terça-feira, 22 de maio de 2012

O Big Bang





        Os pais da teoria do Big Bang





    
             Albert Einstein
            (1879-1955)   
        

Edwin Hubble                                Padre Georges Lemaitre                              George Gamow
          (1889-1953)                                                (1894-1966)                                                        (1904-1968)                                                                

Conforme relatei no comentário anterior, este blog está completando o seu 1º aniversário neste mês de maio. Por este motivo, pensei em postar algo muito especial em comemoração a esta data. Então me veio a ideia de escrever alguma coisa sobre a Teoria do Big Bang, isto é, a teoria científica que melhor explica a origem do nosso Universo.

E por que logo esse tema?, perguntaria alguém. Resposta: porque, de todo o conhecimento humano, esse é um dos assuntos que mais me fascina, porquanto ele trata da origem de todas as coisas.

Inicialmente, convém ressaltar que, quando se fala em teoria científica, a palavra “teoria” não tem o mesmo significado de quando nós a usamos no dia a dia, por exemplo, quando dizemos “eu acho que o carro quebrou e por isso Fulano ainda não chegou”. Ao “achismo” em ciência se dá o nome de hipótese. É claro que em ciência as coisas não são tão simples assim. Em ciência os “achismos” normalmente envolvem pessoas incomuns, mentes brilhantes, muitas vezes gênios, que têm “insights” acerca de como a natureza “trabalha”, entretanto mesmo tais lampejos de genialidade têm de ser confirmados através de experiências ou observações. Mas, nesse nível, as ideias são consideradas apenas hipóteses. Teoria, no entanto, tem um significado mais profundo, pois ela tem de confirmar previsões e apresentar evidências de sua validade através de experiências ou da observação. E tais experiências e observações só têm valor se forem reproduzíveis também por outros cientistas, e não apenas por quem apresentou a proposição. É o que acontece com a Teoria da Gravidade de Newton, a Teoria da Evolução de Darwin, a Teoria da Relatividade de Einstein, a Teoria do Big Bang, e muitas outras.

Muitos cristãos – e somente os cristãos, faço questão de ressaltar – se satisfazem com o primeiro versículo da Bíblia, que diz: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. Para eles, o Gênesis explica tudo, e isso lhes basta. Eu também já pensei assim. Hoje, não mais. Hoje eu quero saber exatamente como as coisas aconteceram. Pode ser que nos anos da minha vida não haja tempo suficiente para a ciência descobrir tantas coisas ainda desconhecidas. E, quem sabe?, pode ser também que algumas delas jamais sejam descobertas pela ciência.   

As primeiras concepções do Universo brotaram das cabeças dos filósofos gregos, entre eles Aristóteles, que viveu entre 384 a.C. e 322 a.C. Na concepção de Aristóteles, o cosmo era formado por diversas esferas concêntricas, invisíveis e feitas de cristal, estando a Terra fixa no centro. Pense em algo como as camadas de uma espécie de cebola gigantesca.

Em cada esfera estavam primeiro a Lua, seguida por Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e, na última, as estrelas fixas. Não se falava em Urano e Netuno, pois tais planetas ainda não eram conhecidos. Esse era o Universo de Aristóteles.

A concepção do cosmo de Aristóteles dominou o mundo por cerca de 1900 anos. Somente a partir do século XVI alguns gênios da humanidade tiveram a coragem de desafiá-la. Eram os primórdios da ciência moderna.

Tudo começou com Nicolau Copérnico em 1543, que “tirou” a Terra do centro e “colocou” o Sol, adotando o sistema heliocêntrico. Ainda não era a concepção definitiva, mas representava um grande avanço, de forma tal que “O próprio Lutero zombou das idéias de Copérnico, afirmando que um certo astrônomo queria virar a astronomia pelo avesso, fazendo a Terra girar em torno do Sol como se fosse um carrossel” (Marcelo Gleiser, em Poeira das estrelas). É lamentável que exatamente Lutero, “o iluminado”, não apoiasse as ideias de Copérnico.

Depois vieram outros gênios que continuaram a revolução do conhecimento do cosmo, dentre os quais podemos destacar: Johannes Kepler, Galileu Galilei, Isaac Newton e Albert Einstein, só para citar os mais conhecidos.

A Teoria da Relatividade de Einstein, publicada no início do século XX, foi o que propiciou as condições para se chegar à Teoria do Big Bang.

