sábado, 12 de abril de 2014

Mentiras? Não. Fatos? Sim

Não aos boatos mentirosos; sim aos fatos comprovados.

Qualquer pessoa tem todo o direito de se manifestar contrariamente aos governos cubano, venezuelano e, obviamente, ao brasileiro, este último sob a administração do Partido dos Trabalhadores. Também tenho minhas reservas em relação a todos eles.

Qualquer pessoa tem todo o direito de ser contrária ao programa Mais Médicos, ao Bolsa Família, ao Lula, à Dilma, ao PT, etc.

Não é isso que estou questionando. Cada um deve agir política e ideologicamente de acordo com seus princípios, convicções e sua consciência.

Qualquer pessoa tem todo o direito de fazer campanha para que as outras pessoas não votem na Dilma ou em qualquer outro candidato do PT, pelos mais diversos motivos.

Eu também tenho todo o direito de não desejar a volta do PSDB, e muito menos dos Democratas, ao poder. Se depender de mim, isso jamais acontecerá. Não quero no Brasil, o meu País, um governo entreguista nem subserviente aos EUA.

Mas não tenho o direito de divulgar notícias não verdadeiras que denigrem a imagem de qualquer pessoa ou instituição, como, por exemplo, os Srs. Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves ou mesmo o nosso conterrâneo José Agripino Maia. 

Lamentável e vergonhosamente isso é frequente na internet.

Há meses, um pastor – vejam vocês, um pastor! –, que eu sei que muitos conhecem, divulgou uma capa falsa de uma revista com uma notícia forjada acerca de um político brasileiro. Qual era a sua intenção?

Também há alguns meses vários evangélicos divulgaram e compartilharam uma notícia falsa acerca do Deputado Jean Wyllys. A notícia dizia que ele, em entrevista à radio CBN, teria feito afirmações execráveis sobre a pedofilia. A própria CBN desmentiu a notícia. No entanto a informação se espalhou e muitos incautos certamente acreditaram, pois a compartilharam, compartilharam e compartilharam. Ninguém é obrigado a concordar com a moral ou com os princípios defendidos pelo Sr. Jean Wyllys, todavia ninguém tem o direito de difamá-lo. Querem combatê-lo? Tudo bem. Combatam com a verdade!

Eu, por exemplo, não tenho nenhuma simpatia por algumas posições políticas ou religiosas dos Srs. Silas Malafaia, Marcos Feliciano, Edir Macedo, Valdemiro Santiago, RR Soares e muitos outros, porém não tenho o direito de divulgar nem sequer uma notícia falsa acerca de qualquer um deles. Isso é um princípio moral fundamental de quem vive em uma sociedade que se pretende educada ou civilizada.

No tocante a isso, eu defendo o Sr. Silas Malafaia e os outros tanto quanto o Sr. Jean Wyllys.

Esta é a grande questão. Não é só bom conferir, como sugeriu um pastor bem conhecido na região. É minha obrigação como cidadão checar se uma notícia que denigre a imagem de alguém ou de uma instituição é verdadeira ou não antes de divulgá-la. Qual site a divulgou? É um site sério? É feito por pessoas responsáveis? Eu mesmo ouvi a pessoa dizer aquilo? Qual o interesse de quem a divulgou?

Acho que muitos conhecem bem a história dos pequenos pedaços de algodão ou das penas jogadas ao vento do alto de um edifício, não é? Alguém pode reuni-las todas novamente?

A notícia é compartilhada por várias pessoas, com ou sem má fé. Quanto a esta última alternativa, tenho lá minhas dúvidas. Quem sabe mesmo quantos mais a compartilharam! O estrago já está feito e não tem como voltar atrás.

Se tal atitude procede de pessoas com baixo nível moral e sem formação intelectual consistente, de má índole, não é surpresa alguma. Porém, se procede de alguém com boa educação, caráter inquestionável, boa formação profissional, intelectual e espiritual, confesso-lhes que para mim é profundamente decepcionante e me deixa muito triste mesmo. É que não espero tal comportamento dessas pessoas.

Acho também que não preciso apresentar argumentações bíblicas para embasar meu entendimento, pois sei que muitos conhecem a Bíblia bem melhor do que eu, e isso é bíblico. E ainda que não fosse, esses são aspectos morais ou éticos que eu defendo independentemente de estar ou não na Bíblia.

Para concluir, e para ser coerente, quero registrar o seguinte: se algum dia, no Facebook, no meu blog, ou em qualquer outra circunstância vocês tomarem conhecimento de que eu divulguei uma informação falsa acerca de quem quer que seja, por favor chamem a minha atenção, mostrem-me que estou errado e eu de imediato farei a devida correção.

