domingo, 12 de dezembro de 2021

Escolhida desde o ventre!?

Por Saulo Alves de Oliveira

Às vezes nós escutamos coisas que nos chamam atenção de modo especial. Pode ser uma única frase. Já se passaram alguns anos quando eu ouvi uma mulher afirmar “Eu fui escolhida por Deus desde o ventre da minha mãe”. Na realidade, tratava-se de uma pregadora evangélica, acho que ainda o é.

No momento, me veio à mente a seguinte pergunta: será que eu também fui escolhido desde o ventre da minha mãe? Sinceramente, não sei!

Bom, tal pergunta me leva a duas outras inevitáveis questões: qual é o critério que Deus utiliza para escolher as pessoas? Por que Ele não escolhe todas ou todos desde o ventre da mãe?

Para alguns, talvez a resposta às duas perguntas seja: “Sua soberania”. Penso que não satisfaz.

Se ela não estava fantasiando – o que é bem provável – ou a soberba não lhe subira à cabeça, só há uma explicação: predestinação. Deus escolhe uns para glória e outros para a vergonha. A predestinação é uma das coisas mais terríveis, mais injustas que já ouvi falar, isto é, Deus escolhe ao seu arbítrio, pela sua soberania, quem vai ser salvo e quem vai ser condenado.

Um detalhe controverso: os defensores dessa doutrina provam que ela é bíblica. Já os contrários à predestinação provam que ela não é bíblica e, por sua vez, bíblica é a doutrina do livre arbítrio.

A verdade é que ninguém se torna um ser existente por escolha própria. Ninguém, antes de ser concebido, é colocado frente à seguinte bifurcação, isto é, ao direito de escolha: quero existir ou não quero existir. Apesar disso, muitos já nascem destinados à condenação eterna ou à vergonha? Existe algo mais terrível e injusto do que a predestinação?

E você, também foi escolhido desde o ventre da sua mãe? 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Profecias

Por Saulo Alves de Oliveira

Profecia 01
- Vai chover em 2022

Profecia 02
- Vai chover no Brasil em 2022

Profecia 03
- Vai chover no Rio Grande do Norte em 2022

Profecia 04
- Vai chover em Natal no próximo ano

Profecia 05
- Vai chover em Caicó no próximo ano

Profecia 06
- No dia 05 de setembro de 2022, fortes chuvas cairão sobre a cidade de Caicó. As chuvas terão início às 15:55 h e sua duração será de 13 horas e 35 minutos. A precipitação pluviométrica em todo o período será de exatos 92,3 mm. Com tal precipitação, o açude Itans transbordará durante 5 horas com uma lâmina d’água máxima de 50 cm sobre o seu vertedouro.

(Caso algum dado não corresponda a uma situação possível, registro o meu pedido de desculpas aos conhecedores da climatologia local. Trata-se apenas de uma situação hipotética.)

Considerando a possibilidade de verificação de cada detalhe e de ter o seu cumprimento confirmado ou não, qual, dentre as “profecias” acima, na sua opinião, pode receber a chancela de verdadeira profecia? Observe que, das seis supostas “profecias”, as cinco primeiras têm 100% de chance de ocorrer. Pelo que se conhece de climatologia, é absolutamente provável que em algum momento do próximo ano chova em algum lugar do mundo, do Brasil, do Rio Grande do Norte, de Natal ou mesmo de Caicó, apesar desta última se tratar de uma cidade muito quente e seca. Portanto, esse tipo de “profecia” não tem valor algum. A “profecia” que diz o óbvio, que tem vários desfechos possíveis, que se aplica a diversas situações ou igualmente a várias pessoas ou cujo cumprimento é algo natural e inevitável, isto é, acontecerá de qualquer forma, haja “profecia” ou não, não é uma profecia verdadeira, pois não é falseável.

A última previsão, todavia, pode ser considerada uma verdadeira profecia, visto que suas informações são objetivas e improváveis de acontecerem, em conjunto, naturalmente. Tais dados são passíveis de serem falseados e podem ser devidamente checados de forma objetiva no tempo estabelecido. Portanto, o profeta que os prever e acertá-los deve ter sua capacidade de previsão no mínimo considerada e estudada.

