sexta-feira, 9 de junho de 2017

Alguém pode explicar?

Por Saulo Alves de Oliveira

De vez em quando meu espírito começa a divagar e alguns pensamentos me sobem à mente – quiçá meio estranhos, para algumas pessoas. Talvez eu deva creditá-los à minha fraca bagagem intelectual. Mesmo assim, quero compartilhar uma dessas divagações com quem tiver a oportunidade de ler o breve texto abaixo.

Hoje eu estava pensando na seguinte situação:

Paulo, o grande apóstolo, nos ensinou em Romanos 8.28: E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Eis as histórias resumidas de alguns cristãos sinceros e tementes a Deus.

João perdeu uma das pernas em um acidente de trabalho.

Maria foi acometida por uma doença degenerativa que a fez perder os movimentos das duas pernas. Hoje, Maria se desloca para qualquer lugar em uma cadeira de rodas. Em casa, qualquer atividade é feita sempre com a ajuda de outra pessoa.

Pedro, de apenas dez anos, perdeu pai e mãe em um acidente de carro. Pedro não tem avós, irmãos ou tios.

Jorrana, mulher cristã, foi barbaramente estuprada e espancada quase até à morte por radicais religiosos em um país do oriente. Toda a família foi assassinada com requintes de crueldade. Por um milagre, só ela escapou com vida, pois seus agressores julgavam-na morta. Passou meses em coma no hospital. Perdeu a visão de um dos olhos. Hoje, anda e fala com dificuldade.

Por mais que eu tente, não consigo compatibilizar as histórias acima com o ensinamento de Paulo. Não compreendo como tais fatos podem concorrer para o bem de tais pessoas.

Alguém pode explicar?

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Quatro acidentes, quatro desfechos

Por Saulo Alves de Oliveira

Cansado, após um longo dia de trabalho, um homem caminhava sobre uma calçada em direção ao ponto do ônibus. O Sol já começava a desaparecer no horizonte. No fim do dia, como qualquer trabalhador, ele desejava chegar em casa para rever a família e descansar. Distraído, pensava sobre seus problemas familiares e financeiros. Como resolvê-los? No fim do mês sobravam mais dias do que dinheiro. De repente, um carro desgovernado subiu a calçada e chocou-se contra um poste exatamente no local onde ele passava. A partir desse momento, a história tem quatro desfechos diferentes.

Primeiro – O poste estava a apenas dois metros de distância. Que susto! – exclamou o homem, que, além do susto, nada sofreu. Ao chegar em casa ele relatou à família o que acontecera e disse “Deus me livrou”, pois está escrito: “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos”.

Segundo – O homem, que estava próximo ao poste, foi atingido de leve. Caiu, bateu um dos braços no chão e sofreu uma leve escoriação. Levantou-se rapidamente e, de tão simples o dano físico, nem ao menos foi ao hospital. Ao chegar em casa ele relatou à família o que acontecera e disse “Deus me livrou”, pois está escrito: “Ele lhe preserva todos os ossos; nem sequer um deles será quebrado”. 

Terceiro – Nesse desfecho, o nosso personagem foi atingido com certa violência. Recebeu uma forte pancada nas pernas e caiu, batendo a cabeça no chão; quebrou as duas pernas e sofreu traumatismo craniano. Algumas pessoas que estavam no local ajudaram-no e chamaram o serviço de ambulância. Imediatamente foi levado ao hospital, onde submeteu-se a uma cirurgia de cabeça, engessou as duas pernas, e, após várias complicações no pós-operatório e muitos dias de internação, teve de voltar para casa em uma cadeira de rodas. Ao chegar em casa ele relatou à família o que acontecera e disse “Deus me livrou da morte”, pois está escrito: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”.

Quarto – Por último, o desafortunado ser humano foi violentamente atingido. Recebeu uma forte pancada nas pernas e ficou preso entre o carro e o poste. A violência do impacto foi tão grande que sua cabeça chocou-se com muita força contra o poste, provocando um grave traumatismo craniano. Lamentavelmente, quando o socorro de emergência chegou, não havia mais nada a fazer. O infeliz trabalhador, que tanto almejava chegar em sua casa para descansar, morreu no local e não mais voltou para casa. No dia seguinte, após o sepultamento, triste e conformada, a família se consolava: “Deus tem os seus mistérios. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor”. 