Saulo Alves de Oliveira

domingo, 6 de abril de 2014

Sem meu Pai

No dia dezenove de março passado completei mais uma volta ao redor da esplendorosa estrela que “nasce” todas as manhãs e se “vai” ao final do dia num espetacular crepúsculo.

Mais uma volta que se acrescentou às outras cinquenta e sete já completadas.

Foi o meu primeiro aniversário sem Sebastião Alves, meu velho e querido Pai.

Por que a vida tem de ser assim?

Por que as pessoas que nós amamos vão embora e não voltam nunca mais?

Nesse mesmo dia, ano passado, ele esteve aqui na minha casa, disse o tradicional “meus parabéns meu filho”, me deu um abraço e um beijo, e uma pequena lembrança.

Depois, nos sentamos na varanda e conversamos alegremente.

Ele nos contou coisas que nunca havia falado antes.

Foi a última vez que me visitou.

Nunca mais meu velho e querido Pai me dirá “meus parabéns meu filho”.

Jamais o verei sentado na varanda da minha casa.

Será que não era suficiente Maria Carlos, minha Mãe, ter ido embora em 2006?

O que me resta?

A saudade.

E conformar-me, pois esta é a vida real.

Saulo Alves de Oliveira

sábado, 22 de março de 2014

Quanto ingenuidade!

Quando eu era criança e depois na minha juventude, acho que por conta dos ensinamentos que recebi dos meus pais e na minha igreja, eu pensava que todos os crentes – ou evangélicos – eram pessoas diferentes das outras, dos lá do “mundo”, como é comum os crentes chamarem os não crentes.

(Quando a palavra crente é apenas sinônimo de evangélico, tudo bem. Não vejo nada demais. Porém, quando crente é antônimo dos lá do “mundo”, e este último pronunciado com uma entonação arrogante e pejorativa...)  

Eu pensava que ser crente era sinônimo de amar o próximo, não mentir, defender a verdade a todo custo, não fraudar, não se vingar, não difamar, não vender a consciência, não comprar consciência, não acusar sem provas, não buscar os seus próprios interesses, não roubar e muitas outras coisas nesse sentido do bom caráter.

Eu pensava que os pastores, aqueles “homens santos”, conversavam diretamente com Deus e tudo decidiam ouvindo Deus lhes falar ao ouvido. É isso mesmo. É verdade. Acreditem!

Quanto ingenuidade! (Podem exclamar, amigos).

Hoje, lamentavelmente eu descobri que, como em qualquer ajuntamento social, há crentes bons e crentes maus. Há crentes que mentem, fraudam, vingam-se, difamam sem o menor escrúpulo, vendem ou compram consciências, roubam e fazem tudo o mais que qualquer um lá do “mundo” faz.

Eu descobri ainda que muitas decisões são tomadas segundo os interesses políticos e pessoais de quem está liderando. E o que é mais triste: divulgam que aquela é a vontade de Deus. E os estultos dizem sim.

A grande diferença é que hoje nem estes nem aqueles fazem mais a minha cabeça.        

Se neste momento passa pela sua mente a parábola do trigo e do joio, saiba que não cabe aqui, pois não estou comparando trigo e joio, mas trigo e uma erva daninha conhecida popularmente como carrapicho.

Saulo Alves de Oliveira

terça-feira, 11 de março de 2014

Por que Deus mandou matar?

Uma amiga me enviou um vídeo que trata de uma questão muito polêmica: “Por que Deus mandou matar?” O apresentador mostra “evidências” que, segundo seu entendimento, justificam as matanças com requintes de crueldade, os assassinatos e os genocídios na Bíblia.

Não sei se a minha amiga concorda com todas as justificativas apresentadas pelo comentarista do vídeo, porém eu penso que ela tem um senso moral acima da média, pois sua atitude certamente demonstra que ela se preocupa e reflete acerca de questões contidas na Bíblia tão complicadas e difíceis de “digerir”.

Assista-o, vale a pena, com certeza ajudará você a consolidar sua opinião acerca desse tema, quer seja favorável, quer seja contrária. Clique aqui para assisti-lo. 

Quanto a este beócio opinador... bem, o que posso dizer? Lamentavelmente, nada do que o comentarista argumentou me fez mudar de opinião.