Dizer que uma profecia não é falseável é dizer que o profeta que faz a previsão do evento, ou eventos, não pode ter a sua honestidade intelectual examinada e confirmada ou não, haja vista que o acontecimento objeto da profecia ocorrerá de qualquer forma, ou seja, independentemente de qualquer suposta profecia, como é o caso, por exemplo, de “Vai chover no Brasil no próximo ano”. É impossível comprovarmos se se trata de um falso profeta ou não, pois, conforme o histórico da climatologia do país, o tal fenômeno de chuvas no Brasil no próximo ano é inevitável.

Observem, no entanto, a seguinte profecia: “No dia 07 de dezembro de 2022 haverá um terremoto no oceano Atlântico às 20:30 h de Brasília, o foco do abalo sísmico se dará a 15.000 metros de profundidade com epicentro nas coordenadas geográficas X e Y e atingirá 7,5 graus de magnitude na Escala Richter”. Essa é uma previsão falseável, visto que tal evento poderá acontecer ou não, pois terremotos são eventos aleatórios. Sendo assim, o profeta que predisser tal sismo, com esse nível de detalhes, e suas previsões se confirmarem, certamente merece crédito.

Durante muitos anos eu convivi ativamente em um meio no qual profetas e profecias eram muito comuns, todavia, infelizmente, a maioria genéricas e, subjetivas, aplicavam-se a diversas pessoas ou circunstâncias, tais como: “Tenho um grande trabalho para ti e, se me obedeceres, farei uma grande obra através das tuas mãos”, “Nuvens negras se aproximam desta Nação”, “Se atentares para a obediência, a tua vitória será grande”, “Há um grande futuro preparado para ti se continuares no caminho que teus pais te ensinaram”, “Te levarei para uma grande cidade, lá tu continuarás me servindo”, “A resposta à tua oração naquela madrugada no teu quarto é sim” ou, ainda, “Quando as águias que rastejam e passeiam pelo céu derrubarem os dois grandes chifres na poderosa cidade, surgirá no oriente uma fulgurante estrela de brilho intensamente amarelo, cujo esplendor, incomparável, 50 anos depois, cobrirá toda a Terra”, e por aí vai. Percebam quão genéricas são tais palavras.

(Certa vez uma famosa profeta, cuja reputação era das grandes no meio evangélico, consultada por muitos, e cuja residência era um centro de peregrinação de desesperados, disse para uma moribunda: “Eis que a tua cova já está aberta”. Se se tratasse de um familiar meu e eu estivesse presente, as minhas palavras seriam, no mínimo, e por educação, “Queira por favor se retirar desta casa”.)

O interessante é que muitas pessoas tomam para si tais palavras, e, se algo minimamente parecido acontecer, foi o cumprimento da profecia. Se nada acontecer, ninguém dá a menor importância. Ninguém sequer lembra da “profecia”. Mas, eu lembro.

Há muitos anos, ainda na minha adolescência nos anos 70, mais precisamente em julho de 1972, eu estava em uma reunião quando um famoso, à época, profeta – pelo que sei ainda é vivo, não sei se ainda é muito requisitado pelo seu dom das previsões proféticas –, se levantou e bradou: “Daqui a 180 dias a terra irá tremer”. É muito comum esse tipo de profecia de sentido dúbio. Se não for uma coisa, poderá se aplicar a outra.

Dizem que certa vez um grande imperador consultou um vidente acerca da sua próxima batalha. O vidente consultou os seus oráculos e então vaticinou: “Irás vencerás não morrerás na batalha”. O imperador, feliz, assim interpretou: “Irás. Vencerás. Não morrerás na batalha”.

Confiante nas palavras do vidente, o imperador foi à guerra e, no entanto, lá foi morto.

Ao regressarem à sua cidade, os generais do exército cobraram do vidente acerca da morte do soberano.

Disse o vidente: o meu prognóstico se cumpriu, o imperador é que não o entendeu. A profecia foi: “Irás. Vencerás? Não. Morrerás na batalha”.

Voltando ao caso da minha adolescência. Não sei se alguém teve o cuidado de tomar nota e ficar atento à profecia do conhecido profeta. Eu tive.

Fiz os cálculos e o fim dos 180 dias coincidia exatamente com o período de um grande evento que haveria na igreja em janeiro do ano seguinte. Tratava-se de uma Convenção Geral da denominação. Guardei comigo e aguardei.

Chegaram os dias da Convenção. Evento concluído. A terra literal não tremeu. Ainda bem que tremores de terra medianamente fortes em João Câmara, com repercussões em Natal, só ocorreram em 1986, portanto muito tempo depois. Certamente, se tivessem ocorrido naqueles dias, ou mesmo semanas antes ou depois da Convenção, seriam associados à profecia.