Eu não sou um especialista em cosmologia, nem sequer sou um físico, sou apenas alguém que já leu alguns livros sobre o tema e, como já disse anteriormente, este é um dos assuntos que mais me fascina, pois diz respeito às origens de tudo.

Portanto, seria impossível para mim, e acho que até mesmo para um cosmólogo, tentar explicar, em apenas uma ou duas páginas, como se chegou à Teoria do Big Bang e quais as suas evidências.

Então me veio a ideia de apresentar um documentário produzido pelo canal History Chanel que explica exatamente o que foi o Big Bang e qual o caminho percorrido para se chegar à Teoria do Big Bang. O título do documentário é “O Universo – Além do Big Bang”.

É uma produção espetacular, bem dublada ou legendada e apresentada de forma didática.

E, para ficar mais atraente aos leigos, o documentário foi postado no YouTube em nove partes de 10 minutos cada. Portanto, os interessados não precisarão assisti-lo todo de uma única vez, mas é importante, para compreensão, assisti-lo na sequência.

Caso você não compreenda alguma coisa, insista, vá até ao fim, pois somente dessa forma você ficará sabendo que a Teoria do Big Bang não é um “achismo” e porque toda a comunidade científica a aceita como a mais plausível explicação para a origem do nosso Universo.

Eu sei que os fundamentalistas nem sequer chegarão a este ponto, talvez o rejeitarão peremptoriamente apenas ao ler o título, o que é uma pena, pois deixarão de tomar conhecimento – até mesmo para depois criticar, se for o caso – de algo que deveria interessar a todas as pessoas que têm um intelecto minimamente racional. 

Para ajudá-lo, eu divulgo abaixo todos os links.


Ao terminar de assisti-lo, a expressão que me veio à mente foi “simplesmente espetacular”.

E, se não fossem grandes homens que ousaram desafiar o “status quo” do seu tempo, como Giordano Bruno, que morreu queimado pela Inquisição em 1600, talvez ainda hoje nós vivêssemos na escuridão da ignorância que “mantinha” a Terra no centro de um Universo imutável composto apenas por um punhado de planetas e uns poucos milhares de estrelas fixas.

Saulo Alves de Oliveira

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Primeiro aniversário



Neste mês de maio o REFLEXÕES DO MEU SILÊNCIO está completando o seu 1º ano de existência. É apenas um simples “bebê” que dá os primeiros passos. Não sei se cumpri bem a missão para a qual eu o criei, mas tentei.

Procurei divulgar aquilo que venho pensando há muitos anos – ideias que norteiam a minha vida – e experiências pessoais, as quais (ideias e experiências) nunca tive a oportunidade de partilhar com outras pessoas, exceto as do meu núcleo familiar mais íntimo, daí o titulo REFLEXÕES DO MEU SILÊNCIO.

Também tentei divulgar, mesmo como leigo, um pouquinho, muito pouco mesmo, de ciência, conhecimento que realmente me fascina, pois acho que o saber científico é libertador.  

Enxergo o mundo através do prisma das minhas experiências pessoais e de tudo que já li, vi e ouvi nesses meus 56 anos de vida. Obviamente ninguém tem obrigação de concordar com este beócio opinante e, é de bom alvitre ressaltar, não me falta essa consciência. Longe de mim me arvorar como o dono da verdade. Estou mais para um neófito na arte da escrita.

O importante, porém, não é concordar, mas atentar e ouvir com respeito a opinião do outro e ter consciência de que todos temos o direito de expor nossas ideias e que ninguém é inerentemente do mal só porque pensa diferente ou crê distintamente das outras pessoas ou mesmo não crê naquilo que nós sempre acreditamos ser a verdade.   

Sei que não é fácil viver em meio à diversidade de opiniões, especialmente quando elas são frontalmente contrárias ao legado cultural do nosso grupo relacional. Eu também me policio no que tange a esse aspecto da vida em sociedade.

Nós temos medo de enfrentar ideias que contradigam aquilo que sempre tivemos como verdade ao longo de toda a nossa vida, e não raro julgamos, como agentes do mal, aqueles que têm ideias diferentes das nossas, sobretudo no campo da religião.

Agir assim nada mais é que uma fraqueza do intelecto.

Bom, já estou me desviando do rumo para uma variante da estrada. Voltemos ao objetivo principal do comentário.

Nos primeiros dias após a criação do blog, quando passei a entender melhor como as coisas funcionavam, estabeleci uma meta de visualizações de páginas ao final de um ano: 1.200 visualizações.