Falar em questão cultural ou que Israel estava retomando suas terras não justifica o assassinato e o extermínio de inocentes ou de povos inteiros, pois não estamos falando de decisões tomadas por seres humanos, mas pelo próprio Deus, que certamente não está limitado pela cultura humana.

Deus tem ou não o poder de estabelecer padrões morais eternos? 

Se havia alguma justificativa, se é que havia, para mandar matar os adultos, nada justifica o assassinato e o extermínio de crianças e animais. Por que matar crianças e animais? Qual o pecado deles? Se Deus é onipotente, ou seja, tudo pode, Ele não poderia ter sido seletivo com os maus?

Deus é soberano, alegam alguns. Sim, mas Ele pode passar por cima da sua própria Palavra? Diz-nos a Bíblia: “A alma que pecar essa morrerá” – Ez. 18.20 e “Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado” – Dt. 24.16. Aqui, no entanto, há um sério problema, pois em Ex. 20.5 o Senhor diz: “...Sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam...”, o que parece contradizer Dt. 24.16. Todavia, essa é uma outra questão para outro momento.  

O problema é sempre este. Para qualquer dificuldade bíblica, as pessoas sempre encontram uma forma de justificar o injustificável. Por que não admitir logo como o pastor americano John Piper, que diz que Deus mata do jeito que Ele quiser, pois não deve satisfação a ninguém? Ele mata com uma bala, com uma explosão – fazendo a pessoa “voar” em pedaços pelos ares num atentado terrorista –, com uma grave doença ou ainda, como no passado, usando o exército de Israel como agente executor do seu desígnio.

Essa teologia também é terrível, portanto tenho uma enorme dificuldade de me relacionar com o Deus de John Piper, apesar de julgar que sua opinião é mais compatível com a realidade e com a Bíblia.                

Citar o caso de Sodoma e Gomorra como exemplo de cidades iníquas para justificar a destruição daqueles povos, em nada facilita a questão, pois “não havia pelo menos 10 crianças – seres justos, ou não? – naquelas localidades que assim evitassem sua destruição, como prometeu o Senhor?”

Ao final do vídeo, o comentarista cita o complicadíssimo caso de I Sm. 15.3: “Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos”. E, para contornar a dificuldade, ele levanta a hipótese de linguagem hiperbólica, isto é, não era bem aquilo que o Senhor ordenara. Um verdadeiro exercício de contorcionismo mental para justificar algo que já está evidente.

Na realidade, o texto é claríssimo. Leia todo o capítulo de I Sm. 15 e você verá inclusive que Saul foi rejeitado como rei de Israel porque não cumpriu toda a ordem do Senhor, pois preservou o melhor do rebanho. Deus mandou destruir tudo, tudo mesmo, inclusive as crianças e os recém-nascidos (sic).

Sei, no entanto, que a questão é muito difícil e polêmica, pois está na Bíblia, a regra de fé e prática cristã, e conflita com os princípios morais que nós julgamos aceitáveis como seres humanos conscientes e por isso procuramos uma justificativa. Todavia, será que há?

Eu precisei de muitos anos para digerir isso e muito mais. Entretanto, o mais importante é estar em paz consigo mesmo e com a consciência. E eu estou, não aceitando justificativas para toda essa inominável carnificina.

E paz é o que eu desejo também a você que perde um pouco do seu tempo lendo este texto de um aprendiz de aprendiz na arte da escrita.

Ademais, não deixe de assistir ao vídeo “Por que Deus mandou matar?” e tirar suas próprias conclusões.

Saulo Alves de Oliveira

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Jesus, os porcos e o gadareno


Eu nunca entendi certas atitudes de Jesus.

Alguém pode até afirmar: “É porque você não tem fé”; ou “É porque você não tem intimidade com o Espírito Santo para compreender a Palavra de Deus”; ou “É porque você ainda não conhece a Deus em profundidade ou não está receptivo a Sua voz”; ou “Deus é soberano e faz o que Ele quer e não deve satisfação a ninguém”; ou ainda, quem sabe, qualquer outra justificativa similar ou mais contundente.

Bem, pode ser, mas vamos ao caso.

Em Mc. 5.1-20 está registrada a história do endemoninhado gadareno, ou geraseno. O homem é identificado como gadareno certamente porque era da cidade de Gadara, localizada no que é hoje o território da Jordânia, país vizinho a Israel. Gadara ficava a cerca de oito quilômetros do rio Jordão e a quase dez quilômetros do mar da Galiléia. Hoje, sobre o sítio das ruínas da antiga Gadara, está localizada a cidade jordaniana de Umm Qais.

Não vou contar toda a história. Vou direto ao ponto que quero ressaltar.