Ao longo da minha vida eu tenho observado alguns fatos que me põem a pensar... pensar... e pensar, e por isso eu estou compartilhando com o leitor essas quatro pequenas histórias de ficção, obviamente. Todavia, não é irracional admitir que histórias semelhantes acontecem todos os dias.

Não é interessante?

É sempre assim.

Quando tudo dá certo, é Deus. Quando tudo dá errado, Deus tem os seus mistérios.

Até que ponto é Deus que interfere?

Até que ponto são eventos aleatórios que acontecem naturalmente com qualquer um? 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Condenado a condenar

Por Saulo Alves de Oliveira

O Sr. Moro está condenado a condenar o Lula. Com crime ou sem crime. Com provas ou sem provas. Se não o fizer sofrerá perseguição implacável de muitos dos seus atuais admiradores. Arrisco-me a afirmar: Não poderá sair de casa sem um forte esquema de segurança. Não existe coisa pior do que uma extrema direita raivosa.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O Lulinha ainda é o dono da Friboi?

Ou vendeu ao Joesley?

Por Saulo Alves de Oliveira

Semana passada eu tomei conhecimento que o dono da Friboi tinha gravado uma conversa comprometedora com o interino, isto é, Temer, o pequeno. Então, pensei: o Lulinha, filho do Luiz Inácio Lula da Silva, gravou o Michel! O que é que esse rapaz quer com isso? Já não basta ele ser o dono da Friboi?

Mais tarde eu ouvi o diálogo entre os dois e, como não conheço a voz do Lulinha, pensei: é, parece que o Lulinha colocou o Temer numa situação complicada, mas também sua situação não é das melhores.

Qual não foi minha surpresa!

Algum tempo depois vi um vídeo do “Lulinha” depondo e constatei que não era o Lulinha, era um certo Sr. Joesley Batista.

Então, o Lulinha não é o dono da Friboi? E quem andou divulgando essa mentira, não está nem um pouco preocupado com o fato de denegrir a imagem de outra pessoa? E, por incrível que pareça, há muitos que se dizem filhos de Deus (sic) nesse meio! 

Uma certa pessoa me disse assim: “Eu não tenho nenhuma obrigação de checar se uma notícia é falsa ou não, eu apenas a repasso”. É lamentável essa falta de conscientização moral de muitos. 

Agora só falta alguém dizer que o Lulinha vendeu a Friboi ao Joesley e depositou o dinheiro numa conta no exterior. Há canalha pra tudo!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

“Deus salve o Brasil” ou “Alá é grande”?

Por Saulo Alves de Oliveira

Apesar de ter sido educado em um meio cristão evangélico, eu tenho muito medo quando alguém escreve “Deus salve o Brasil”, pois eu não sei o que há por trás desse desejo. Eu não sei exatamente o que isso quer dizer. 

E quando é em letras maiúsculas “DEUS SALVE O BRASIL”, me dá calafrios. Me soa parecido com “Alá é grande”, “Por Alá” ou “Só Alá é Deus e Maomé o seu profeta”.

sábado, 6 de maio de 2017

A humanidade não deu certo

Por Saulo Alves de Oliveira

Há tempos, sentados à mesa no café da manhã, conversávamos eu e a Sulanira e, enquanto ela falava, eu me perguntava: “O que levou Deus a fazer uma humanidade que deu errado de forma tão lamentável?” Ainda não encontrei a resposta.

Uma ressalva. É certo que a raça humana é indigna de abrigar alguns exemplares da nossa espécie – que não merecem estar aqui –, dados seus elevados padrões morais e sua dedicação a causas altruístas, bem como por seu amor ao próximo e aos outros animais, os quais dividem conosco, os humanos, a Terra de todos os seres vivos. Alguns daqueles pilares da nossa espécie nem sequer creem em Deus. Outros creem em Deus de forma totalmente diferente entre si.