Por que este número? Simplesmente porque daria uma média de 100 visualizações/mês.

Meta ambiciosa?, não; pessimista?, também não. Apenas coerente com um blog incipiente, totalmente desconhecido do grande público e administrado por alguém que não é uma celebridade nem um famoso jornalista ou político.

Também não sou uma sumidade em qualquer área do saber humano, no entanto sou um ser humano que deseja dizer o que pensa acerca de várias áreas do conhecimento.

Para minha surpresa e satisfação o blog alcançou 1.627 visualizações de páginas em seu primeiro ano de existência. É um número inexpressivo, todavia me satisfaz, porquanto fico com a sensação de que não “falei” ao vento.

As postagens mais acessadas – não sei se lidas – foram “O milagre no supermercado” e “Saudade da minha Mãe”.

A primeira é uma história de ficção cujo objetivo é sugerir que não devemos acreditar “a priori” em tudo que nós ouvimos, especialmente quando as histórias parecem fantasiosas, antes, porém, devemos investigar o que há de real por trás de certas afirmações. Acho que posso resumir tudo com as seguintes palavras de certo escritor e cientista: “Afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”.

A segunda é o relato de uma curta experiência vivida em uma noite de sábado quando escrevia ao som de uma música no escritório da minha casa e repentinamente senti uma profunda saudade da minha mãe, de tal forma que não pude conter as lágrimas. Maria Carlos se foi em 2006 para nunca mais voltar, e, apesar da enorme saudade e do pavor que essa realidade às vezes provoca, disso eu tenho plena consciência.   
     
Agradeço a todos que gentilmente acessaram o meu blog e mais ainda àqueles que de forma condescendente gastaram um pouco do seu tempo lendo-o. Espero continuar sendo merecedor da sua atenção.

A todos, mais uma vez meu muito obrigado.

Saulo Alves de Oliveira

terça-feira, 24 de abril de 2012

Cadê o vovô? Essa é para os espíritas

Fui até o escritório e disse: “Paola, estou indo pra aula, sua avó está em casa e sua mãe logo chegará.”

Despedi-me assim da minha neta de 4 anos, que estava brincando no computador, e saí de casa por volta das dezoito horas e quarenta minutos. 

Terminada a aula, resolvi visitar meu pai, e fiquei em sua casa até por volta das vinte e duas horas. Cerca de dez minutos depois, estava de regresso a minha casa.

- Papai, você esteve em casa entre oito horas e oito e trinta?, perguntou Vítor, meu filho. 

- Não!, respondi com surpresa. Por quê?  

- É que a Paola lhe procurou dizendo que viu você chegar, arrematou o Vítor.

Como minha neta já estava dormindo não pude conversar com ela.

No dia seguinte, falei com a Sulanira, minha esposa, sobre o episódio.

- É, ela esteve no quarto, abriu a porta do closet e perguntou: “Cadê o vovô?”, pensando que você estava no banheiro.

- Seu avô foi pra aula e ainda não voltou, respondeu a avó.

- Mas eu vi o vovô chegar!, insistiu minha neta.

Bem, perguntaria alguém, por que você está contando essa história?

Acho que outra pergunta trará um pouco de luz à questão: o que diriam os espíritas e seus simpatizantes se, enquanto estava fora de casa, eu tivesse morrido ou sofrido um grave acidente? Já respondo: certamente que o meu espírito teria vindo avisar a minha família, e somente minha neta, por ser mais sensível à espiritualidade – quiçá médium –, percebeu. 

Quantas histórias similares nós já ouvimos parentes ou amigos relatarem?

“Eu pensei em meu amigo e logo em seguida ele ligou ou chegou a minha casa”; ou “Eu senti a presença do meu filho, ou ouvi sua voz, e pouco depois chegou a notícia de que ele sofrera um grave acidente e estava em coma ou morrera”. E por aí vai. Os exemplos são muitos.

Na realidade, tudo não passa de uma coisa chamada coincidência; e o que se percebe é que as pessoas só levam em conta o que eu denomino de “registros positivos”, ou seja, só lhes sensibilizam os supostos avisos ou pressentimentos quando estes coincidem com situações reais. Quando não, e não são poucos, suas mentes não os registram ou não os consideram, pois não as impressionam. Os supostos avisos que não se concretizam não são considerados, pois não chamam a atenção.