Nem mesmo a terra no sentido metafórico – o “coração” dos homens, onde se pode “plantar” coisas boas ou más, se é que se pode interpretar assim, lembram da Parábola do Semeador? –, ou ainda a Convenção em si “tremeram”, pois nada de extraordinário aconteceu. Apesar de muito jovem, eu trabalhei na organização do evento. Até onde sei, ninguém deu a menor importância ao fato, todavia eu o guardei para sempre.

Um outro episódio interessante aconteceu muito tempo depois.

No início de 2013, ao abrir o Facebook, me deparei com as seguintes palavras:
“Mensagem profética vinda de Deus para mim esta manhã:

A cidade de Natal passará por momentos de grandes dificuldades este ano, teremos reações por parte da natureza nunca vistas nesta cidade, o Sol desaparecerá e tortuosas chuvas cairão em que a cidade ficará deserta, a lama cobrirá a cidade e muitos prantearão, perderão seus bens, casas e famílias, empresas; pastores, líderes, mulheres de oração juntemos nossas vozes em clamor aos céus para Deus vir com misericórdia a nossa cidade, até o fim deste ano veremos isto acontecer. Essa foi a palavra que hoje recebi do Senhor.”
Não me sinto à vontade para divulgar o nome da profeta, portanto não o farei.

Pelas características das previsões – há informações objetivas que podem ser verificadas e confirmadas ou não no período e local objetos dos eventos –, não seria um equívoco, na minha avaliação, afirmar que tal mensagem pode ser considerada uma profecia, isto é, não é algo passível de acontecer naturalmente com 100% de probabilidade.

Diante da magnitude da previsão, fiz a seguinte consideração à profeta: “A mensagem que você está transmitindo é algo profundamente sério e de uma responsabilidade muito grande.”

Resposta: “Saulo, sei da responsabilidade deste árduo ministério, fique tranquilo, sei quem disse, apenas ore pela igreja.”

Não soube de mais alguém que tivesse o cuidado de acompanhar o desenrolar dos fatos. Eu tive. Anotei, guardei e aguardei. Era fevereiro de 2013.

Chegou 01 de janeiro de 2014 e nada do que foi previsto na mensagem “profética” acontecera.

Dias depois, eu publiquei a seguinte mensagem:

“Ano passado, mais precisamente no mês de fevereiro, uma pessoa, líder de uma igreja, publicou o seguinte comentário no Facebook:

(Reproduzi a mensagem já citada anteriormente)

Continuei: A minha percepção é de que nada do que foi profetizado aconteceu. Evidentemente, por respeito à pessoa, eu não vou divulgar o seu nome. Entretanto se, espontaneamente, ela quiser me enviar uma mensagem pessoal acerca do assunto, eu tenho o maior interesse em recebê-la e apreciaria muito ler suas justificativas, isto é, o que ela tem a dizer sobre o assunto.”

Infelizmente, não obtive resposta.

Em 2014, um pouco antes das eleições daquele ano, era o mês de agosto, a mesma pessoa também publicou no Facebook uma “profecia” acerca das eleições. Para não me alongar mais e me tornar cansativo, direi apenas que dentre as previsões estava “Renovarei em 90% os cargos de deputados federais e estaduais”. Anotei, guardei e aguardei.

Mais uma vez a “profecia” não se cumpriu.

Passadas as eleições, fiz mais um questionamento, citei a profecia e os resultados das eleições em percentuais, concluindo assim: “Como o meu objetivo não é criar dificuldades para ninguém, não citarei o nome da pessoa. Entretanto, se ela quiser me enviar uma mensagem pessoal com algum esclarecimento, eu muito apreciaria.”

Infelizmente, mais uma vez não obtive resposta.

E para concluir?

Não estou fazendo julgamentos quanto à possibilidade ou não de profecias, reais ou verdadeiras. Eu tenho um “arquivo”, de chave única, e tal chave, sem cópia, está sempre comigo ou à minha vista, portanto só eu tenho acesso ao arquivo. Nele, eu costumo guardar alguns temas mais complicados.