(Provocação para pensar, se julgar que vale a pena. Acreditar em Deus não é condição “sine qua non” para ser um bom ser humano.)

Mas o ser humano como espécie não deu certo. Para chegar a essa conclusão, é suficiente examinar a história da humanidade ao longo dos séculos.

Homens como Moisés e Davi, ícones do judaísmo, cometeram crimes hediondos. Massacraram populações inteiras e assassinaram milhares de inocentes. Samuel, o reverenciado juiz e profeta de Israel, ordenou ao seu povo: “Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito [sic], bois e ovelhas, camelos e jumentos”. Tal ordem me parece um atributo inerente aos piores déspotas que já habitaram o nosso planeta.

Ao longo de toda a história da humanidade, reis e poderosos exploraram sem o menor pudor ou mataram seus súditos a seu bel-prazer.

Generais sanguinários, na ânsia de estender seus domínios, derramaram sangue inocente. E muito.

A Igreja, supostamente de Cristo, torturou e matou milhares e milhares de pessoas, julgadas, por seus líderes, hereges.

A escravidão segregou, torturou e matou, durante centenas de anos, com o beneplácito da Igreja e das elites dominantes, milhões de seres humanos. E qual era a justificativa? A cor de suas peles. Filhos e filhas foram separados dos seus pais para sempre.

O holocausto matou milhões de criaturas humanas, como eu e você, de fome e frio ou nas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas.

Centenas de milhares de inocentes são mortos de uma só vez nos acidentes naturais, apesar do clamor de seus pais a Deus para poupar suas vidas. Deus simplesmente parece não lhes dar ouvidos.

A política tem sido usada para manter milhões de pessoas na miséria, sem os direitos básicos respeitados, enquanto uns poucos acumulam fortunas a cada dia.

Trabalhadores honestos são roubados e mortos todos os dias por criminosos que matam sem o menor remorso.

Milhares de mulheres e crianças são violentadas todos os dias.

Infelizmente, a humanidade não deu certo.

E agora, ao escrever este pequeno comentário, me pergunto: “Se eu fosse o Deus onipotente e onisciente eu teria criado os seres humanos?”

Confesso-lhes que a dúvida é grande.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Cura pela fé ou através da ciência

Por Saulo Alves de Oliveira

Se Deus é onipotente, por que é preciso ter fé, ou acreditar, para ser curado?

Disse-me uma amiga: “Não é preciso ter "fé" para ser curado, isso é coisa da teologia da prosperidade. A cura pode ou não acontecer – em ambos os casos pela soberana vontade de Deus – através da ciência, uma bênção para o homem, ou da oração, um bálsamo para quem crê. É o que eu penso. Adoecer e morrer fazem parte da vida. Eu mesma já fui curada pela fé, através da oração, ou pela ciência”.

Não me parece que ter fé para ser curado seja coisa da teologia da prosperidade. Muito antes de se falar em teologia da prosperidade, ou desde que comecei a ter consciência dos acontecimentos ao meu redor, numa idade ainda muito tenra, diz-se que para alcançar determinadas coisas, inclusive a cura, é indispensável ter fé, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” e “a fé é a certeza das coisas que se esperam”. Isso é enfatizado praticamente todos os dias nas igrejas e nos lares cristãos.

Parece haver, todavia, no Novo Testamento, dois aspectos relacionados às curas realizadas por Jesus. Em primeiro lugar, a cura é colocada nitidamente como uma contrapartida à fé e, em segundo, a fé parece não ser levada em consideração, pelo menos explicitamente.

Abaixo relaciono apenas três episódios para cada caso.

1 – Curas em resposta à fé dos doentes  

1.1. Mulher com hemorragia – Mt. 9.22: “Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E desde aquela hora a mulher ficou sã”.

1.2. Dois cegos – Mt. 9.28, 29, 30: “...E Jesus perguntou-lhes: Credes que eu posso fazer isto? Responderam-lhe eles: Sim, Senhor. Então lhes tocou os olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé. E os olhos se lhes abriram.”

1.3. Cego de Jericó – Mc. 10.52: “Disse-lhe Jesus: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente recuperou a vista, e o foi seguindo pelo caminho”.