Você já prestou atenção a quantas vezes “sentiu” a presença de alguém, “ouviu” uma voz, teve um suposto “aviso”, até em sonhos, ou uma premonição, e nada aconteceu? É o que eu chamo de “registro negativo”. Ninguém leva em conta os registros negativos. Eles passam despercebidos.   

Se você é suscetível a essas sensações ou avisos, faça uma experiência. Ao longo de certo período, por exemplo, um ano, anote todas as vezes que eles ocorrerem, e depois veja quantas vezes nada aconteceu. Compare-as então com os registros positivos. É um bom caminho para se chegar a alguma conclusão. Nada conclua com base em apenas um evento, pois é assim que se formam as crendices populares.

Sempre que você tiver uma experiência aparentemente mística, procure primeiro uma explicação racional. Talvez você encontre uma explicação simples que tem muito mais a ver com o terreno do que com o sobrenatural.  

Existe um princípio conhecido dos cientistas denominado “A Navalha de Occam”. Ele diz mais ou menos assim: entre duas hipóteses que explicam os fatos, escolha sempre a mais simples.

No caso que relatei acima, como explicar o fato da minha neta ter sentido a minha presença em casa? Com certeza eu não sei a resposta exata, pois viajei no dia seguinte e só regressei três dias depois. Infelizmente, quando conversamos, ela não mais se lembrava da história. Mas há possíveis explicações bem simples, como esta, por exemplo: todos os familiares estavam em casa, exceto eu; ela pode ter ouvido o barulho do carro do vizinho ao chegar em sua casa e ter concluído que era o meu carro entrando na garagem da nossa casa. Há uma série de outras explicações simples que dispensam a necessidade de se recorrer a algo místico.     

O meu ceticismo, todavia, não é algo inflexível. Eu não sou cético ao ponto de não admitir que o ser humano possa ser dotado de sentidos ainda não compreendidos, mormente em relações muito próximas como a de mãe e filho. Quem não é suscetível a examinar experiências novas, jamais correrá o risco de descobrir realidades novas. Porém, enquanto não forem apresentados estudos com evidências irrefutáveis, feitos por grupos independentes de cientistas, sem qualquer interesse no tema, para mim tais fatos continuarão como fantasias da mente humana ou crendices populares ou mera coincidência.  

Contudo, se lhe satisfaz continuar acreditando em coisas fantasiosas simplesmente porque lhe traz conforto, tudo bem, a escolha é sua. Quanto a mim... bem, quanto a mim não me satisfaz simplesmente acreditar. O que eu quero é descobrir o que há realmente de verdade no recôndito das experiências humanas.

Saulo Alves de Oliveira

domingo, 8 de abril de 2012

É simples assim? Para os honestos, sim

Há dias venho acompanhando a briga entre duas “estrelas” do mundo neopentecostal. Creiam-me, colocados os dois numa balança de dois pratos – um em cada lado, evidentemente –, do tipo que ainda hoje se usa nas feiras livres, eu não me arriscaria a dizer previamente para qual dos lados a balança penderia. Para este beócio opinante, os dois se equivalem. Como diz o velho ditado: é o roto falando do mal-lavado.

Recentemente a TV de um desses dois senhores apresentou uma longa reportagem fazendo graves acusações contra o outro. A reportagem dizia que o acusado adquiriu, com recursos da Igreja – ou melhor, com o dinheiro dos fiéis, muitos deles pobres de Jó –, uma propriedade com milhares de hectares e um grande rebanho bovino. 

Qualquer que seja o comprador – caso a história se confirme –, o fato em si é uma enorme imoralidade.

Ainda que o bem tenha sido adquirido com recursos da Igreja para a própria Igreja, isso só se justificaria se o objetivo fosse a caridade, ou seja, distribuir carne e outros alimentos para os pobres ou mesmo doar terras para trabalhadores rurais desempregados, ou algo nesse sentido. Não sem antes o conhecimento e aprovação dos fiéis. Entretanto, se a finalidade é o simples investimento, alguma coisa está vergonhosamente errada nessa história. Eu sempre soube que a missão da Igreja é pregar o Evangelho e não investir em bens materiais. Bom, pelo menos era essa sua finalidade nos tempos idos, mas como as coisas mudam... alguns estão fazendo da igreja um trampolim para saltar e descansar nos braços de Mamon.