Tentei, valendo-me de alguns exemplos simples, baseados na minha experiência pessoal, mostrar parâmetros básicos que podem ser usados para determinar se a previsão de um pretenso profeta pode receber o carimbo de profecia ou é apenas um desejo – talvez de confortar um desesperado –, uma conjectura, um impulso emocional – talvez julgando-se porta-voz de Deus –, uma fantasia ou quem sabe apenas fanatismo.

Não sei se consegui.

sábado, 28 de agosto de 2021

Fuzil ou feijão?

 Por Saulo Alves de Oliveira

Conselho do "grande" presidente colocado lá no Planalto pela maioria dos evangélicos, visto que ele respeita rigorosamente os princípios cristãos. Um cara preparadíssimo para o cargo e que está muito preocupado com a fome e a pobreza do nosso povo (sqn):

"Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Tem um idiota: 'Ah, tem que comprar é feijão'. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar."

Na realidade, ele tem razão, quando todas as pessoas estiverem armadas todos os problemas do Brasil, tais como, fome, miséria, inflação, corrupção, insegurança, educação e saúde precárias, transporte deficiente, salários baixos, falta de moradia, mortes no campo etc., serão resolvidos.

Tive agora um lampejo de lucidez, o capitão tem razão! Como sempre! (sic)

A propósito do conselho do "grande" presidente do Brasil - e que presidente, hein? Acho que o mundo todo tem uma enorme inveja dos brasileiros -, que tal fazermos um churrasco de fuzil neste domingo? Para quem não gosta de churrasco, pode ser fuzil guisado, fuzil à milanesa ou mesmo um bifezinho de fuzil acebolado, malpassado, é claro!

Que tal uma boa feijoada com os melhores pedaços do fuzil? 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Deus não é o deus das probabilidades

Por Saulo Alves de Oliveira

É normal, é inteligente – e a prudência recomenda – fazer planos para o futuro. Todos nós, quando  planejamos alguma coisa, do casamento ao nascimento de um filho, de um curso superior a um empreendimento qualquer, de uma viajem a, quem sabe!, morar no exterior, desejamos e temos a expectativa de que tudo dê certo, mas, se somos previdentes, sabemos que algo pode dar errado e há a possibilidade dos nossos planos não se concretizarem. Todavia, mesmo cientes dos riscos, insistimos e esperamos que o nosso sonho de sucesso se torne realidade. Lutamos e trabalhamos para que tudo dê certo, porém às vezes as circunstâncias trabalham contra nós ou nós mesmos derrubamos nossos castelos, eventualmente, de areia.

“Jogamos”, pois, com duas possibilidades, sucesso ou fracasso, e bem faz quem se prepara também para enfrentar o fracasso (Talvez considerar portas emergenciais, saídas alternativas!). Não é nada fácil. Um filho que se desviou do caminho do bem e perdeu-se, um casamento que não deu certo, um negócio que não prosperou, uma viagem abortada no meio do caminho... E por que isso pode acontecer? Porque somos apenas seres humanos, não “deuses”, não conhecemos o futuro. Se soubéssemos antecipadamente que algo daria errado, certamente não investiríamos tempo, dinheiro, trabalho e nossa própria vida em um projeto de futuro previsivelmente sem êxito. Não abriríamos mão do nosso conforto para dedicar-nos a algo que não vale a pena.

Se você tivesse a capacidade de antever o futuro, e soubesse, com certeza absoluta, que um dos seus filhos ou filhas se tornaria um ser humano mau, drogado, assassino, assaltante, ou outra qualidade pior (– há?), você permitiria que esse filho ou filha viesse ao mundo? Ou evitaria sua concepção? Lamentavelmente, tal desastre pode acontecer com qualquer um de nós. Planejamos tudo de bom com e para os nossos filhos, mas podemos ser surpreendidos com algo bem diferente.

No entanto, isso não acontece com Deus. Deus pode ser surpreendido com algo que ele não sabia que não daria certo? Ele fez ou faz algo “jogando” com a possibilidade, como nós humanos, de sucesso ou fracasso, isto é, de dar certo ou errado? Deus “joga” com probabilidades? Se a resposta é sim, então ele não é Deus. Todavia, Deus não pode ser surpreendido com coisa alguma. Ele sabe exatamente o que vai acontecer e a forma como acontecerá. Estou equivocado ao afirmar que 100% é a única probabilidade relacionada aos planos do Senhor?

