segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Menos Diabo e mais argumentos racionais

Por Saulo Alves de Oliveira

Há pessoas que veem Satanás em tudo. Aquilo que não está de acordo com a sua interpretação pessoal das Escrituras é obra do Diabo. Não sabem apresentar um argumento racional para defender sua visão de mundo ou dos vários aspectos da vida – ou sabem, mas são fanáticos? Tudo é ação do demônio. E todos aqueles que destoam das suas regras, já estão condenados ao castigo eterno. A isso dá-se o nome de fundamentalismo.

Parece que há um prazer mórbido em ameaçar as pessoas com Satanás, demônios, juízo final, condenação eterna, cavaleiros do Apocalipse, choro e ranger de dentes, inferno... 

Não adianta amedrontar, com a Bíblia, pessoas que não creem na Bíblia. Não adianta ameaçar com o julgamento final e com o fogo do inferno quem não crê no julgamento final e no inferno. Apresente argumentos racionais e civilizados.

Por exemplo, não precisa forçar uma interpretação da Bíblia para condenar o tabagismo ou a pedofilia.

Não é preciso um exercício de contorcionismo hermenêutico para justificar na Bíblia um “Não fumarás”. Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que, considerando-se os males que o fumo traz ao corpo humano, não se deve fumar.

Não é necessário a Bíblia dizer “Não cometerás pedofilia” para que qualquer povo que viveu na barbárie, como, por exemplo, o Israel veterotestamentário, mas desenvolveu sua cultura moral até um estágio avançado de civilização, saiba que a pedofilia é moralmente inaceitável.

Portanto, menos Diabo e mais argumentos racionais.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O que você faria no lugar do João?

Por Saulo Alves de Oliveira

João é um crente fervoroso – não propriamente um evangélico ou protestante, mas crente no sentido de aquele que crê –, sincero e fiel. Um rigoroso cumpridor das Escrituras, pelo menos é assim que ele se autodenomina. Todas as pessoas que o conhecem julgam-no um ser humano equilibrado e em pleno exercício das suas faculdades mentais.
           
Bom filho, bom marido, bom pai, bom amigo... Trabalhador exemplar. Todos gostam do João.

Certo dia João recebe uma mensagem de Deus. A mensagem é uma ordem do Todo-poderoso para ele matar um infiel, ou alguém que acha que Deus não existe, alguém que acha que a crença em Deus é pura fantasia e, além disso, ridiculariza e zomba do Senhor de todo o Universo.

João tem certeza absoluta que foi Deus quem lhe falou e lhe deu tal ordem.

Veja bem: João não é um louco, e tem plena convicção de que falou com Deus, ou Deus falou com ele.

O que você acha que o João deve fazer?

Obedecer ou desobedecer a ordem de Deus?

O que você faria no lugar do João?    

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Argumento do tolo

Por Saulo Alves de Oliveira

Se todas as evidências apontarem para o evolucionismo, ainda assim eu continuarei acreditando no criacionismo.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Cinco regras simples para a vida

Por Neil deGrasse Tyson

1 - Questione a autoridade. Nenhuma ideia é verdadeira só porque alguém disse, inclusive eu.

2 - Pense por si mesmo. Questione-se. Não acredite em nada só porque você quer. Acreditar em algo não faz com que seja verdade.

3 - Teste ideias pela prova obtida após observação e experiências. Se uma ideia preferida não passar por um teste bem elaborado, está errada. Esqueça.

4 - Siga a prova aonde quer que ela o leve. Se não houver prova, não julgue.

5 - E, talvez, a regra mais importante de todas. Lembre-se, você pode estar errado. Até os melhores cientistas já estiveram errados em algumas coisas. Newton, Einstein, e todos os outros grandes cientistas da história, todos cometeram erros. Mas, é claro, eles eram humanos.

A Ciência é um jeito de não enganarmos a nós mesmos, e aos outros.

Se os cientistas pecam? Claro. Já usamos mau a ciência, assim como qualquer outra ferramenta à nossa disposição, e é por isso que não podemos deixá-la nas mãos de poucos poderosos. Quanto mais a ciência pertencer a todos nós, menor a probabilidade de ser mal utilizada.

Esses valores abortam os valores do fanatismo e da ignorância, e, afinal, o universo é basicamente escuro, com algumas ilhas de luz.

(Cosmos, temporada 1, episódio 13)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Fanáticos entrarão em êxtase ao ver um enorme cogumelo nuclear

Por Saulo Alves de Oliveira

O vídeo abaixo mostra a explosão da mais potente bomba já detonada pelos Estados Unidos. Chamava-se Castle Bravo e foi detonada no atol de Bikini, Ilhas Marshall, no Pacífico Sul, em 1954. A Castle Bravo tinha uma potência de 15 megatons, equivalentes a 15 milhões de toneladas de dinamite. O cogumelo nuclear que subiu aos céus, formado por uma mistura de fogo, fumaça e destroços atingiu uma altura de cerca de 35 quilômetros.