Por outro lado, se os bens foram comprados com recursos da Igreja para o seu líder, isso é apropriar-se indevidamente do dinheiro da instituição. Dinheiro este solicitado com tanta insistência e de modo tão lastimoso para outras finalidades e doado com tanto sacrifício pelos fieis. (Ressalte-se: valendo-se muitas vezes de métodos no mínimo questionáveis.) A se confirmar esta hipótese, eu acho que alguém deveria fazer alguma coisa. Quem sabe o ministério público devesse intervir para barrar essas vergonhosas ações, não só deste senhor, mas também daquele e de muitos outros que agem suposta, falsa e impunimente em nome de Deus, que, cheguei à conclusão, não interfere neste e em muitos outros casos de mercenarismo. Talvez haja uma explicação racional para isto! Ou, então, pergunte-se: seria o deísmo uma realidade? Bom... não sei... estou apenas conjecturando.     

(Até quando isso vai perdurar? Até quando muitos brasileiros continuarão com a venda que lhes cobre os olhos? Até que ponto chegará esse estado de coisas sem que alguém tome nenhuma providência? Qual será o destino do protestantismo no Brasil?)

Se os bens foram comprados com recursos do próprio líder da Igreja, a situação é mais amena, porém ainda assim tem um aspecto seríssimo a ser considerado. O que faz um homem de origem modesta, que ganha a vida como pastor, acumular uma fortuna suficiente para investir em um bem tão caro? Até onde me é dado saber, pastor ganha salário e ninguém que vive unicamente de salário consegue ficar milionário. Ou não? Será que isto é apenas delírio de uma mente dessintonizada com a realidade dos novos tempos?

Aliás, eu defendo uma tese: é quase impossível alguém acumular fortuna honestamente. Esclareço. Quando eu me refiro a honestidade não pretendo afirmar que as pessoas roubam no sentido mais comum do termo, como é o caso de um assalto a banco ou algo similar, muito embora isso também se aplica ao contexto. Eu me refiro em especial a: receber ou pagar suborno, sonegar impostos, fraudar licitações, contrabandear, desviar recursos de obras públicas, exorbitar nos preços dos produtos, enganar sócios, exorbitar nos juros, enganar intencionalmente o comprador, apropriar-se dos recursos de uma igreja através de artimanhas secretas... e por aí vai. Na realidade todos os exemplos citados são formas sutis ou sofisticadas de roubar. Quantos se refestelam em seus ricos “palácios” construídos sobre fundações de corrupção, roubo e exploração? E todos os domingos vão aos mais diversos templos agradecer as “bênçãos” de Deus! (sic). Irônico, não?    

Acredito que um bom exemplo que contraria a minha tese é o de quem ganha um grande prêmio na loteria. Bem, isso é apenas divagação que merece um comentário específico e à parte. Vou voltar ao assunto em questão e já concluindo.   

Na realidade ao acusado só caberia uma atitude para dirimir todas as dúvidas, além de processar a TV do seu desafeto, obviamente. Vir a público e mostrar, de forma clara e transparente, como foi a transação e qual a origem do dinheiro.

É simples assim? Para os honestos, sim.

Saulo Alves de Oliveira 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ainda é "Tempo de partir"

Considerando a importância e atualidade do assunto, resolvi voltar ao texto “Tempo de partir” de autoria do pastor Ricardo Gondim. Bom seria que todos o lessem com atenção e tirassem suas próprias conclusões. Não deixe de fazê-lo. Basta clicar no link abaixo.
http://www.ricardogondim.com.br/estudos/tempo-de-partir/

Quero destacar mais algumas de suas afirmações e fazer rápidos comentários.
“Não me considero dono da verdade.”
Quantos se consideram receptáculos e os reais detentores de toda a verdade! Somente eles estão certos, todos os demais estão completa e irremediavelmente errados. “Ah, eu e o meu grupo estamos no Caminho, quanto aos demais, a Bíblia diz, jazem no maligno”, afirmam arrogantes. E complementam: “Eu e o meu gueto vamos para o céu, pois somos coluna e firmeza da verdade. Quanto aos demais, vão para o infeeeeeeerno!”

Qual verdade? A dos batistas, presbiterianos, luteranos, pentecostais, neopentecostais, metodistas, católicos, congregacionais, adventistas, anglicanos, universais, mundiais... E quantos mais “istas”, “anos” ou “ais”?  
“Não carrego a palmatória do mundo.”
Os mais novos certamente não conhecem o artefato chamado palmatória. Tal circunstância, entretanto, não lhes seja motivo de tristeza, pois não estão perdendo coisa alguma que lhes possa fazer falta.

