação um presidente muçulmano. Os cristãos aceitariam que ele tomasse decisões baseadas no Alcorão em detrimento do que diz a Bíblia? Certamente não. Esse é o “X” da questão.

Observe o seguinte: para o muçulmano, o Alcorão é a palavra de Deus. 

Há muitos outros exemplos que poderiam ser citados, talvez até mais interessantes. Entretanto, os exemplos que eu dei são apenas para mostrar que não se pode governar uma nação tomando como base a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Nem mesmo os cristãos se entendem quanto à interpretação da Bíblia. É claro que ela tem valores muito importantes e atemporais, mas só devem ser usados, no governo de uma nação, quando forem comuns a todos os cidadãos.

Quem governa, governa para todos, inclusive para quem não crê na Bíblia e muitas vezes nem mesmo crê em Deus. Como se pode argumentar com a Bíblia, acerca de questões de interesse público, para alguém que não crê na Bíblia?

Uma nação deve ser governada por valores universais – que podem estar na Bíblia, e certamente muitos estão – não por valores específicos de uma religião ou crença.

Saulo Alves de Oliveira

terça-feira, 12 de março de 2013

O Apocalipse e a ressurreição de João Paulo II

É o que estão prevendo alguns intérpretes do último livro da Bíblia.

Se eu acredito? Bom, tire suas próprias conclusões.

Muitas pessoas creem em coisas absurdas, até mesmo insanas. Até aí, tudo bem. O grande problema é quando elas acham que têm a obrigação de fazer as outras pessoas acreditarem também.

Num vídeo, que pode ser acessado aqui, certo comentarista faz diversas afirmações tomando como base parte do livro do Apocalipse. Para que você possa entender melhor o meu comentário, seria interessante assistir ao vídeo.

Dentre as várias associações que ele faz do Apocalipse com a Igreja Católica, afirmando inclusive que a Igreja de Roma é a grande prostituta de que fala João (Ap. 17.1-7), a que mais me chamou a atenção foi a de que o papa João Paulo II vai ressuscitar. (sic)

Qualquer pessoa é livre para acreditar no que quiser. Eu aprendi, entretanto, que o importante não é acreditar, mas saber a verdade.

Às vezes eu tenho a sensação de que certos pregadores, em suas preleções, ainda que inconscientes, querem fazer seus ouvintes de idiotas. E me vem à mente a seguinte pergunta: será que ele acredita mesmo no que está afirmando? 

Infelizmente a Bíblia dá margem a várias interpretações. Sobretudo tratando-se do Apocalipse, com tantas figuras e símbolos. Se não fosse assim não existiriam tantas igrejas/denominações com doutrinas tão divergentes.

Arrisco-me a dizer que qualquer bom teólogo católico desmontaria toda essa série de interpretações ligando o Apocalipse a fatos relacionados à Igreja Católica. 

Antes, porém, de qualquer tentativa de compreender o último livro da Bíblia, há um fato profundamente complicado que precisa ser previamente esclarecido.

Se os acontecimentos relatados no Apocalipse são para os nossos dias ou para dias futuros, por que João disse que eram “...as coisas que brevemente devem acontecer...”, isto é, eram coisas para o seu tempo? Ap. 1.1,3 e 22.6.

É evidente que alguns estudiosos tentam contornar essa dificuldade.

O autor do livro “O futuro glorioso do planeta Terra” afirma: “O tempo é relativo. (...) um período de mil anos é fugaz perante a eternidade. O Apocalipse encerra uma história que começou com a criação. Embora os acontecimentos narrados cubram um período de dois mil anos ou mais, contudo, quando comparados com a totalidade do tempo, são coisas que em breve devem acontecer”.

Acontece que João estava falando para seres finitos, para os quais o tempo é algo profundamente importante. João falava para seres humanos que certamente jamais interpretariam “brevemente” como 2.000 anos.