Ao encontrar o homem possesso, Jesus expulsou os demônios que o atormentavam havia muito tempo. Eram muitos os espíritos maus, pois, quando Jesus perguntou pelo seu nome, ele respondeu: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”.

Nesse episódio, entretanto, há uma atitude de Jesus que me incomoda há muito tempo. Ao invés de mandá-los para as profundezas do inferno ou para outro lugar qualquer, ou, quem sabe, destruí-los, Jesus os mandou para uma manada de porcos que pastava nas proximidades – cerca de 2.000 animais. Atordoados, os animais caíram no mar e todos morreram afogados.

Será que a atitude de Jesus deveu-se ao fato dos porcos naquela época, segundo a Lei Mosaica, serem considerados animais imundos? Se é assim, que culpa tinham aqueles animais da sua imundície?

Eles não fizeram a si próprios. Eles foram “criados” da mesma forma que qualquer outro animal. Do ponto de vista dos porcos, eles viviam de forma natural como qualquer outro animal e tinham o comportamento que a própria natureza lhes determinou. Os porcos não tinham consciência do fato “sou um animal imundo”.

Depois que os porcos morreram, os espíritos imundos continuaram existindo ou desapareceram?

Se continuaram existindo, de nada adiantou sua morte. Jesus poderia ter evitado esse sacrifício inútil simplesmente mandando os espíritos maus para qualquer outro lugar, desde que não fossem corpos de seres vivos.

Se com a morte dos porcos os demônios foram extintos, Jesus também poderia ter evitado o sacrifício dos animais. Bastaria tão somente que, com o poder da sua palavra – não foi exatamente isso que aconteceu? –, Ele destruísse todos os espíritos maus que atormentavam o gadareno. E deixasse os pobres animais seguirem o ciclo de vida que a natureza lhes reservou. Simplesmente foge à minha percepção a necessidade de matá-los.  

Como já disse, até hoje nunca entendi essa atitude de Jesus.            

Saulo Alves de Oliveira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Referencial bruxuleante. Será que vai apagar?

A propósito de recentes notícias acerca de Cuba, este foi um dos comentários que eu li na internet:
“Ah, mas nossa presidenta fez uma doação generosa à ditadura cubana, para a construção do bem equipado porto de Mariel! Como ela é generosa, com nosso dinheiro!”
As palavras acima são de autoria de alguém que já foi um referencial em minha vida, especialmente na minha juventude e parte da vida adulta.

Todos sabemos, pelo menos quem se mantém minimamente informado, que o Brasil não fez doação alguma a Cuba e sim um empréstimo, via BNDES, para construção de um moderno porto naquele país. E, segundo alguns especialistas, é um bom negócio para o Brasil.

Veja aqui entrevista com o diretor da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo –, Thomaz Zanotto, acerca do tema. Veja também, no mesmo site, a opinião da polêmica jornalista Rachel Sheherazade.

Dessa forma, não sei qual a intenção do autor da frase, já que se trata de uma pessoa bem esclarecida, que tem formação profissional exatamente nessa área.

Pela posição que o autor da frase ocupa na sociedade, essa atitude é extremamente lamentável, haja vista que muitas pessoas desavisadas poderão repercutir suas palavras como uma verdade inquestionável. 

Para mim, portanto, é profundamente decepcionante mesmo, pois, apesar de não concordar com algumas de suas opiniões políticas, eu sempre o tive em alta conta e respeito.     

Todos temos pessoas que foram ou são nossos referenciais. Nossos pais, um professor, um amigo, um pastor, um padre, um escritor, etc.

É lamentável quando alguém que já foi nosso referencial tem uma postura questionável ou escreve algo que, pelo seu conteúdo implausível, nos decepciona.

Quando tal pessoa divulga algo que a gente sabe que essa pessoa sabe que não é verdade, pelo seu nível intelectual e pela sua formação profissional, aí a coisa toma uma dimensão muito mais grave.

É muito comum pessoas inescrupulosas divulgarem na internet notícias ou opiniões que não são verdadeiras, muitas vezes difamando “desafetos” ou mesmo instituições. E isso causa um prejuízo enorme ao difamado, especialmente quando divulgado por alguém que tem dezenas, centenas ou até milhares de discípulos, e estes têm aquele referencial como uma personalidade cujas palavras são a expressão da verdade.

É o que nós podemos chamar de “testemunho de autoridade”. “A autoridade falou, quem sou eu para questionar?” Felizmente, eu já ultrapassei essa etapa intelectual primária há muito tempo. Para mim, não há quem não possa ser questionado, em qualquer área do conhecimento humano, da ciência à religião.  