De certa forma, a palmatória era um instrumento de tortura. Consistia de uma haste de madeira que tinha em uma das extremidades algo parecido com um pneu em miniatura, também de madeira, e servia para castigar os filhos ou alunos desobedientes. O pai segurava os quatro dedos do filho – polegar livre –, forçava-os um pouco para baixo e a palma da mão ficava bem exposta. Então eram aplicadas várias pancadas com o famigerado instrumento e depois se repetia o mesmo ritual com a outra mão. O torturante “encontro” da palmatória com a mão era conhecido pelo “delicioso” nome de “bolo” – Ah, que “bolo” desagradável! Quem teve o desprazer de vê-la em ação nas mãos dos professores ou pais, afirma que doía bastante.

É desse espírito de palmatória que muitos estão cheios nas igrejas. Sentem prazer em julgar os outros e gostam de “bater” em quem não se conforma ao seu modo de viver e interpretar as Escrituras.

Eu conheço alguns assim – com destaque para certas filhas de Eva –, que se julgam porta-vozes de Deus e se valem dessa suposta prerrogativa para destilarem toda sua arrogância em julgamentos e condenações contra as pessoas. De forma teatral, impostam a voz com toda empáfia e seus corpos assumem trejeitos e movimentos bem peculiares para demonstrar, de forma ridícula, quando não cômica, que estão sendo usadas(os) por Deus. Sinceramente, confesso-lhes que há muito estou farto de tais espetáculos que muitas vezes tocam as raias do absurdo, quando não a ultrapassam, nos púlpitos das igrejas. 

Quando jovem, eu mesmo fui vítima de um desses espíritos de palmatória. Convenhamos, não foi lá uma pancada muito forte, mas machucou um pouco. Era um senhor de cabelos brancos que gostava muito de chamar a atenção para si com gritos estridentes durante os cultos. (Desconfie dessas pessoas. Normalmente são fanáticas.) O dito senhor era perito em “bater” nos jovens. Eu estava todo vestido de preto – camisa, calça e sapatos pretos. Ele se aproximou e afirmou, de forma infantil, descabida e insuportavelmente fanática, que eu estava errado vestindo preto, pois esta cor tinha a ver com as trevas. A minha educação e os seus cabelos brancos calaram-me. Em certas ocasiões, o silêncio é a melhor resposta.       
“Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cúpulas denominacionais acontecem com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive na eleição para presidente de uma enorme denominação. Vi dois zeladores do Centro de Convenções aliciados com dinheiro. Os dois receberam crachá e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo se restringiu filmar a multidão, exibir nos Estados Unidos e levantar dinheiro. O fim último era sustentar o evangelista no luxo nababesco. Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear outro país. Como um movimento, que se pretende portador das Boas Novas, sustenta uma guerra satânica, apoiada pela indústria do petróleo.”
Sem mais comentários. O texto fala por si só.

Saulo Alves de Oliveira

domingo, 18 de março de 2012

Pastor diz: chegou o "Tempo de partir"

Eu não conheço o pastor Ricardo Gondim. Nunca li um outro texto ou livro seus. Nada sei acerca da sua capacidade intelectual ou espiritual nem do seu caráter moral, no entanto, devido a um comentário que li no Facebook, de certa forma negativo, cheguei ao texto “Tempo de partir”, de sua autoria.

Achei-o simplesmente impactante. Transmitiu-me muita sinceridade e compromisso com a moral. Julgo que todos os cristãos evangélicos, sinceros em sua fé, ou qualquer pessoa que fundamente sua vida em princípios morais elevados deveriam lê-lo e fazer uma reflexão em cima de suas palavras. Não deixe de fazê-lo. É só clicar no seguinte link: http://www.ricardogondim.com.br/estudos/tempo-de-partir/.

A minha história de vida é bem diferente da sua e certamente não tenho o mesmo preparo intelectual e o mesmo conhecimento teológico. Seguimos caminhos totalmente diferentes no que diz respeito a atividade profissional, porém faço minhas as suas palavras.

Para não ficar cansativo, quero destacar apenas duas afirmações do pastor Ricardo Gondim e fazer alguns comentários.
“Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia).”
Nem eu. Na realidade alguns me inspiram asco. Especialmente um dos mais famosos. Recentemente ele aparece em um vídeo no YouTube com uma suposta endemoninhada. Ele faz perguntas e gracejos e o “demônio” lhe diz que na igreja de um dos seus desafetos quem opera é Satanás. Só os tolos acreditam que aquilo é real e não se trata de uma farsa. E, lamentavelmente, sou forçado a admitir – por mais perturbador que pareça –, muitos acreditam. Quanto a mim, o sentimento que me invade é de nojo, repugnância.