No entanto, a Castle Bravo não foi a mais potente bomba nuclear detonada pelo ser humano. O primeiro lugar cabe à bomba Tsar, detonada pela então União Soviética em 1961. A Tsar tinha uma potência de aproximadamente 50 megatons, equivalentes a 50 milhões de toneladas de dinamite, ou a 3.300 vezes a potência da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em 1945 sobre a cidade japonesa de Hiroshima. O cogumelo nuclear do pavoroso monstro Tsar alcançou a altura de 64 quilômetros, sete vezes a altura do monte Everest.     


Eu espero que alguns loucos, senhores deste mundo, não nos levem a um holocausto nuclear. Os sinais não são nada animadores. Por dinheiro, pelo poder ou pela religião eles fazem qualquer coisa, inclusive matar, torturar e destruir. Ironia: talvez não haja vencedores numa guerra nuclear.

Nesse contexto, e se isso acontecer, eu tenho a impressão de que alguns cristãos fundamentalistas sentirão um enorme prazer ao verem na televisão – se a sua própria cidade não for o alvo – a suprema demonstração da estupidez humana, a barbárie em seu mais alto grau, ou seja, a explosão de uma bomba nuclear, preferencialmente lançada sobre uma das grandes cidades do mundo – Nova York, Moscou, Pequim, Tel Aviv, Londres, Teerã –, sacrificando assim milhões de vidas e infligindo ao planeta enorme destruição.

Atribuem a Albert Einstein a seguinte frase: “Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus”.

E por que esse prazer mórbido?

Cumprimento das Escrituras e, consequentemente, a iminente volta de Jesus.

“E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque é forçoso que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.”  

Do outro lado do quadro – mais uma demonstração da estupidez humana –, talvez outros loucos levantem as mãos para os céus e exclamem: “Graças te dou, oh! Pai, porque vejo o cumprimento da tua Palavra”.

Parece que alguns lunáticos estão trabalhando intencionalmente para “apressar” o cumprimento das terríveis profecias, pois só assim acontecerá, acreditam suas mentes doentias, o tão esperado Segundo Advento.  

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os habitantes da nova Terra terão livre arbítrio?

Por Saulo Alves de Oliveira

De vez em quando eu me vejo refletindo sobre a questão do livre arbítrio. O livre arbítrio, embora tenha alguns aspectos questionáveis, me parece um tema muito mais palatável, e até certo ponto racional, do que a doutrina da predestinação, uma das coisas mais terríveis e injustas que eu já ouvi falar.  

De acordo com o criacionismo, Deus fez pessoalmente o primeiro casal e o colocou num lugar chamado Jardim do Éden, há cerca de 6.000 anos. A teologia cristã também diz que Deus os fez, homem e mulher, com o livre arbítrio, ou seja, com a capacidade de escolher ou o bem ou o mal, pois, se não tivessem livre arbítrio, os primeiros seres humanos seriam como robôs, verdadeiros autômatos, isto é, indivíduos que obedeceriam à vontade alheia e não por escolha própria. Portanto, homem e mulher obedeceriam a Deus por obrigação, não por opção. Consequentemente, não seriam felizes. Mais ou menos assim tentam justificar os defensores do livre arbítrio.

Lamentavelmente, porém, os primeiros seres humanos escolheram o mal, isto é, se rebelaram contra Deus, e, como consequência dessa escolha voluntária, toda sorte de males – doenças, injustiças, guerras, dores, fome, morte, calamidades naturais, pestes, trabalho pesado... – caíram sobre si e sobre todos os seres humanos que vieram depois, e ainda hoje a humanidade paga pelo erros de Adão e Eva.

(Desculpem-me, mas essa é uma teologia em relação à qual eu não tenho nenhuma simpatia. Eu não posso ser responsabilizado por erros cometidos por outras pessoas há cerca de 6.000 anos. Eu não posso ser responsabilizado nem ao menos pelos erros dos meus pais. Por que eu deveria sofrer as consequências de erros cometidos quando eu nem sequer existia? Eu sou responsável e devo pagar pelos meus próprios pecados.)

Todavia, de acordo com a Bíblia, Jesus veio ao mundo para redimir o ser humano e assim restaurá-lo à sua condição primeira, e essa redenção dar-se-á também com a criação de novo Céu e nova Terra, onde os salvos, isto é, os seres restaurados, irão morar. Deus restaurará a Terra à sua condição original.

Com esses pensamentos em mente, eu estava me questionando: os habitantes da nova Terra terão livre arbítrio?

Alguém pode achar que é uma pergunta tola, mas não é. Qualquer que seja a resposta ela encerra implicações profundas.

Senão, vejamos.