A teologia cristã diz que ele conhece passado, presente e futuro. Portanto, Deus criou Lúcifer sabendo que Lúcifer se revoltaria contra ele, e mesmo assim o criou. Teria ele o criado com esse propósito? Deus criou o ser humano sabendo que este iria pecar contra ele, e mesmo assim o criou. Deus não foi apanhado de surpresa. Ele sabia exatamente o que iria acontecer. O interessante é que Deus para ser Deus não precisava ter criado nem Lúcifer nem o ser humano. Mesmo sabendo que as suas criaturas se desviariam do seu caminho e que ele, Deus, como resultado da atitude dos primeiros humanos, teria de condenar bilhões de almas ao tormento eterno, as criou.

Imaginem: Deus com seus anjos e parte da humanidade gozando para sempre as delícias dos Céus e Nova Terra! Enquanto isso, um grupo de seres humanos condenados ao sofrimento ETERNO por conta de, no máximo, algo em torno de 100 anos, vividos, em desobediência, pode-se alegar, durante suas vidas na Terra! – Você sabe exatamente o que significa ETERNO?  

Segundo a Cosmologia o Universo tem cerca de 14 bilhões de anos. Esse tempo colossal é absolutamente um nada diante da eternidade. Pense em 100 trilhões de anos! Esse tempo inconcebível é absolutamente um nada diante da eternidade.

Qualquer número de anos que você imaginar é insignificante diante da eternidade.

Deus criou o ser humano ciente de que sua obra não daria certo e que, portanto, teria de condená-lo ao tormento eterno. Você entende isso? Eu não. Mas entendo que nem o livre arbítrio explica tal fato. Nem mesmo o plano da redenção justifica ou explica tal fato.

Essa questão da condenação eterna é outro ponto controverso, mas fica para outra oportunidade.

Não é preciso afirmar que há perguntas muito difíceis e que podem nos levar a outras perguntas mais difíceis ou inconvenientes ou a conclusões perturbadoras, então preferimos nos conformar com “não podemos penetrar as profundezas de Deus”, “seus mistérios são insondáveis” ou então recorrer à tradicional “porta de emergência” conhecida pelo código Dt.29:29.

Eu tenho a devida compreensão quanto ao receio desses questionamentos. Há uns 30 anos era mais ou menos assim que eu pensava. Depois aconteceram alguns episódios na minha vida que me fizeram começar a repensar muita coisa. Digo mais ou menos porque não era exatamente assim que eu pensava.

Por exemplo: sempre achei complicada toda a violência ordenada por Deus no Velho Testamento e os sacrifícios de animais. Só na consagração do Templo de Salomão – o verdadeiro, não o do Edir – foram sacrificados 142 mil animais em 7 dias, cerca de 14 animais a cada minuto. Deve ter sido um espetáculo chocante e perturbador para pessoas sensíveis. Confesso-lhes: jamais gostaria de presenciá-lo. Nunca entendi o fato de agradar ao Senhor o cheiro de carne queimada ou a necessidade de tal prática.

Imaginem quanto ao fato de criar seres, dotá-los da capacidade de escolherem o bem ou o mal e depois, ao se concretizar a escolha do mal, lançá-los no inferno por toda a eternidade! 

Felizmente – ou infelizmente, talvez –, mesmo correndo alguns riscos, eu prefiro insistir comigo mesmo e tentar entender certas profundezas ou mistérios. Posso dizer que em alguns casos já cheguei perto de conclusões perturbadoras. Mas acho melhor ficar por aqui. Espero que todos vocês e seus familiares estejam bem e com saúde. Fiquem todos em paz.

Acho que já falei demais. O que devia e o que não devia.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Vamos combinar o seguinte

Por Saulo Alves de Oliveira

Primeiro nós convertemos todo o mundo ao cristianismo; depois nós promovemos um grande concílio mundial para transformar todas as correntes do cristianismo em uma só, ou seja, em um só conjunto doutrinário ou uma só fé baseada exclusivamente na Bíblia. Incluídos aí o catolicismo romano e suas matizes, o protestantismo e suas centenas ou milhares de denominações com suas concepções doutrinárias, muitas vezes antagônicas, e os ortodoxos.

Feito isso, os organismos internacionais, nos quais só haverá cristãos de uma só cor, passam a usar a Bíblia para resolver todas as disputas ou questões mundiais, inclusive o caso Israel versus Palestina. Detalhe: será bem mais fácil chegar a um consenso, visto que não haverá mais judeus ou muçulmanos, só cristãos com uma só fé, crendo exatamente nas mesmas coisas.