De tais indivíduos eu não tenho compaixão, pois eles não são inocentes, sabem o que estão fazendo. O que eu sinto é realmente repulsa e deles eu quero distância. Verdadeiros canalhas, crápulas, manipuladores dos incautos! Só pensam em dinheiro. E corjas de bajuladores os acompanham ajudando-os a sugar o dinheiro dos trouxas, muitos destes, reconheçamos, sinceros. Pedem dinheiro de forma desavergonhada na mídia e nos templos. Até quando os brasileiros permanecerão com a venda que lhes cobre os olhos?

Dizem que têm fé. Que tipo de fé? Precisam de recursos? Se tivessem fé fariam como Jesus ensinou em Mt. 6.6: orariam e pediriam em secreto. E não exporiam o Evangelho ao ridículo como o fazem de forma tão descarada. Acho que para eles o que vale é a máxima que diz “é pedindo que se recebe”, pois aquilo que pregam, isto é, a fé que opera milagres, parece que nem eles acreditam. Se não fosse assim, orariam em secreto e receberiam o dinheiro de que tanto gostam, sem precisar se expor de forma tão aviltante e mercenária. São os “Tio Patinhas” evangélicos.

Repito o que disse em outro comentário. Para os seres abjetos que se aproveitam da ingenuidade de um povo sofrido, que se apega a qualquer coisa na esperança de resolver seus problemas – afetivos, financeiros, de saúde... –, o meu desejo é que eles se arrependam das suas práticas ignominiosas. Caso contrário, eu espero, com todo o ardor da minha alma, que no mais profundo do inferno, junto ao trono de Satanás, o rei das trevas, haja um lugar especialmente reservado para todos eles.   
“Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranoia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem a necessidade de Deus.”
Quantos sofrem desnecessariamente por não alcançarem certas coisas, atribuindo tal fato a falhas em sua relação com Deus! Coisas estas que as pessoas alcançam, ou não, por razões meramente naturais e não porque têm fissuras em seu caráter espiritual ou moral.

Quantos são induzidos a humilhações aviltantes para obter o favor de Deus! Parece que Deus se compraz em ver seres humanos em demonstrações exacerbadas de humilhação física. Deus só atende ao ser criado se este se colocar genuflexo com o rosto no chão, derramar “rios e rios” de lágrimas, jejuar por dias e dias a fio, orar, orar, orar, orar... e orar, para só então ter – ou não, ressalte-se –, após anos e anos de insistência e prostração, ou mesmo décadas e décadas depois, seu problema resolvido.

Não seria mais honesto e moral admitir-se uma relação racional entre criatura e Criador? Ou um diálogo sincero e racional em que o ser apresenta suas razões e necessidades ao Ser, e Este, do alto de sua onipotência e onisciência, responde ou não àquele de forma clara e transparente, sem, muitas vezes, o silêncio inquietante – e conformista –, como supõem alguns?     

Concordo totalmente com o que diz o Pastor Ricardo Gondim. Por todas as razões apresentadas por ele e outras mais, talvez eu já tenha partido (?) e porventura já me encontro em um patamar diferente daquele em que ele ainda se encontra (?). Só posso chegar até aqui em minhas afirmações. Quem lê entenda e tire suas próprias conclusões, se puder, obviamente.
 
Saulo Alves de Oliveira

sábado, 3 de março de 2012

Cristão iraniano é condenado à forca

Pastor Youssef Nadarkhani condenado à morte no Irã
Comenta-se no noticiário e nas redes sociais que um pastor iraniano foi condenado à forca por causa de sua fé cristã. Como o Irã é um país extremamente fechado, eu não sei o quanto há de verdade nessa notícia. Entretanto o meu comentário a seguir terá como base o pressuposto de que a notícia é totalmente verdadeira, ou seja, o Pastor está sendo julgado ou foi condenado por conta de sua fé.

A pena de morte não é exclusividade do país dos aiatolás. Outros países a adotam, dentre eles os EUA, formado, em sua grande maioria, por cristãos. É verdade que neste último caso há todo um processo judicial legal, com amplo direito de defesa, que muitas vezes leva anos, até culminar ou não com a sentença de morte. 