Se haverá livre arbítrio na nova Terra, acho que é perfeitamente razoável que se faça a seguinte pergunta: nesse lugar de criaturas livres haverá liberdade de escolha, e Deus também permitirá a possibilidade dos seres restaurados escolherem o mal, como fez no princípio?

Se a resposta for sim, isso quer dizer que também haverá a possibilidade de nova queda e aí nós poderemos entrar numa sequência interminável de quedas e restaurações.

Se a resposta for não, então haverá apenas uma restauração de todas as coisas, entretanto isso quer dizer que os seres desse novo Céu e nova Terra, preparados por Deus, não terão a liberdade de escolher o mal, portanto eles serão como autômatos, sem o direito de fazer escolhas entre o bem e o mal.

Todavia, isso nos leva a outra questão: nessa nova condição de autômatos, os seres restaurados serão felizes?

Se sim, concluo que Deus poderia ter adotado essa mesma solução no princípio da Criação, o que teria evitado, evidentemente, todos os problemas e todo mal e sofrimento que a humanidade tem enfrentado até hoje em consequência da queda dos nossos primeiros pais.

Se não, então serão autômatos e infelizes, portanto na nova Terra, no lugar que Deus preparou para os seres humanos restaurados, haverá sofrimento, haja vista que infelicidade também é sinônimo de sofrimento.

Há, talvez, outras considerações a fazer. Por exemplo: alguém pode alegar que o princípio, a causa primeva do mal, Satanás, estará preso em prisões eternas e dessa forma não poderá mais investir contra a Criação restaurada. Lamentavelmente, esse fato não resolve a questão em definitivo, posto que, se assim é, por que Deus não adotou essa solução no princípio da Criação?

Bom, acho que é melhor ficar por aqui. Parece-me que o assunto é bastante complexo. Esta pequena reflexão é só para instigá-lo a pensar... o que eu já venho fazendo há um bom tempo. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Oh! Quanto altruísmo!

Por Saulo Alves de Oliveira

Quando um cristão “salvo e remido no sangue de Jesus” (sic) chama a Presidente Dilma de anta ou o Lula de molusco, meu ser exclama: Oh! Quanto altruísmo! Esse é o verdadeiro cristão regenerado, transformado. Realmente, para ele ou ela as coisas velhas se passaram, e eis que tudo se fez novo!

Eu sei que há substantivos ou adjetivos bem mais jocosos do que estes, portanto mais compatíveis com todos os ensinamentos do mestre dos cristãos. Mas, anta e molusco, são tão legais, não é mesmo? Soam tão agradáveis. Melhor que ladrão, nove dedos, quadrilheiro, Ali Babá, etc.

É uma demonstração tão grande de amor ao próximo que me emociona. É o tipo de pessoa que vai direto para o Céu, nem sequer passa no cemitério.

Joga Fidel Castro nas profundezas do inferno e deseja que o Lula vá encontrá-lo lá em breve. Lá mesmo, na morada de Satã. Quanto amor, meu Deus! O coração dessa pessoa deve estar cheio de bondade, pois a boca fala do que o coração está cheio.

Uma demonstração de espírito muito elevado é chamar os adversários políticos de esquerdopatas. Eu vibro com isso e meu espírito também se regozija. E quando sai da boca de um pastor, melhor ainda. Eu sinto uma verdadeira explosão de alegria quando leio ou escuto tais expressões. Que belo exemplo!

É tão inspirador que às vezes eu sou tentado a seguir o exemplo desses cristãos sinceros e contritos. Ainda não cedi à tentação, mas quem sabe, em breve...

Afinal, não foi exatamente isso que Jesus ensinou?

Ele disse assim: “Quando alguém te bater na face direita, reaja com a mesma intensidade, ou melhor, com maior intensidade, de preferência com o punho cerrado, na sua face esquerda”.

Vejam só, Ele disse bata na esquerda!

É isso pessoal, os cristãos, os verdadeiros discípulos de Cristo, devem xingar e continuar xingando com veemência seus adversários políticos, pois são exemplo para o mundo, além de serem o sal da Terra.

Se o cristão não salgar, o mundo apodrece, não é mesmo?

Para que serve o sal se for insípido? Para que serve o cristão que trata a todos com respeito? Discorda com educação? E está pronto a responder com mansidão? Para nada, não é? Serve apenas para ser pisado pelos esquerdistas filhos de Satã, os quais, quer acreditem ou não, serão lançados no lago de fogo eterno.

E quando Jesus separar os bodes das ovelhas, todos os cristãos que querem acabar com a anta e esmagar o molusco, com certeza estarão entre as ovelhas.

E ouvirão as seguintes palavras: “Vinde benditos de meu Pai, para o lugar que vos está preparado desde a fundação do mundo, pois quando vós xingastes os vossos adversários, estáveis fazendo exatamente a vontade do meu Pai”.

(Aqui pra nós: bodes são os esquerdopatas, a anta e o molusco.)