Por que, ao invés de “brevemente”, João não citou um número próximo a “2 mil ciclos ou revoluções terrestres”, fazendo referência ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol, mesmo que esse fenômeno não fosse conhecido no seu tempo?

Ou ainda “24 mil revoluções lunares, fazendo referência ao movimento da Lua em órbita da Terra?”

Em ambos os casos o final do período coincidiria com o nosso tempo.    

E continua o autor: “O Apocalipse é uma profecia sobre coisas que ‘em breve devem acontecer’. Isso não significa que todas as coisas, nesse livro, haveriam de ocorrer imediatamente depois que João recebeu a visão. Mas aproximava-se o tempo para o início do desenrolar de uma série de eventos.”    

Foi uma boa tentativa, entretanto não me parece uma explicação plausível para o que João quis dizer. Simplesmente transformar 2.000 anos em “brevemente”, salvo uma inquestionável interpretação escatológica do texto, parece-me um exercício de puro contorcionismo para ajustar os acontecimentos atuais ao Apocalipse.

Eu não estou afirmando categoricamente que o Apocalipse não é para os nossos dias. Estou apenas levantando uma questão fundamental que precisa ser esclarecida previamente, sob pena de prejudicar qualquer interpretação do enigmático livro. 

Por sua vez, essa história do nome de João Paulo II somar 666 também é um enorme contorcionismo para identificá-lo com a besta de Ap. 13.17,18. E as outras letras do nome? Elas não interferem em nada? Meu próprio nome soma 662, por pouco não chega a 666. É claro que existem inúmeros outros nomes que, usando o mesmo critério, somam 666.  Por exemplo, se o meu nome fosse “sauLo geoVano aLVes Da sILVa” somaria exatamente 666.

Ainda segundo o autor do livro já citado: “É surpreendente o número de nomes que, na mão de estudiosos, podem dar como total o número 666. Eis alguns desses nomes: Nero, César, Papa Benedito IX, Maomé, Martinho Lutero, João Calvino, Napoleão Bonaparte”. 

Segundo Kenneth Gentry, teólogo norte-americano, da Igreja Presbiteriana: “Tem sido documentado por descobertas arqueológicas que uma grafia hebraica do nome de Nero, do primeiro século, nos fornece precisamente o valor de 666 [Ele apresenta a grafia que eu não pude reproduzir aqui]. Um grande número de eruditos bíblicos reconhece esse nome como a solução para o problema”.  
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Bom, o interessante e inusitado é que o próprio comentarista, depois de fazer toda a ligação das figuras e imagens do Apocalipse com os dias atuais, não parece ter certeza do que está afirmando. Aos 28 minutos e 22 segundos do vídeo ele faz a seguinte pergunta: “Estaria tudo isso certo? Se estiver, nós estamos diante de uma decisão. Se não estiver, não perdemos nada. Mas se estiver, realmente vale a pena observar a Bíblia...”

Como não perdemos nada? Então ele faz uma previsão profética com base na Bíblia, segundo a sua interpretação e de outros estudiosos, e depois ela não acontece, e ele não perde nada? Afinal de contas, trata-se de uma brincadeira? Então não é algo para ser levado a sério, pois pode acontecer ou pode não acontecer! Se não tem certeza do que está falando, o melhor é ficar calado.

Se João Paulo II não ressuscitar, ou não aparecer, qualquer que seja a forma de sua aparição – é evidente que eu não acredito nisso –, fica o dito pelo não dito? Ele faz essa divulgação tão impactante, que por certo terá uma enorme influência na vida de muita gente, talvez cause até medo nas pessoas, e depois diz que se nada acontecer não se perde nada? É claro que se perde, e muito, no mínimo a credibilidade e o respeito das pessoas, pelo menos o meu, e acredito que o de muitas outras pessoas que têm a cabeça no devido lugar.

Afirmar o que não se tem certeza é, no mínimo, uma enorme irresponsabilidade.

Saulo Alves de Oliveira