Eu, pessoalmente, sou contra essa penalidade extrema, apesar de, em alguns casos, me sentir tentado a dar um passo atrás em minha convicção. Mas este momento não me enseja oportunidade de tratar da pena de morte como castigo para crimes ditos hediondos. Ficará para outra ocasião.

Até onde me foi dado saber, há um processo legal naquele país – refiro-me ao Irã – em que o Pastor é réu, contando, inclusive, com advogado de defesa.

Apesar disso eu julgo um absurdo no mais alto grau e uma afronta à dignidade humana alguém ser condenado à morte pelo “crime” de ter uma fé diferente da grande maioria dos seus concidadãos ou ainda pelo fato de não acreditar no livro sagrado ou no Deus de outrem ou mesmo discordar de qualquer coisa que diga respeito à religião. Isto é viver, em pleno século 21, no obscurantismo das mais densas trevas da Idade Média, ainda que os fundamentos sejam a cultura ou o código de leis de um país.   

Lamentavelmente o próprio cristianismo já agiu de modo similar, especialmente na Idade Média. Hoje, entretanto, as coisas evoluíram, apesar de existirem muitos radicais fundamentalistas, notadamente em alguns estados americanos – segundo dizem – no chamado “cinturão bíblico” e em outras regiões do mundo, os quais, no entanto, não chegam ao clímax da estupidez em sua intolerância religiosa. (?)

Em 1600, o padre Giordano Bruno foi condenado à fogueira pela Inquisição Católica. Seu crime: afirmar que “Há incontáveis sóis e uma infinidade de planetas que giram em torno de seus sóis como nossos sete planetas giram em torno do nosso”, ou seja, Bruno acreditava que existiam outros mundos, em desacordo com a interpretação da Bíblia feita pela Igreja de Roma. Em 1633, Galileu Galilei só não teve o mesmo destino porque negou oficialmente aquilo que sabia ser a verdade, isto é, que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário como pensava a Igreja da época.

É profundamente triste e chocante que, em pleno século 21, qualquer ser humano seja condenado à morte por professar uma fé que está em desacordo com a maioria. Não apenas por ser um cristão evangélico. Causar-me-ia igualmente profunda consternação se se tratasse de um padre católico, um rabino, um monge budista, um seguidor do hinduísmo, um espírita ou um crente de qualquer outra religião.

Todas as pessoas devem ter plena liberdade de professar sua fé, em qualquer lugar do mundo, sem o perigo de sofrer a mínima sanção. Deve ser-lhe assegurado inclusive, se for o caso, o direito de não ter religião ou mesmo de não acreditar em Deus.

Certamente lá no Irã eles estão agindo dentro das leis que regem seu país, mas é simplesmente algo que ultrapassa as raias do absurdo e agride frontalmente à moral e envergonha a civilidade da raça humana.

Ninguém pode ser julgado segundo os ditames de um livro sagrado, seja ele a Bíblia, o Alcorão, a Torá ou outro qualquer. Por isso eu defendo com veemência o estado laico. Sou a favor da total e explícita separação entre Igreja e Estado. Culto ou missa se faz nos templos e nas residências e não nas repartições públicas. Símbolos religiosos se mantêm nos templos e nas residências e não nas repartições públicas.

Eu espero que a parte do Islã que vive o século 21 sobrepuje os radicais que ainda “vivem” na Idade Média e que o Islamismo evolua tal qual a grande maioria do Cristianismo, não obstante algumas atitudes controversas de alguns cristãos em postos de comando do mundo.

A todos os cristãos evangélicos eu deixo as seguintes perguntas para reflexão: Você estaria consternado se a condenação à morte fosse de um padre católico ou um monge budista ou um líder de qualquer outra religião? Se você viesse a descobrir que o pastor condenado não acredita na doutrina da trindade, seu espírito continuaria inquieto com a situação? Você assinaria um pedido de interferência – não sei se a palavra correta seria esta – do Governo Brasileiro se se tratasse de um padre católico ou um monge budista ou um líder de qualquer outra religião? E se fosse um ateu, você acharia injusto alguém ser condenado à morte por não acreditar em Deus?

Desculpe-me, porém se você respondeu “não” a uma dessas questões, na minha opinião – e posso estar equivocado, evidentemente – o que lhe move não é a defesa do princípio fundamental da liberdade religiosa em qualquer circunstância, inclusive o direito de não ter religião, mas simplesmente o corporativismo.

Saulo Alves de Oliveira