Quando afirmações sem consistência procedem de pessoas precipitadas, despreparadas ou mal intencionadas mesmo, nós podemos até pensar: dessa mente deformada ou, quem sabe, que recebeu algum tipo de lavagem cerebral, só pode sair isso mesmo. Porém, quando vem de alguém que já foi nosso referencial, com todo o preparo intelectual que sabemos que tem, é profundamente lamentável.

Não tenham dúvidas, só nos cabe uma alternativa: rever o que ainda nos resta dos referenciais relacionados àquela pessoa.

Saulo Alves de Oliveira

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Otimismo versus fantasia

Parece-me que algumas pessoas confundem otimismo com fantasia ou realidade com pessimismo.

É evidente, conviver com pessoas pessimistas, que só veem o lado negativo das coisas e que pensam que tudo vai dar errado, é extremamente desagradável. Mas estar ao lado de alguém dominado por ideias místicas, que vive fora da realidade e que não observa que coisas boas e coisas más acontecem a todos, independentemente de suas crenças ou sua fé, também é extremamente desagradável.

É bom conviver com pessoas de bem com a vida, que nos colocam pra cima, que nos estimulam a lutar e a vencer. Certamente, estar de bem com a vida é ser otimista porém também é vê-la com realismo, sem fantasias, muitas vezes proporcionadas pela própria religião.

Se alguém se conforta com frases consoladoras irreais, ou com profecias genéricas, jogadas sem direção, do tipo “Tua vitória está próxima”, que vale pra qualquer pessoa e em qualquer situação, é uma escolha pessoal e não me cabe julgar. Só posso dizer que para mim isso e nada é a mesma coisa.

Na realidade, eu prefiro uma verdade dura do que uma fantasia consoladora.

“Tua vitória está próxima”. Qual vitória? Quando acontecerá?

Quando se atira várias vezes às cegas, é provável que em algum momento alguém será atingido.  “Tua vitória está próxima” lançada aos quatro ventos certamente coincidirá, em algum momento, com a cura ou com a solução do problema de algumas pessoas, e estas, se forem místicas, dadas a uma devoção religiosa irracional, tomarão tal fato como cumprimento daquela palavra. Entretanto, aquilo aconteceria de qualquer forma. Trata-se apenas de uma simples coincidência.   

Voltando à questão do otimismo versus fantasia e realidade versus pessimismo, vou tentar ser mais claro com um exemplo bem simples.

Imaginem as seguintes situações:

1) Alguém vai fazer um concurso. Para isso, tal pessoa se dedica totalmente aos estudos, dia e noite e nos finais de semana. Abdica, inclusive, de certas diversões durante esse tempo. Folga?, só o suficiente para não ficar deprimida. Na véspera do concurso, essa pessoa está nervosa e insegura quanto ao seu desempenho e ao resultado das provas, o que é normal. Um amigo, para incentivá-la, diz-lhe que não se preocupe pois ela está bem preparada para enfrentar aquelas provas e que é um forte candidato a ser aprovado na disputa. Diz-lhe ainda que ela está em pé de igualdade com todos os outros ou até em melhores condições devido o seu empenho e que tem todas as condições de sair-se vencedora. E diz mais: “Confie na sua capacidade e no seu esforço”.                

2) Alguém vai fazer um concurso. Entretanto, tal pessoa não dá a mínima atenção aos estudos. Só quer divertir-se dia e noite e nos finais de semana. Suponhamos mesmo que, sendo um crente, vá todos os dias à igreja, à noite, e, nos finais de semana, passe o sábado e o domingo na igreja (ensaios, círculo de oração, escola dominical, reuniões, culto, ou missa, se católico, etc.). Na véspera do concurso, essa pessoa está nervosa e insegura quanto ao seu desempenho e ao resultado das provas. Um amigo, para incentivá-la, diz-lhe que não se preocupe pois “O Senhor está com você” e “Ele dará ordem aos seus anjos para que te segure nas mãos para que você não tropece”, ou ainda “Tua vitória já está decretada”.

Pergunto:

- Qual dos dois amigos é o otimista e qual é o fantasioso?

- Qual é o realista?       

Sejamos, portanto, todos otimistas mas sempre com os pés no chão.

Fantasias? Deixemos para as crianças.

Quanto ao pessimismo, vou dizer como diz minha netinha de 6 anos quando lhe proponho algo que ela não gosta: nem pensar.

Saulo Alves de Oliveira