Todavia, dado que 2/3 do mundo atual ainda não é cristão, isto é, não aceita toda a Bíblia como a Palavra de Deus e Jesus como salvador, inclusive os judeus, nós não podemos, e não devemos, tentar impor as Escrituras para essa finalidade, porquanto tal atitude só gerará conflitos e guerras.

Enquanto isso não acontece, isto é, a conversão de todos os povos ao cristianismo, vamos envidar todos os esforços para dirigir o mundo baseados em princípios de justiça e num conjunto de leis internacionais aceitos por todos os povos.

No momento, não há outra saída.

domingo, 30 de maio de 2021

Viva 07/05/2021!

(Este texto foi uma mensagem enviada para minha filha no dia do seu aniversário)

Por Saulo Alves de Oliveira

Sílvia, minha filha, a primeira vez que vi você foi nos braços de uma colega minha, médica, que estava de plantão na madrugada do dia do seu nascimento. O encontro se deu no corredor da Maternidade. Ela trouxe você para que eu a visse pela primeira vez. Algo me chamou a atenção de imediato: percebi que suas mãos e dedos eram bem compridos. Então eu disse à sua mãe: “Sílvia será uma mulher alta e grande”. E minha profecia se cumpriu: em todos os sentidos.   

Este ano, infelizmente, está muito parecido com o ano passado, pelas razões que todos nós sabemos. Então minhas palavras serão basicamente as mesmas do ano passado, com um pequeno acréscimo.

Querida filha, as coisas estão um pouco complicadas este ano para te dar um abraço e um beijo de parabéns. Todavia não poderia esquecer este dia. Meus parabéns e um Feliz Aniversário. Mais um ano de vida e de lutas. E que lutas as deste ano, hein? Cirurgia dos sisos – com certo sofrimento nos dias antecedentes –, cirurgia emergencial da Paola! Lamentavelmente, não pude estar presente em ambos os casos. Além, é claro, da ameaça do vírus. Mas venceremos. Nem o coronavírus nem o "vírus" maior hão de destruir este País. Precisamos acreditar que venceremos. O Brasil é maior do que “aquele” e aqueles que querem destruí-lo. Desejo tudo de bom a você e todo o sucesso do mundo.

Acho que qualquer idade é ocasião propícia para mudanças na vida, ou não! Mas, não sei porque, eu acho que a idade que você faz hoje é marcante e muito significativa. Talvez seja o momento de refletir sobre tudo que aconteceu e foi feito até aqui e de mudar alguma coisa, se achar conveniente, por exemplo: abraçar um novo curso na Universidade, numa área que você sente que é a sua vocação. Ou – quem sabe! – um concurso para alçar voos mais altos. Caso contrário, se você está satisfeita onde está, tudo bem, siga o caminho que você escolheu. O importante é que você se sinta bem e feliz, junto com a nossa, não mais tão pequena, e querida Paola. Que saudades!

Um forte abraço e um beijo do seu – quase ancião – pai. Amo vocês duas.

sábado, 29 de maio de 2021

Você ainda estaria nessa igreja?

Por Saulo Alves de Oliveira

Imagine que o mês é março/2020. Estes são dois comentários do pastor da sua igreja naquele momento sobre a situação do Brasil. Eu transcrevi os textos literalmente, inclusive sem nenhuma correção de português para evitar qualquer interferência da minha interpretação. Apenas omiti a identificação de um homem, cujo nome eu não escrevo há três anos, mas tenho certeza de que todos sabem de quem se trata. Observe com bastante cuidado os adjetivos utilizados, especialmente o superlativo.

Em 20/03/2020

“Para mim Ele é o [nome de um homem], escolhido pelo povo 57 milhoes É voz de Deus é a voz do povo. Ele é inteligentissimo escolheu a Melhor Equipe para esta hora que estamos atravessando o Mito é inspirado.” (sic)

Em 24/03/2020

“Precisamos de pessoas inteligentes e de bom senso para ver que ha uma orquestração ou conspiração para que o Governo não dê certo e apostam no caos aproveitando o Covid19 , Prestem atenção o Brasil vai sair desta situação por cima e 2020 será um Ano de Celebração pela grande vitoria que alcançamos pela equipe de homens inteligentes e competente que estavam na gerencia desta grande Nação.” (sic)

Pergunto: se você fosse membro dessa igreja em março/2020, hoje você ainda estaria lá?