(Um quarto episódio com Paulo – At. 14.9,10: “...e vendo que tinha fé para ser curado, disse em alta voz: Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou, e andava”.)

2 – Curas em que a fé parece não ter sido levada em consideração

2.1. – Paralítico do tanque de Betesda – Jo. 5.8, 9: “Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem ficou são; e, tomando o seu leito, começou a andar”.

2.2. – Mulher encurvada – Lc. 13.12, 13: “Vendo-a Jesus, chamou-a, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e impôs-lhe as mãos e imediatamente ela se endireitou, e glorificava a Deus”.

2.3. – Sogra de Pedro – Mt. 8.14, 15: “Ora, tendo Jesus entrado na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama, e com febre. E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou; então ela se levantou, e o servia”.
     
Com relação ao item “2” acima, eu disse “parece” porque não ficou registrado que as curas ocorreram em resposta a uma declaração de fé dos enfermos, no entanto não posso afirmar com certeza que aquelas pessoas não conheciam ou não acreditavam em Jesus. Por outro lado, em Mt. 13.58 está registrado que Jesus deixou de fazer muitos milagres em sua terra, Nazaré, “por causa da incredulidade deles”. Naturalmente, a incredulidade está associada à falta de fé. Portanto, na cidade dos nazarenos, não fé, não milagres. Parece que, do ponto de vista cristão, sem fé não pode haver cura.

A propósito dessa questão de ter ou não fé, há um grande equívoco na mente de muitos crentes. A pessoa se submete a um rigoroso tratamento médico e, em muitos casos, obtém êxito. Ao fim de um doloroso processo, declara: Deus me curou. Não, Deus não a curou, quem a curou foi a medicina.

Na realidade, a cura pode ser alcançada através da fé em Deus – ou em outros elementos da devoção humana – ou através da medicina, que envolve também, muitas vezes, a fé nos remédios ou nos médicos. Neste último caso, a fé não tem nada a ver com o sobrenatural. É simplesmente a crença, ou confiança, que o paciente deposita nos remédios, no tratamento ou na capacidade do médico. E isso não faz mal algum. Ao contrário. Faz bem, pois pode ajudar na recuperação e cura do enfermo. É algo similar ao efeito placebo.  

Vamos supor a seguinte situação. Determinada pessoa é acometida por uma grave enfermidade. Se não recorrer à medicina, morrerá daquela doença. Então ela faz um longo e rigoroso tratamento médico e, em consequência, alcança a cura.

Outro exemplo. Uma pessoa sofre um enfarte e, caso não se submeta a um procedimento cirúrgico emergencial, fatalmente morrerá. Ao invés disso, tal indivíduo se submete a uma delicada cirurgia cardíaca e volta a ter uma vida normal.

Mesmo tendo recorrido à medicina, tais pessoas foram curadas ou salvas pela soberana vontade de Deus?

Se a resposta é sim, devo perguntar: por que não ficar em casa esperando apenas pela soberana vontade de Deus? Por que os crentes vão ao médico? Deus precisa da medicina para curar alguém? Se Deus é onipotente, não há necessidade de tratamentos ou cirurgias para Ele curar. 

Outra consideração. Durante milhares de anos, a poliomielite e outras doenças infligiram enorme sofrimento à humanidade, deixando milhões de crianças paralíticas ou matando-as. Durante todo esse tempo a soberana vontade de Deus não interferiu para salvar essas crianças. Nos últimos cem anos a ciência descobriu diversas vacinas e milhões de crianças têm sido salvas em todo o mundo. Infelizmente, em países pobres da África e da Ásia milhares e milhares de crianças ainda morrem de doenças que há muito tempo foram erradicadas nos países mais ricos.

Sendo assim, isso quer dizer que a soberana vontade de Deus interfere para salvar as crianças dos países ricos através da medicina e para deixar morrer as crianças dos países pobres? Tal atitude não seria uma injustificável discriminação? Faz algum sentido pensar dessa forma?

Minha conclusão: cura pela fé nada tem a ver com cura através da ciência.

No entanto, posso estar equivocado.